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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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Comitê internacional defende santuário da América do Sul até a África para proteção das baleias

O grupo composto por mais de 200 cientistas esteve reunido entre 7 e 20 de julho, em Bled, na Eslovênia, onde foram discutidas as últimas pesquisas sobre conservação e gestão das baleias

Edson Rosa
Florianópolis

Foram 15 anos de espera e várias tentativas malsucedidas, mas desta vez criação de santuário no Atlântico Sul ganha apoio junto à CIB (Comissão Internacional Baleeira).  Liderada inicialmente pelo Brasil e  com adesão de Argentina e Uruguai, a proposta que tramita desde 2001 pela primeira vez recebe parecer positivo para delimitação de toda a porção do oceano entre o litoral da América do Sul e o africano para a proteção aos cetáceos que por ali passam durante o ciclo migratório das espécies.

Marco Santiago/Arquivo/ND
Além de Brasil, Argentina e Uruguai, os três proponentes iniciais, a criação do santuário também é defendida por governos de 12 países africanos 

 

 

Desde 2001 em discussão, a aprovação da área marítima protegida internacionalmente esbarrava no interesse de alguns países na liberação da retomada da caça ao animal. Entre eles, Japão e Noruega. Pela primeira vez, o projeto recebeu parecer positivo do comitê científico da CIB.

O grupo composto por mais de 200 cientistas esteve reunido entre 7 e 20 de julho, em Bled, na Eslovênia, onde foram discutidas as últimas pesquisas sobre conservação e gestão das baleias. Um dos pontos analisados foi a proposta do santuário, que neste ano esteve acompanhada de um plano de manejo para o local — material que não constava antes e cuja ausência havia sido criticada pelos cientistas internacionais.

De acordo com informação de Giovana Girardi, do blog Ambiente-se, o comitê científico da CIB fez avaliação favorável aos critérios técnicos e científicos da proposta, o que foi interpretado pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil com sinal de que há chances de aprovação final da proposta. A votação ocorre na plenária, entre os dias 20 e 28 de outubro, em Portoroz, também na Eslovênia.

Os pesquisadores, segundo técnicos do ministério, reconheceram o potencial do santuário em incentivar a colaboração de ações de conservação, pesquisa científica e monitoramento. Ugo Vercillo, diretor do Departamento de Espécies, lembra que para ser aprovada, a proposta depende de ¾ dos votos favoráveis dos membros da comissão. Na última reunião da CIB (os encontros são bienais), faltaram somente quatro.

“As derrotas ocorreram por uma minoria que consegue se beneficiar dessas regras”, afirma. “Na última reunião houve questionamento sobre a validade científica dessa proposta, se a existência de um santuário realmente serviria para conservar as baleias. Agora levamos também um plano de manejo para essa área e o comitê científico validou a proposta como sólida. Pelo menos com isso ninguém vai poder tentar invalidá-la como cientificamente falha”, diz Vercillo.

 

Noruega e Japão votam contra

Além de Brasil, Argentina e Uruguai, os três proponentes iniciais, a criação do santuário também é defendida por governos de 12 países africanos e caribenhos e por tradicionais aliados na conservação das baleias - Austrália, Reino Unido e México. Neste ano, a proposta ganhou o apoio do governo do Gabão, que tem a missão de ajudar a convencer outros países africanos a votarem a favor do santuário.

Divulgação/ND
Mapa do santuário de proteção

 

Noruega e Japão, que encabeçam o grupo contrário, defendem a volta da caça às baleias, atividade sob moratória internacional. O ambientalista José Truda Palazzo, que acompanha a negociação desde 2001, acredita que o posicionamento do comitê científico da Comissão Internacional Baleeira fortalecerá a proposta e ajudará na obtenção dos votos que faltam. Mas, alerta que isso não está garantido.

“Será necessário grande esforço diplomático, o envolvimento de alto nível do Itamaraty para conseguirmos”, afirma. Truda acredita que é preciso dialogar com países como Rússia e Coreia do Sul, que são parceiros comerciais do Brasil e votaram contra anteriormente, mas sem razões claras para isso.

A CIB tem mais de 80 membros, mas nem sempre todos comparecem para votar. “Na última reunião, Portugal não foi, e era a favor. A Índia também. Tem de trabalhar  diplomaticamente para que eles compareçam”, diz. Segundo Truda, é importante mostrar o valor do uso não letal das espécies. “A baleia preservada dá dinheiro com turismo, observação. Tem importância para gerar emprego e renda. É isso que precisamos convencer”, enfatiza.

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