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Comércio espera absorver de 25% a 50% dos R$ 8,4 bilhões do 13º salário em Santa Catarina

Para dar vazão ao consumo reprimido, shoppings antecipam decoração de Natal e apostam no aumento das vendas de 12% a 13%

Michael Gonçalves
Florianópolis
11/11/2017 às 10H11

De olho em uma fatia do 13º salário, o período de compras para as festas de fim de ano já começou para o comércio, com as decorações natalinas em centros comerciais, shoppings e lojas. O Dieese-SC (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) prevê uma injeção na economia catarinense, em função do 13º, na ordem de R$ 8,4 bilhões, que representam 3,1% do PIB (Produto Interno Bruto). Para a CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) de Florianópolis, a estimativa é que 50% desse valor possa dar vazão ao consumo reprimido nos últimos anos de crise e, assim, recolocar em movimento a economia. Já a Fecomércio-SC (Federação do Comércio de Santa Catarina) avalia que 30% do 13º vai para o pagamento de dívidas e 25% para as compras.

A gerente de ONG Michele Cristhina Silva aproveitou uma folga para pesquisar opções de presentes para os dois filhos. “A intenção é presentear, mas com os pés no chão. Vou pesquisar bem para gastar o meu 13º com prudência e sem consumo por impulso, mas devo gastar mais em relação ao ano passado”, diz.

Lojistas já preparam promoções de fim de ano - Flávio Tin/ND
Lojistas já preparam promoções de fim de ano - Flávio Tin/ND



Segundo a pesquisa do Dieese, a estimativa é que 3,7 milhões de pessoas recebam o 13º salário, entre trabalhadores do mercado formal, aposentados e pensionistas. “Para os setores de comércio e de serviços a expectativa é muito animadora. Isso porque o 13º é uma remuneração extra, o trabalhador não utiliza para quitar as contas fixas, mas separa cerca de 20% para as despesas do início do ano como material escolar e impostos e 80% para o pagamento de dívidas e consumo”, espera o presidente da CDL de Florianópolis, Lidomar Bison.

O valor que entrará no mercado entre novembro e dezembro deste ano é 4,3% maior em relação a 2016. O supervisor técnico do Dieese em Santa Catarina, José Álvaro Cardoso, disse que o incremento é de quase R$ 400 milhões.

Bison destacou que alguns setores do varejo têm um aumento nas vendas de 50% a 300%, em produtos que não são de primeira necessidade. Os empregos formais representam 70,8% do 13º que entrará no mercado, os beneficiários do INSS correspondem a 29,2% e os aposentados e pensionistas do Estado 5,2%.

Liquidez do mercado é um sinal positivo

O empresário e diretor presidente das lojas Koerich, Antonio Koerich, observou que a liquidez do mercado é um sinal positivo. A confiança se reflete na abertura da 100ª loja no Estado neste sábado (11), em Jaraguá do Sul. “O consumidor está conseguindo pagar as contas e ficando apto a comprar novamente. O índice de inadimplência vem caindo e a evolução é positiva mês a mês nas vendas. A expectativa é de que o cenário político colabore e acompanhe a economia”, observa.

A expectativa do empresário é de que o cenário político colabore e acompanhe a economia. “Tenho a expectativa de que a política venha atrás do cenário econômico e possa trazer tranquilidade para o crescimento do país”, destaca.

Empresária estima incremento de 40% nas vendas

A empresária Maria Luiza Costa também antecipou a decoração da Bless Boutique, no Centro da Capital, especializada em vestidos para festas e eventos. Há quatro anos no comércio, ela percebeu uma recuperação nas vendas durante o ano em cerca dos 20%, mas espera um dezembro com crescimento na receita na ordem dos 40%.

A empresária disse que está passando pela sua alta temporada. “O nosso movimento é agora, quando as mulheres compram os vestidos para as confraternizações e eventos de fim de ano. Quem chega primeiro tem a opção de escolher os modelos exclusivos. A minha esperança é de um crescimento de 40% nas vendas em comparação ao mesmo período de 2016”, prevê.

