Publicidade
Domingo, 17 de Dezembro de 2017
Descrição do tempo
  • 30º C
  • 22º C

Em carta, integrantes do comando da Guarda de Florianópolis pedem exoneração

Pelo menos nove integrantes da corporação relatam condições precárias de trabalho; Prefeitura já tem nova equipe trabalhando

Fábio Bispo
Florianópolis
22/11/2017 às 17H07

O pedido de exoneração entregue por nove guardas municipais do Comando da corporação em Florianópolis deflagrou uma crise interna na Segurança Pública do município. O grupo anunciou a saída e junto com nota de repúdio endereçada ao prefeito Gean Loureiro (PMDB). A secretária de Segurança Pública, Maryanne Mattos, o grupo estaria descontente com atuação mais comunitária e cobrava perfil mais ostensivo.

Na nota de repúdio, assinada pelos nove guardas municipais, eles relatam defasagem de salário, de pessoal e de condições adequadas de trabalho. O grupo ainda critica o fim das rondas após as 22h:

>> Sem pessoal suficiente, Guarda fará remanejamento de plantões

“O comando da Guarda Municipal não participou da construção dos projetos a qual executaria, não havendo qualquer diálogo com a secretária, como a operação ‘Floripa Segura’, que, ignorando as deficiências de efetivo e materiais encaminharam os guardas em situações de risco os deixando expostos sem local para necessidades e alimentação” afirmam apontando risco das mesmas condições durante a ‘Operação Verão’.

Os guardas também relataram que as novas estratégias adotadas pela Secretaria de Segurança atendem “favores” e não estariam de acordo com o que o prefeito Gean divulgou durante a campanha eleitoral, destacando que uma das promessas era “o policiamento ostensivo da Guarda Municipal, como programas de ronda 24 horas e unidades móveis em pontos de maiores suscetibilidades de crimes”.

Por meio de assessoria de imprensa, o prefeito Gean Loureiro informou que “havia divergência entre o que o executivo municipal e a cidade queriam da Guarda e o que o subcomando vinha implantando”, explicando que os planos do município são de ampliar a atuação da guarda no trânsito e nas praças, por exemplo, de maneira mais preventiva. Motivo pelo qual anunciou a troca do subcomandante, gerando indignação e pedido de exonerações de seus postos de todo o comando operacional e administrativo, desde o subcomandante, chefes de departamentos e ouvidora.

Troca de tiros no Morro da Caixa foi estopim

Para a secretária Maryanne Mattos, que também atua como comandante-geral, diante das diretrizes passadas pelo governo e das necessidades colhidas nas reuniões dos Conselhos de Segurança dos bairros estaria priorizando as fiscalizações de no trânsito, policiamento comunitário e mais presença nos bairros, e não o policiamento ostensivo, que já é uma prerrogativa da Polícia Militar.

Segundo Maryanne, o estopim da crise surgiu no dia 2 de novembro, quando três guardas foram baleados durante ação no Morro da Caixa, na região continental de Florianópolis. A operação não seria de conhecimento do Comando-Geral.

 “Eles queriam entrar em áreas de risco e isso não é prerrogativa do comando. Era esse o perfil da atuação que eles queriam fazer. Hoje, não temos condições de efetivo e de equipamentos para atuar nessas áreas e desde aquela ocorrência que descobrimos que eles já vinham fazendo isso”.

Confira íntegra da nota divulgada pelos guardas:

"NOTA DE REPÚDIO. Por meio desta vimos manifestar o nosso veemente repúdio à atitude da Secretária de Segurança Maryanne Terezinha Mattos, no qual após suas determinações arbitrárias que vão ao desencontro as diretrizes das guarda municipais do Brasil e que resultou no pedido de saída dos cargos de todo comando operacional e parte administrativa da Guarda Municipal de Florianópolis.

