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Com mais de 5 mil vagas na Zona Azul, ainda é difícil estacionar no Centro da Capital

Segundo a secretaria municipal de Mobilidade e Transportes, número não deve ser ampliado

Andréa da Luz
Florianópolis
22/08/2018 às 21H24
Vagas de estacionamento rotativo na rua Artista Bitencourt, no Centro - Flávio Tin
Vagas de estacionamento rotativo na rua Artista Bitencourt, no Centro - Flávio Tin

Estacionar no Centro de Florianópolis pode se tornar um exercício de paciência, especialmente em dias de chuva. Com um fluxo intenso de veículos, encontrar uma vaga disponível é cada vez mais difícil. Na Zona Azul, são 5.540 vagas de estacionamento rotativo, ao preço de R$ 2 a hora, com permanência máxima de duas horas. Outra opção são os estacionamentos particulares, com valores que oscilam entre R$ 5 e R$ 8 a hora.

A advogada Juliana Schvambach, que costuma ir ao Centro entre quatro e cinco vezes por semana, reclama da dificuldade para encontrar vagas e do número reduzido da Zona Branca (cuja permanência é de até cinco horas). "Só consigo vaga mais facilmente quando chego bem cedo ou ao meio-dia, no restante do dia precisa rodar bastante até achar um local. Usar estacionamentos particulares só em último caso, porque o preço está bem salgado", disse.

A advogada Juliana Schvambach tem dificuldade em encontrar vaga durante a semana - Flávio Tin
A advogada Juliana Schvambach tem dificuldade em encontrar vaga durante a semana - Flávio Tin

A opinião é compartilhada pelo aposentado Paulo Roberto, que considera o trânsito caótico e difícil de estacionar, especialmente em horários de pico. "Só utilizo estacionamento particular quando não encontro nenhuma vaga na Zona Azul, aí não tem o que fazer. Ainda bem que estou aposentado, porque agora só venho uma ou duas vezes por semana ao Centro da cidade", contou.

Conforme o secretário de Transporte e Mobilidade Urbana da Capital, Marcelo Roberto da Silva, não há intenção de ampliar as vagas na área central da cidade, nem as de Zona Branca - que até podem ser extintas. Segundo Silva, o número é suficiente e tem havido inclusive uma diminuição no uso desses espaços nos últimos anos. "Entre os motivos podem estar o fato de as pessoas estarem utilizando mais o transporte coletivo ou os aplicativos de transporte urbano para vir ao Centro", analisou.

Impasse pode deixar cidade sem Zona Azul

A última ampliação no número de vagas foi feita em 2016, quando cerca de 1.200 novos lugares foram implantados no Continente. Algumas praias do Norte da Ilha já dispõem do serviço rotativo, como Jurerê Internacional e Canasvieiras, mas a ideia da prefeitura é levar o sistema para outras praias, onde o movimento de veículos é grande no verão, incluindo o Sul da Ilha.

Antes disso, será preciso resolver um impasse com a Dom Parking, de Joinville, que administra a Zona Azul na Capital. A empresa alega desequilíbrio financeiro e o descumprimento de cláusulas contratuais por parte da administração municipal e não faz os repasses para a prefeitura há dois anos e meio. A dívida já soma R$ 9 milhões.

Se o impasse não for resolvido, a Capital pode ficar sem o serviço de Zona Azul até que uma nova licitação seja feita. No início de julho, a prefeitura notificou a Dom Parking a quitar ou apresentar uma proposta de negociação para pagamento da dívida. No dia 18 de julho, a empresa pediu à Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana mais dez dias de prazo para prestar informações e anexar documentos, alegando que a falta de fiscalização e autuação de usuários que estacionam irregularmente provoca prejuízos que levaram à interrupção dos repasses ao município.

O processo está sendo analisado pela assessoria jurídica da secretaria, que deve encaminhar até amanhã um parecer à Comissão de Punição de Empresas da Secretaria de Administração. "Vamos avaliar os documentos e a defesa enviados pela empresa e se for constatado descumprimento do que está previsto no contrato, podemos rescindi-lo", disse o secretário Marcelo Roberto da Silva.

Prioridade ao transporte coletivo

Para Marcelo Roberto da Silva, a solução para o problema de estacionamento nas cidades passa por uma política nacional de mobilidade urbana, que esteve equivocada nos últimos anos. "Em vez de priorizar o transporte coletivo, a política era de incentivo à aquisição de veículos particulares, com isenção de IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] e parcelamento em até 72 vezes. Isso elevou ainda mais o número de carros circulando em vias que já não comportam mais veículos e o sistema de transporte coletivo - seja por superfície, aquático ou outros modais - não teve incentivo semelhante", avaliou.

O secretário afirma que, entre as medidas possíveis para resolver a questão estão investimentos e prioridade ao transporte coletivo, regulamentação para o controle da quantidade de veículos que podem circular nas vias mais movimentadas, diminuir o tempo de permanência nos estacionamentos rotativos, investir na segurança e na melhoria da qualidade e conforto dos ônibus de transporte urbano e melhorar a rapidez desse sistema, com a implantação de corredores exclusivos para os coletivos.

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