Maria Luiza, que antecipou a decoração da boutique, espera crescimento nas vendas neste fim de ano - Flávio Tin/ND
Maria Luiza, que antecipou a decoração da boutique, espera crescimento nas vendas neste fim de ano - Flávio Tin/ND

“Reforcem os estoques”, diz o presidente da Fecomércio

O presidente do sistema Fecomércio-SC, Bruno Breithaupt, comemora um ótimo ano para o comércio em relação aos anos anteriores. Ele lembra que a última pesquisa registrou um aumento de 16% no comércio no mês de outubro e sugere aos empresários que reforcem os estoques.

“Ainda não temos uma pesquisa sobre o quanto do 13º salário será destinado ao comércio este ano, mas pela nossa experiência e pelos números do ano passado acredito que 30% dessa renda extra é para o pagamento de dívida. O trabalhador deve economizar cerca de 25% e deve consumir outros 25%. O restante é para os gastos com escola e impostos no início do ano. A minha sugestão para os empresários é que reforcem os estoques”, ressalta.

A gerente de uma unidade da Carioca Calçados no Centro de Florianópolis, Cristiane de Macedo, finalizou os últimos enfeites nesta semana e confirmou o sentimento positivo do setor. “A confiança é tanta que começamos mais cedo a nossa promoção de Natal. O consumo vem crescendo e a empresa voltou a sortear um carro para os clientes, coisa que não aconteceu no ano passado. As lojas já estão com mais movimento”, afirmou Cristiane.

Crescimento de 12% a 13% nos shoppings

O gerente executivo do Beiramar Shopping, Walther Biselli, lembrou que em 2016 também havia uma expectativa muito grande, principalmente pela suposta “invasão” dos argentinos, que não foi confirmada. Desta vez, Biselli prevê um cenário de aumento de consumo baseado em fatores da economia no decorrer do ano e estima um crescimento de 12%. Já a assessoria do Continente Park Shopping, do Grupo Almeida Júnior, prevê um aumento nas vendas na ordem de 13% neste fim de ano.

“Percebemos uma pré-disposição para o consumo após dois anos de recessão. Acreditamos que este ano o trabalhador teve a oportunidade de quitar as dívidas com a disponibilização das contas inativas do FGTS e do PIS/Pasep, por exemplo. Notamos um pequeno crescimento nas vendas, mas consistente. A estimativa para o aumento de consumo deva ficar em torno dos 12%”, estima. Biselli lembrou que o turismo também contribui para o aumento das vendas.

Segundo o gerente executivo do Beiramar, o shopping registrou um aumento no número visitantes durante os feriados. O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Grande Florianópolis confirma a expectativa positiva para a temporada.

Para não se endividar no fim do ano

Dezembro chegando, dinheiro extra na conta, mas também tem aumento das despesas. Por isso, é necessário pensar na melhor estratégia para fechar bem o ano e entrar com o pé direito em 2018. Se você é o tipo de consumidor investidor ou equilibrado, não terá problema para decidir qual a melhor forma de gastar ou investir o seu dinheiro, porém se o seu perfil for o de consumidor endividado, veja algumas dicas no quadro abaixo. (Janine Alves)

>> Estimativa do 13º salário em Santa Catarina

Trabalhadores no mercado formal: R$ 5,91 bilhões

- Assalariados dos setores público e privado: R$ 5,84 bilhões

- Empregados domésticos com carteira: R$ 68,4 milhões

Aposentados e pensionistas: R$ 2,43 bilhões

- Beneficiários do INSS: R$ 1,94 bilhão

- Regime próprio do Estado: R$ 437 milhões

- Regime próprio dos municípios: R$ 56 milhões

Fonte: Dieese-SC

 >> DICAS

  • Livre-se das dívidas ou pelo menos as deixe sob controle
  • Use o 13º salário para pagar as dívidas com juros mais altos: cheque especial e cartão de crédito
  • Planejamento: Depois de pagar as dívidas, é necessário saber o quanto se tem para gastar e quais são as prioridades. Faça uma lista e evite as compras por impulso, pois nesse momento ceder às tentações pode pesar muito no bolso
  • Precaução: Em janeiro tem despesa extra com IPTU, material escolar, energia elétrica, etc., portanto pisar no freio agora pode ajudar a pagar as contas do próximo ano
  • Hábito: Manter os gastos dentro do orçamento é um exercício diário e, se praticado em conjunto por toda a família, vai trazer muitos benefícios. Afinal é muito melhor comprar um bem do que viver para pagar juros.
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