No plano de governo do prefeito Gean Loureiro Coligação: UM NOVO OLHAR PARA FLORIANÓPOLIS destacou propostas na área de segurança pública como umas das demandas mais citadas pela população, tendo em vista a escalada vertiginosa do aumento de crimes. Entre elas estão o policiamento ostensivo da Guarda Municipal, como programas de ronda 24 horas e unidades móveis em pontos de maiores suscetibilidades de crimes.

Percebe-se uma separação entre as diretrizes do plano de governo do prefeito de Florianópolis e as determinações da atual secretária de segurança, na qual recentemente determinou o fim das rondas após 22h, limitando a atuação apenas com enfoque no trânsito e ao combate de ambulantes irregulares. Ressaltasse que a atual secretária tem pouca experiência com trabalho operacional da Guarda Municipal em virtude das saídas para cargos políticos que a colocaram a disposição nos últimos anos.

O comando da Guarda municipal não participou da construção dos projetos á qual executaria, não havendo qualquer diálogo com a secretária, como a operação “Floripa Segura”, que, ignorando as deficiências de efetivo e materiais encaminharam os guardas em situações de risco os deixando expostos sem local para necessidades e alimentação. Isso acontecerá novamente na “Operação Verão” onde sem consultar a corporação determina-se efetuar apreensões de mercadorias sem qualquer treinamento e material adequado.

A guarda Municipal de Florianópolis passa pelo período mais crítico de sua história, onde a lei prevê que no ano de 2017 houvesse 800 guardas patrulhando a cidade, porém a realidade é outra, o efetivo total é de 166 guardas sendo que 20 GM´S estão à disposição por favores políticos, 30 em trabalhos administrativos, resultando em um total por turno de 8 á 9 viaturas para atender toda Florianópolis, porém percebesse que atender os favores vale mais que atender a cidade.

Os equipamentos estão totalmente sucateados, não possuímos veículos para transporte de cones, as viaturas são palios 1.0 e estão com 4 anos e sem condições de uso, os materiais de proteção individual estão  faltando pois a prefeitura não pagou o único fornecedor desses equipamentos. A base da Guarda Municipal se encontra em constante risco de ataques sem possuir o mínimo de segurança e estando altamente insalubre devido à deterioração do prédio.

Progressões atrasadas e salário defasado é a realidade da Guarda Municipal de Florianópolis, um agente que recém entra na corporação tem salário base de 1500 reais, sendo o salário mais baixo de toda prefeitura para exercer suas 40 horas semanais correndo risco de vida, hoje os guardas não conseguem dar segurança nem a si próprios, sendo recentemente atacados por facções criminosas deixando 3 agentes gravemente feridos, e em resposta ao ataques retira-se o órgão de segurança do município das ruas após 22h.

As Guardas têm se expandindo como instituições locais de segurança urbana preventiva e comunitária, e como instituições locais de combate e repressão ao crime, em Florianópolis as ações da Guarda Municipal representam mais de 50% ao combate a criminalidade, neste ano foram presas 70 pessoas foragidas da justiça, além da apreensão de drogas e armas. Precisamos coordenar as ações com as forças estaduais e federais, equipar a Guarda Municipal se quiser sonhar com uma floria segura de verdade."

Confira íntegra da nota divulgada pela prefeitura:

A Prefeitura de Florianópolis diz que havia uma divergência entre o que o executivo municipal e a cidade queriam da Guarda e oque o subcomando vinha implantando nos serviços da Guarda Municipal. A intenção da Prefeitura em ter a Guarda mais presente no trânsito e nas praças, por exemplo, de maneira mais preventiva, não estava sendo cumprida de maneira satisfatória. Por essas divergências, de alguns chefes da corporação quererem transformar a Guarda em uma instituição mais repressiva do que preventiva, a Secretária de Segurança e a Prefeitura de Florianópolis decidiram trocar o subcomando.

Publicidade

19 Comentários

Publicidade
Publicidade