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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Começa a demolição da casas na Mariquinha, em Florianópolis

A ação deve durar três dias

Saraga Schiestl
Florianópolis
Foto Débora Klempous/ND
Na manhã de terça-feira iniciaram-se as atividades de demolição das casas condenadas

 

Nesta terça-feira (3), dia em que se completou 20 dias da tragédia que matou uma aposentada no morro da Mariquinha, em Florianópolis, a primeira das cinco casas condenadas pela Defesa Civil começou a ser demolida. Manualmente, homens marretavam os tijolos que formavam as paredes, fragilizadas pelo desmoronamento de terra e de uma pedra de 200 toneladas. Entre os moradores, o sentimento ainda é de dúvidas sobre como será feita a indenização e, se um dia, poderão voltar a morar em segurança na servidão atingida pelo desastre natural.

O trabalho de demolição das casas deve durar três dias, já que nenhuma máquina pode ser utilizada, visto a vulnerabilidade do terreno. O diretor da Defesa Civil, Luiz Machado, esclareceu que não há como prever se as outras nove casas, também interditadas no dia do desmoronamento, precisarão ser demolidas. “Qualquer outra decisão só será tomada assim que o estudo geológico for feito. Essas primeiras cinco casas estão sendo demolidas porque representam risco eminente a segurança dos moradores”, explicou Machado.

O estudo citado pelo diretor da Defesa Civil ainda não começou a ser feito. A demora se dá porque até agora, apenas uma empresa enviou orçamento para participar da concorrência, cuja contratação será feita de maneira emergencial. “Vamos definir essa empresa nos próximos 15 dias. Mas o estudo também é feito rapidamente, acredito que em meados de fevereiro teremos um relatório completo sobre a situação do maciço do Morro da Cruz”, pontuou.

Uma área de 7.500 m² será avaliada para determinar quanto o desmoronamento atingiu a estrutura geológica da região do Morro da Mariquinha.

Moradores apreensivos

Alguns brinquedos da filha, poucos móveis e até os enfeites de Natal ficaram nos cômodos da ex-moradia da funcionária pública, Vera Lucia Cardoso, 49, que ficou conhecida por viver na casa de paredes cor-de-rosa, no Morro da Mariquinha. “Eu não quero mais morar aqui. A única coisa que penso em fazer é alugar, mas só depois que eu tiver certeza que esse terreno não representa mais riscos”, disse Vera Lucia, que agora recebe R$ 300 para custear um aluguel, que ela não conseguiu por menos de R$ 1000. A funcionária pública foi uma das moradoras mais atingidas pela tragédia, no dia do desmoronamento uma das três casas que ficavam no terreno de Vera Lucia, foi levada totalmente pelo barro. A outra edificação, terá que ser demolida.

A dona de casa Adelina de Oliveira Mendes, 56, mora no terreno onde uma das casas precisará ser destruída. Quando não houver mais nenhuma das cinco casas, a morada de Adelina ficará no meio de um vazio. “Eu tenho medo de ficar aqui, mas não tenho para onde voltar. Quero que a Prefeitura me dê garantias que essa casa será segura para que eu viva com os meus netos pequenos”, pediu a dona de casa.

O líder comunitário da Mariquinha, Marcelo Ferreira, teme que as indenizações da Mariquinha levem alguns carnavais para serem dissolvidas. “A orientação é que os moradores façam uma avaliação do terreno com um corretor de imóveis para determinar o valor da indenização”, explicou Marcelo.

Entenda o caso

- No dia 13 de dezembro, depois de um forte temporal, quatro casas foram destruídas totalmente por um deslizamento de terra no Morro da Mariquinha, região central de Florianópolis. A aposentada Claudete Ferreira, 65, estava em uma casa que ficava embaixo do morro, morreu soterrada.
- Imediatamente, cinco casas foram condenadas. No dia da tragédia, 20 edificações foram interditadas preventivamente. Treze pessoas foram levadas para abrigo municipal, na passarela Nego Quirido.
- Após três dias do deslizamento de terra, restaram 14 casas interditadas que estão até agora fechadas para os moradores.
- A prefeitura realizou o pagamento de aluguel social às 14 famílias que precisaram sair de casa.
- Depois de várias mudanças de datas, a demolição das casas aconteceu ontem.

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