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Comerciantes protestam contra ambulantes ilegais em Canasvieiras, nesta segunda-feira

Discussão acalorada entre trabalhadores do setor e imigrantes senegaleses e haitianos marcou o início da manifestação, por volta das 17h50

Redação ND
Florianópolis
19/03/2018 às 21H15

Uma mobilização contra o comércio realizado por vendedores ambulantes ilegais em Canasvieiras reuniu trabalhadores do setor na Avenida das Nações e na Rua Madre Maria Vilac a partir do fim da tarde desta segunda-feira (19). O ato, marcado para as 18h, foi divulgado nas redes sociais e sugeria que os lojistas expusessem suas mercadorias nas ruas, assim como os ambulantes fazem diariamente.

Comerciantes discutiram com haitianos em Canasvieiras no início da noite desta segunda-feira - Divulgação/ND
Comerciantes discutiram com haitianos em Canasvieiras no início da noite desta segunda-feira - Divulgação/ND


Por volta das 17h50, uma discussão acalorada entre comerciantes e haitianos chamou a atenção de quem passava pela rua Madre Maria Vilac. A reportagem do Notícias do Dia presenciou o fato, que quase terminou em briga física. Comerciantes bateram boca com alguns imigrantes senegaleses e haitianos durante cerca de 20 minutos. Logo após os ânimos se acalmarem, duas viaturas da PM (Polícia Militar) chegaram ao local. Uma viatura do PPT (Pelotão de Patrulhamento Tático) também foi enviada para acompanhar o protesto.

Às 18h30, a mobilização reunia cerca de 25 comerciantes, que pediam reforço na fiscalização do comércio ilegal por parte da prefeitura. Durante a manifestação, eles fecharam a rua Madre Maria Vilac, que corta a Avenida das Nações, por aproximadamente 15 minutos. Até as 18h30, não havia problemas no trânsito durante o ato.

De acordo com os comerciantes, após mais de um mês sem fiscalização da prefeitura, os ambulantes ilegais – principalmente senegaleses e haitianos – tomam conta das calçadas todas as noites em frente às lojas para vender seus produtos. Durante o dia os ambulantes demarcam os espaços com lonas e, todas as noites, por volta das 19h, eles começam a colocar seus produtos, e ficam ali até o horário que o comércio costuma fechar as portas, próximo da 1h.

Sinara Flores Marin é comerciante em Canasvieiras há 8 anos e fez coro com o protesto ontem. “A situação está triste aqui, cada vez eles estão tomando mais conta. A coisa estava controlada, mas agora a fiscalização nos abandonou. Sem a fiscalização, eles vão se aproveitando. A prefeitura tem que encontrar uma solução, pode de repente alugar um galpão para eles venderem suas coisas”, afirma ela. O senegalês Alex Adriano está na cidade há um mês e defende a atuação dos ambulantes ilegais. “Eu to trabalhando aqui, não uso droga, não estou roubando. Só trabalhamos e vamos para casa. Tenho família para ajudar no Senegal. Se não trabalhamos e vendemos aqui, dormimos na rua”, diz ele.

Comerciantes interromperam o trânsito da rua Madre Maria Vilac por cerca de 15 minutos - Marco Santiago/ND
Comerciantes interromperam o trânsito da rua Madre Maria Vilac por cerca de 15 minutos - Marco Santiago/ND

A secretária de segurança pública, que engloba a Sesp (Superintendência de Serviços Públicos), Maryanne Mattos, afirma que a fiscalização foi feita na cidade durante toda a temporada e continua sendo feita no Centro, no Norte da Ilha e em outras regiões, mas o trabalho é feito em forma de rodízio, “Aumentamos o foco no Centro com o fim da temporada. Por mais que a gente fiscalize, sempre vai ter gente tentando vender, a orientação é para que os consumidores não comprem esses produtos ilegais”, diz ela.

A partir desta terça-feira, Maryanne afirma que novas ações serão alinhadas. Uma reunião com o prefeito, a superintendência de assuntos internacionais, a secretaria de assistência social e o Conselho Municipal de Combate à Pirataria deve ser realizada, mas ainda sem data definida. Segundo Maryanne, esse foi o ano que houve mais apreensões de produtos ilegais na cidade. Em fevereiro, em uma operação em conjunto com a Polícia Civil, a prefeitura apreendeu mais de 4 mil produtos falsificados no Norte da Ilha, estimados em R$ 4 milhões.  

Em nota, a Prefeitura de Florianópolis garantiu que está agindo em conjunto com os lojistas, buscando coibir o comércio irregular e ilegal em toda a cidade. Informou, ainda, que o executivo realizou uma reunião do Conselho Municipal de Combate à Pirataria com diversos órgãos, na última semana, “para cobrar apoio e planejar ações em conjunto de todos os envolvidos”. “É preciso uma integração maior de outras autoridades, visto que há um fornecedor dessa mercadoria e a grande maioria desses ambulantes são imigrantes. É necessário também a conscientização da população em não adquirir esses produtos que são piratas, falsificados e contrabandeados. Além de não respeitarem as normas técnicas brasileiras, não possuem garantia e podem afetar a saúde e a segurança de quem consome”, concluiu a nota.

Discussão acalorada entre trabalhadores do setor e imigrantes senegaleses e haitianos marcou o início do protesto contra ambulantes ilegais em Canasvieiras, nesta segunda-feira. Confira mais detalhes no https://t.co/AQD8cO2cUO. pic.twitter.com/FDLKSlM44m

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