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Júri popular ouve testemunhas sobre a morte do surfista Ricardinho, em Palhoça

O ex-PM Luís Mota Brentano é acusado de matar o surfista com dois tiros de pistola em janeiro de 2015

Redação ND
Palhoça
15/12/2016 às 20H19

Começou na manhã desta quinta-feira (15) o júri popular do ex-policial militar Luís Mota Brentano, de 26 anos, acusado de matar o surfista Ricardo dos Santos, o Ricardinho, em janeiro de 2015. A audiência acontece no Fórum de Pallhoça e conta com grande aparato de segurança.

O ex-PM Mota entrou para a audiência às 9h40 e aparentava tranquilidade - Flávio Tin/ND
Vestido de terno e aparentando tranquilidade, o ex-PM Mota entrou para a audiência às 9h40  - Flávio Tin/ND


A família de Ricardinho chegou ao local por volta das 8h40. Antes de entrar para o salão do júri, Luciane Dalcemar Santos, mãe do surfista, disse que uma possível condenação não aliviará a dor da perda de um filho, mas que espera que a Justiça seja feita.

“Mesmo que ele pegue 30 anos de cadeia, não passa a dor que a gente sente. Mas a gente precisa pedir Justiça para que essa pessoa não esteja mais diante da sociedade, que é o mínimo nessa situação”, afirmou. Luciene, que também será ouvida na audiência, fez ainda um único pedido: que seu depoimento não aconteça na presença do ex-soldado.

O promotor Alexandre Carrinho Muniz diz que pretende manter a acusação inicial, mesmo que a defesa continue com o argumento de legítima defesa. Ele disse que a denúncia oferecida antes vai ser integralmente o que defenderá na audiência, já que, em sua visão, ficou comprovado homicídio qualificado. Em sua perspectiva, a Justiça será realizada e a previsão é para que todos os depoimentos se encerrem ainda nesta quinta-feira.

O corpo de jurados foi formado por sete pessoas, sendo três mulheres e quatro homens, escolhidos mediante sorteio. Maioria jovem, todos já foram jurados em outras ocasiões. Vestido de terno e aparentemente tranquilo, o ex-soldado Mota entrou para a audiência às 9h40, mas saiu instantes depois a pedido das três primeiras testemunhas ouvidas. 

Depoimentos

Os primeiros a prestarem depoimento foram dois guarda-vidas e um surfista. O avô de Ricardinho, Nicolau dos Santos, foi o quarto a ser ouvido durante o julgamento durante a manhã. No entanto, por ter relação próxima com a vítima, ele depõe como informante, sem a necessidade de compromisso com a verdade. Nicolau falou por aproximadamente 40 minutos e contou como era sua relação com o neto, assim como o que viu no dia do crime. Ele repetiu o que já tinha dito à polícia anteriormente, confirmando a história de que Ricardinho foi morto pelo ex-PM em frente a sua casa, na Guarda do Embaú, depois de pedir para que Brentano deixasse o local para que fosse reparado um encanamento. "Foi uma morte de graça, sem motivo nenhum", disse. 

Um tio de Ricardinho, que estava no local no dia do crime, foi o quinto a ser ouvido. Ele também contou sua relação com o surfista e relatou o que viu no dia de sua morte. Após uma hora de intervalo, o júri voltou às 13h30 para ouvir um bombeiro militar que atua na Guarda do Embaú e foi o primeiro a chegar no local depois que Ricardinho foi baleado. 

Em uma área reservada para amigos e familiares do ex-soldado Mota, um grupo vestia uma camiseta com os dizeres "Daqueles que clamam por justica, esperamos somente a verdade". Do outro lado do plenário, no local onde está a familia de Ricardinho, o irmão e a ex-namorada do surfista vestem uma camiseta preta com o nome e os anos de nascimento e morte do esportista: "1990-2015 In loving memory".

“Mesmo que houvesse facão, não caberia legítima defesa”, afirma delegado em depoimento

Às 13h30, o julgamento foi retomado e novas testemunhas foram ouvidas. Prestaram depoimento o bombeiro que foi o primeiro a chegar ao local do crime, um guarda-vidas, um policial militar ambiental, um policial militar e o delegado Marcelo Arruda, que fez o inquérito.

O bombeiro e o guarda-vidas trabalharam no atendimento de Ricardinho logo após o crime e detalharam os procedimentos realizados na hora. O policial militar da região da Guarda do Embaú, que ajudou a prender Brentano, relatou que chegou ao local e Brentano não estava mais lá e detalhou a procura e prisão do policial.

A presença de um suposto facão no dia do crime foi discutida nos depoimentos desta tarde. De acordo com o delegado Marcelo Arruda, durante toda a investigação não se comprovou um facão no local do crime. As únicas pessoas que citaram o facão foi Brentano e seu irmão. “Mesmo se houvesse facão, acredito que não caberia legítima defesa por que a reação foi exagerada”, afirmou o delegado. Na tese da defesa, o facão, que estaria em posse de Ricardinho, seria o motivo pelo qual Brentano disparou contra o surfista.

"Não há justiça que vai trazer meu filho de volta"

A mãe de Ricardinho foi ouvida por volta das 15h40, na qualidade de informante por ter parentesco com a vítima. Arrolada pela acusação, ela reforçou que nenhuma condenação trará o filho de volta.

"Quero falar que não há justiça que vai trazer meu filho de volta. A maior perda nós que vamos pagar por não ter o Ricardo ao nosso lado. Mas somos obrigados a pedir justiça e eu acredito nela. Obrigada.", disse. Ela ainda foi questionada sobre o facão, mas afirmou que apenas ouviu falar sobre a arma branca depois do crime, já no meio do processo.

Depois, o promotor, assistente de acusação e defesa não quiseram fazer mais nenhuma pergunta e o depoimento foi encerrado.

Filho "protetor"

Nos depoimentos de defesa, a mãe de Brentano foi a primeira a falar. Ela começou falando sobre o filho, quando o descreveu como uma boa pessoa, amigo, de bom coração e “protetor”. A mulher ainda sustentou a história do facão, relatando que foi em busca dos hippies que teriam visto um homem carregando a arma branca próximo à cena do crime.

Ela afirmou que uma mulher identificada como Roseli alegou ter sido coagida para não falar sobre o assunto. Questionada sobre datas pela acusação, a mãe de Brentano disse que não se lembrava por estar muito nervosa.

O segundo depoimento foi de outro policial militar, que participou da prisão de Brentano. Ele contou como foi o dia e como chegou até onde o acusado estava. A acusação apontou que o depoimento do ex-colega foi contraditório em comparação ao dado anteriormente. Nesta quinta, ele afirmou que não se lembra de Brentano ter comentado sobre o facão no dia, mas em outra ocasião disse que o acusado teria falado que agiu em legítima defesa quando foi ameaçado com a arma branca.

* Com informações da repórter Letícia Mathias

Nicolau dos Santos, avô do Ricardinho, foi o quarto a ser ouvido no júri - Flávio Tin/ND
Nicolau dos Santos, avô do Ricardinho, foi o quarto a ser ouvido no júri - Flávio Tin/ND




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