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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Cinco meses depois, morro da Mariquinha é marcado por dúvidas e medo

Perigo na encosta. Moradores esperam desde dezembro de 2011 pelas obras de contenção

Aline Torres
Florianópolis
Marco Santiago/ND
Vestígios do deslizamento de dezembro ainda podem ser vistos no local

 

Há cerca de cinco meses, 12 famílias foram desalojadas do morro da Mariquinha, região central de Florianópolis, após o desmoronamento de terra ocorrido no dia 13 de dezembro de 2011, provocado pelo deslizamento de uma pedra. Na ocasião, uma moradora morreu. Quem deixou suas casas ainda está recebendo aluguel social de R$ 300, desde janeiro, um custo de R$ 15 mil aos cofres públicos. Há risco de desabamento de outro bloco de rocha, mas a solução definitiva ainda parece longe.

A Defesa Civil entregou para a prefeitura, há 40 dias, um laudo que propõe como solução para a comunidade um plano de contenção. O secretário de Obras de Florianópolis, Luiz Américo Medeiros, disse que abrirá licitação neste mês. A obra não será concretizada até o fim deste ano. A secretaria de Assistência Social promete aumentar o auxílio no próximo mês. Há risco de desabamento de outra pedra gigante no local.

Na quarta-feira, a Defesa Civil e o Ministério Público Estadual se reunirão na Mariquinha para detalhar para a população o resultado do laudo. Como outra pedra pode se desprender do morro, será preciso criar uma barreira de contenção. A empresa vencedora da licitação deverá trazer uma solução. “Pode ser um muro”, explicou Américo.

Prefeitura vai reajustar valor do aluguel

Do alto da servidão Formiga, à beira do abismo deixado pela rocha que deslizou em dezembro, se tem visão dos prédios do Fórum, da Assembleia Legislativa e do imenso buraco onde estavam as 20 casas atingidas – a maioria ocupada há 50 anos. Vera Lúcia Cardoso vivia numa das moradias e complementava a renda com o aluguel de três quitinetes, no mesmo terreno. “Hoje, ela que paga aluguel”, contou Adelina de Oliveira, que está na mesma situação.

Marcelo Ferreira, líder comunitário, contou que muitas famílias estão complementando o valor do aluguel. “Esse auxílio da prefeitura não paga uma casa. As pessoas dão mais R$ 200 do bolso”. A secretária de Assistência Social, Dalva Maria de Luca Dias, explicou que a verba é paga sem auxílio federal: “Eu acho até bastante, se comparado ao governo federal. Eles pagam um salário mínimo, e tem um poder de arrecadação muito superior”, disse. No entanto, Dalva promete que o valor desse aluguel terá um reajuste no próximo mês.

Desde a tragédia, o esgoto escorre no morro da Mariquinha, e só na última semana, foi consertado o sistema cloacal. “Uma vergonha, sujava todas as ruas”, contou Adelina. Outro problema sanitário é o lixo acumulado na cratera. A população está usando o local onde ficavam as casas para jogar entulhos e lixo doméstico.

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