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Combate à violência com foco na educação norteia Campanha da Fraternidade 2018

Tema aborda a superação da violência e Igreja acredita que educação e formação sejam base

Dariele Gomes
Florianópolis
14/02/2018 às 15H38

Os casos de violência e o aumento significativo no número de vítimas em todo o Brasil chamou a atenção da Igreja Católica, que resolveu adotar o assunto para ser discutido na Campanha da Fraternidade 2018, lançada nesta Quarta-Feira de Cinzas (14) em Florianópolis, com o tema “Fraternidade e superação da violência”.

Na capital catarinense, o lançamento ocorreu na Cúria Metropolitana, com a presença do Arcebispo Metropolitano Dom Wilson Tadeu Jönck, que conduziu o evento, e contou com a participação do novo secretário de Segurança Pública (SSP) de Santa Catarina, Alceu de Oliveira Pinto Junior, e do subcomandante-geral da Polícia Militar, coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior.

No evento estiveram o novo secretário de Segurança Pública, Alceu de Oliveira Pinto Junior; o arcebispo Metropolitano Dom Wilson Tadeu Jönck; e o subcomandante-geral da PM, coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior - Daniel Queiroz/ND
No evento estiveram o novo secretário de Segurança Pública, Alceu de Oliveira Pinto Junior; o arcebispo Metropolitano Dom Wilson Tadeu Jönck; e o subcomandante-geral da PM, coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior - Daniel Queiroz/ND


A principal ação citada na coletiva para que a violência possa ser superada foi a educação, a que vem da família, das escolas, dos políticos, da sociedade como um todo. “Não falamos da violência só entre confrontos por causa do tráfico de drogas. Falamos da violência sexual, contra a mulher, contra os jovens, idosos, da violência no trânsito, do terrorismo, etc. Não cabe aqui responsabilizar alguém, mas ter a consciência de que juntos podemos reverter essa situação. Violência não se combate com violência. Precisamos investir em educação e formação”, comentou Dom Wilson Tadeu Jönck. O lançamento da Campanha marca o início da quaresma, período que antecipa a Sexta-Feira Santa.

A escolha do tema da Campanha da Fraternidade 2018, segundo o Arcebispo Dom Wilson, foi definida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), diante dos números de violência no País. Entre eles, o arcebispo destacou os locais: só em 2017 foram 987 vítimas de homicídio no Estado, sendo 150 em Florianópolis, conforme dados da SSP.

No Brasil, nos cinco primeiros meses de 2017, somente em três semanas foram assassinadas mais pessoas do que o total de mortos em todos os ataques terroristas no mundo, os quais envolveram 498 casos, resultando em 3.314 vítimas fatais. Estes dados são do Atlas da Violência 2017, produzido pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).

Durante o lançamento, o novo secretário de Segurança Pública de Santa Catarina, Alceu de Oliveira Pinto Junior, falou sobre a educação como forma de prevenção para que os números não continuem subindo.  “Quero parabenizar a Igreja pela escolha do tema deste ano. A polícia não é a solução dos crimes, ela atua na fiscalização, no combate ao crime, mas há a necessidade da educação para que os crimes diminuam. Acreditamos que a Igreja estando envolvido nessa educação, com acesso às famílias e aos lares, os resultados serão satisfatórios. Todos somos responsáveis, Igreja, escolas, família, toda a sociedade”, comentou Alceu Junior.

Já o o coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior falou sobre a sabedoria em elaborar o tema e sobre o momento que a sociedade vive, destacando que os principais crimes ocorrem no espaço privado, exemplificando com os casos de violência dentro das casas, em família. “O interessante é que o tema da campanha fala em superação e não em combate, como se tivéssemos lidando com inimigos. A polícia tem um papel protagonista na sociedade, mas não pode se ver sozinha nesse palco. É importante a Igreja estar envolvida, sinal de que uma grande parceria começa a nascer aqui. Queremos reconstruir uma sociedade com valores, crenças e ética. Muitas casas são cenário de crimes, mas deveriam ser lares, sólidos e de formação”, diz Júnior.

O Arcebispo Dom Wilson enfatizou a educação como base e ação para mudar o cenário, e observou essa educação para os próprios políticos, lembrando do ano eleitoral. “A campanha vem também para fazer os políticos refletirem sobre o seu papel dentro da sociedade, sobre a sua educação e postura diante das decisões. É uma excelente oportunidade para que eles também possam se superar e se reeducar, se necessário”, completou Wilson.

O dia 25 de março será marcado pela Coleta Nacional da Solidariedade, considerado o Domingo de Ramos.

Campanha da Fraternidade 2018 escolheu o tema com base na crescente violência do País - Daniel Queiroz/ND
Campanha da Fraternidade 2018 escolheu o tema com base na crescente violência do País - Daniel Queiroz/ND

 

 

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