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Comissão rejeita proposta de liberar caça às baleias durante votação em Florianópolis

Brasil foi um dos 41 votos contrários à prática, que criaria cotas para o abate dos animais em todo o mundo

Redação ND
Florianópolis
14/09/2018 às 15H34

A Comissão Baleeira Internacional (CBI ou IWC, na sigla em inglês) rejeitou em votação em Florianópolis, na manhã desta sexta-feira (14), a proposta do Japão de liberar a caça comercial às baleias. O Brasil foi um dos 41 votos contrários à prática, que criaria cotas para o abate dos animais em todo o mundo. Foram 27 votos favoráveis, por sua vez, entre eles a Islândia; e duas abstenções, como a da Rússia.

Placar de votação para liberação de caça comercial às baleias - Sea Shepherd Global/Facebook/Reprodução
Placar de votação para liberação de caça comercial às baleias - Sea Shepherd Global/Facebook/Reprodução


A produção do relatório final do evento, que ocorre no Costão do Santinho, no Norte da Ilha, ao longo da semana, começou logo após a votação. Os países defensores dos cetáceos, liderados pela Austrália, União Europeia e Estados Unidos, derrubaram a proposta japonesa intitulada "O caminho a seguir". Seis dos 89 países-membros não enviaram uma delegação, e sete outras nações, a maioria africanas, que não pagaram suas contribuições, não votaram. 

O vice-ministro japonês da pesca, Masaaki Taniai, lamentou o resultado da votação e ameaçou abandonar a Comissão se não houver progressos no retorno à caça comercial de baleias. Segundo ele, o resultado da votação pode ser visto como uma negação da possibilidade por governos com diferentes pontos de vista de coexistir em respeito mútuo e compreensão dentro da CBI.

Em resposta, o representante australiano Nick Gales rejeitou o "discurso do Japão que ressalta a intolerância e disfunção" da CBI. Ele pediu que Tóquio permaneça na CBI para defender seu ponto vista e trabalhar junto a outros países-membros.

Nesta quinta-feira (13), já havia sido aprovada pela Comissão a Declaração de Florianópolis, posição oficial do governo brasileiro que defende a preservação das baleias. O projeto que previa o fim da moratória foi apresentado por países pró-caça, como Japão, Islândia e Noruega.

Apesar dos pareceres favoráveis pela preservação das baleias, duas decisões geraram polêmica. Na quarta-feira (12), a Comissão aprovou a caça de mil baleias para fins de subsistência indígena em países como Rússia, Estados Unidos, Dinamarca (Groenlândia) e St. Vincent & Grenadines. Tal medida já teria sido acordada anteriormente entre os membros, necessitando apenas de uma ratificação oficial durante o encontro. 

Ativistas marcaram presença no local do evento ao longo da semana - RICTV/ND
Ativistas marcaram presença no local do evento ao longo da semana - RICTV/ND

A outra polêmica foi em torno da rejeição da proposta brasileira para criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul, projeto que já existe há 19 anos e visa proteger baleias e golfinhos de toda a América do Sul, África e Antártica. A proposta teve maioria dos votos favoráveis, mas não alcançou o mínimo necessário para ser aprovada no evento. O projeto tem sido pautado desde 2001 e rejeitado em todas as comissões seguintes. Foram 39 votos a favor, 25 contra, três abstenções e duas ausências. O índice de aprovação foi de 58,2%, mas são necessários 75% dos votos dos países presentes na plenária. A proposta mais uma vez foi barrada em um acordo claro com países que sofrem pressão econômica Japonesa. 

Em nota, o presidente do Instituto Baleia Franca, no Brasil, Eduardo Peixoto, afirmou que a criação deste Santuário seria uma forma alternativa à liberação da caça, insistentemente defendida por países baleeiros e liderados pelo Japão. Peixoto ainda finalizou pontuando que algumas conversas de bastidores indicam que a “troca” de favores proposta pelo Japão seria muito simples: liberem a nossa caça e premiamos os conservacionistas com “nossos votos” para criação do Santuário das Baleias no Atlântico Sul.

Enquanto os representantes de mais de 80 países discutiam as pautas, do lado de fora do resort ativistas de várias partes do mundo marcaram presença, clamando pela preservação das baleias.

Em comunicado à imprensa, o governo brasileiro indicou que "reafirma a importância da manutenção da moratória à caça comercial de baleias, em vigor desde 1986, e reconhece o papel da CIB na recuperação das populações dos grandes cetáceos (mamíferos marinhos)".

>> Proposta brasileira de preservação às baleias é aprovada por Comissão em Florianópolis

Com informações da RICTV e Folhapress.

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