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Com slogan alterado e apresentação de dados parciais, Temer comemora dois anos de governo

A apresentação, realizada nesta terça-feira, ignorou denúncias da PGR e não teve a presença de lideranças do Congresso

Folha de São Paulo
Brasília (DF)
15/05/2018 às 19H21

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com ausências de lideranças do Congresso e de representantes de partidos aliados, o presidente Michel Temer promoveu evento nesta terça-feira (15) em comemoração aos seus dois anos à frente do Palácio do Planalto. Temer foi o único a falar. Durante uma hora, elogiou a melhora de indicadores econômicos, exaltou programas sociais e defendeu a aproximação entre os Poderes.

Temer fez balanço dos dois anos de governo nesta terça-feira - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Divulgação/ND
Temer fez balanço dos dois anos de governo nesta terça-feira - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Divulgação/ND


No longo discurso, os ministros presentes demonstraram sinais de falta de interesse. Além de engatarem conversas paralelas, mexiam nos celulares e faziam desenhos em blocos distribuídos para que anotassem trechos da fala presidencial.

Em menção rápida ao clima de acirramento político, Temer encerrou dizendo que tem como objetivo promover a pacificação na política. “Espero que logo depois das eleições as pessoas possam pensar nos problemas do país e não em quem ganhou ou perdeu eleição.” O emedebista disse que “brasileiros não podem ficar contra brasileiros” e defendeu a Constituição. “Quem tem autoridade no pais é a lei. Nós somos autoridades constituídas.”

Assim como fez em 2017, ele disse que o evento não foi feito para comemorar, mas sim para prestar contas.

A estrutura usada para o ato deste ano foi mais singela: em vez de arranjos de flores espalhados por todo o salão nobre do Planalto, como no ano passado, optou-se por uma mesa coberta por uma toalha branca, sem ornamentos.

Convidados

Com a estratégia de se desvincular de Temer, cuja rejeição chega a 70%, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não incluiu o compromisso em sua agenda oficial e não compareceu. Segundo sua assessoria de imprensa, ele não foi porque estava atendendo parlamentares em sua residência oficial, em Brasília. O ex-ministro da Educação Mendonça Filho, também do DEM, se ausentou. O DEM tem tentado viabilizar com PP e PR uma nova candidatura de centro para rivalizar com PSDB e PMDB. Para isso, a sigla tem ensaiado movimento de distanciamento do Palácio do Planalto.

Outra ausência sentida foi a do presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Segundo sua assessoria de imprensa, ele avisou a Temer que não iria por conta de sessão do Congresso Nacional. Já o PSDB, que busca o apoio eleitoral do PMDB, marcou presença. Os dois ex-ministros da sigla, os deputados Antonio Imbassahy (BA) e Bruno Araújo (PE), fizeram questão de marcar presença e se sentaram à mesa principal.

Temer assumiu interinamente o cargo em 12 de maio de 2016, quando a então presidente Dilma Rousseff foi afastada em meio ao impeachment. Em agosto, com a conclusão do processo, ele tornou-se o presidente efetivamente.

O Brasil voltou

O balanço preparado pelo presidente para comemorar dois anos à frente do Palácio do Planalto apresenta parcialmente dados oficiais e ignora os escândalos de corrupção que envolvem o emedebista e aliados. A cartilha foi preparada para comemorar os dois anos desde que Dilma Rousseff foi afastada, durante o processo de impeachment. 

Durante o balanço, foi apresentado o documento
Durante o balanço, foi apresentado o documento "Avançamos - 2 anos de vitórias na vida de cada brasileiro" - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Divulgação/ND


Com o título "Avançamos - 2 anos de vitórias na vida de cada brasileiro", o documento traz em suas 32 páginas as ações feitas pelo governo, especialmente as da área econômica. Entre elas, a redução da taxa básica de juros, hoje em 6,5%, e queda da inflação em 12 meses, que chegou a 2,68%. Ele lembra que foram concedidos dois aumentos ao Bolsa Família, apesar de o programa social não ter sido reajustado em 2017.

No período, o presidente foi alvo de duas denúncias da PGR (Procuradoria-Geral da República) e é investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) suspeito de irregularidades em decreto sobre portos. Além disso, desde que chegou ao cargo, ele já perdeu três ministros por suspeitas de irregularidades e possui auxiliares citados em delações premiadas no rastro das apurações da Polícia Federal.

Em versão anterior do texto, distribuída apenas para lideranças do Congresso, havia destaque para o combate à corrupção, sem citar a Lava Jato. Essa parte foi suprimida da versão impressa distribuída no evento. Nas páginas internas do balanço, é usado o slogan "Maio/2016 - Maio/2018 - O Brasil voltou", mesmo nome do evento que será realizado nesta terça. 

Inicialmente, o governo havia escolhido o lema "O Brasil voltou, 20 anos em 2", uma referência ao programa de governo do ex-presidente Juscelino Kubitschek - 50 anos em 5 - que propunha uma política de governo desenvolvimentista. O tema havia sido sugerido a Temer pelo marqueteiro do Planalto, Elsinho Mouco, mas acabou sendo retirado das peças. Uma polêmica, devido à dupla interpretação da frase em caso de omissão da vírgula, fez com que o texto fosse reduzido para apenas “Maio/2016 – Maio/2018: O Brasil Voltou”.

No material entregue durante a cerimônia, foi usada também a palavra "Avançamos", grafada com o símbolo de "V de Vitória", também interpretado como uma referência aos dois anos.

A cartilha

Outra medida positiva citada é a aprovação do teto de gastos públicos, da reforma trabalhista e a liberação de contas inativas do FGTS, que injetou R$ 44 bilhões na economia e beneficiou quase 26 milhões. "Isso só foi possível graças à nova política econômica implantada a partir de maio de 2016", observa. O governo menciona também a privatização da Eletrobras. Um projeto sobre o assunto foi encaminhado pelo Executivo ao Congresso em janeiro, mas está paralisado na Câmara, com dificuldade de obter apoio mínimo necessário para aprovação.

Em alguns casos, foram feitos recortes para favorecer dados positivos para a gestão Temer. No tópico que trata de geração de emprego, por exemplo, o material ressalta que, em março, houve acréscimo de 56,1 mil postos de trabalho com carteira assinada, mas não observa que houve uma desaceleração em comparação a janeiro e fevereiro.

Os saldos positivos foram de 82,8 mil, em janeiro, e de 65 mil, em fevereiro, de acordo com os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Além disso houve alta no número de pessoas em busca de trabalho. O país tem hoje 13,7 milhões de pessoas em busca de trabalho. No primeiro trimestre, o índice ficou em 13,1%, alta de 1,3 ponto percentual em relação ao trimestre finalizado em dezembro.

O documento também não pondera que o país só criou empregos formais com remunerações de até dois salários mínimos. As contratações foram maiores do que as demissões apenas em vagas com rendimentos mais baixos.

Sobre a intervenção federal no Rio de Janeiro, o balanço não traz nenhuma menção os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, caso que ainda não foi solucionado pelo interventor Braga Netto. Além disso, os números de redução da criminalidade apresentados estão desatualizados, abordando apenas números de janeiro a março. Eles já tinham sido anunciados no início de abril.

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