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Cinco brasileiros são devolvidos aos pais nos Estados Unidos

Três crianças e dois adolescentes brasileiros, incluindo um grupo de três irmãos, reencontraram os pais após permanecerem semanas em abrigos para imigrantes ilegais

Folha de São Paulo
Washington e Nova York (EUA)
13/07/2018 às 17H12

WASHINGTON E NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Três crianças e dois adolescentes brasileiros, incluindo um grupo de três irmãos, foram devolvidos aos pais entre a noite desta quarta-feira (11) e nesta quinta (12) após permanecerem semanas em abrigos para imigrantes ilegais nos EUA.

Os irmãos, de 8, 10 e 16 anos, foram reunidos à sua mãe depois de 46 dias longe da mãe, capturada em abril. Ela foi denunciada por crime de travessia ilegal por causa da política de tolerância zero do governo do presidente Donald Trump.

Secretaria garantiu ainda que conhece a localização de todas as crianças separadas das famílias que estão sob sua custódia - SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Até agora, o governo reuniu 57 crianças imigrantes aos pais, pouco mais da metade do total de 103 menores de 18 anos - SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP


Eles se reencontraram na noite de quarta em uma rodoviária, onde se abraçaram às lágrimas. Segundo a advogada de imigração Annelise Araújo, que representa a família, a união foi resultado de "insistência".

Autoridades do abrigo exigiam documentos financeiros e pessoais de todos os adultos que iriam conviver com os menores, além de impressões digitais para a checagem de antecedentes criminais.

Depois que a mãe foi liberada, pagando fiança e autorizada pelo juiz, o abrigo ainda pediu suas digitais, para checar antecedentes criminais.

"Não é normal. Eles haviam feito até um teste de DNA para verificar se ela era a mãe das crianças. Isso criaria um atraso de mais 21 dias para liberar os menores", afirmou Araújo à reportagem.

O governo americano tem argumentado que toma as precauções para proteger a segurança das crianças e prevenir casos de tráfico humano.

Os irmãos chegaram a ficar 12 dias sem falar com a mãe, que não sabia do paradeiro dos filhos. Familiares que moram nos EUA só souberam do caso pela imprensa. Foi quando começou a tentativa de reunir as crianças à família, por meio de advogados.

Mãe e filhos seguiram para a região de Boston, onde moram seus parentes. A mulher está em processo de deportação, os advogados ainda avaliam como a família pode permanecer nos Estados Unidos.

Já nesta quinta foram soltos de um abrigo de Chicago outros dois brasileiros. A advogada Amy Maldonado, que atua no caso, informou que C.D.A., 9, foi reunido a seu pai e que ambos devem seguir para Berks, na Pensilvânia.

W.S.R., 16, está em processo de reunificação com o pai em El Paso, Texas. O pai do adolescente será liberado mediante uso de tornozeleira eletrônica, segundo Maldonado.

Ambos foram liberados faltando pouco tempo para terminar o prazo de 72 horas dado na segunda (9) por um juiz da corte federal de Chicago para que a reunião ocorresse.

Na decisão de segunda, o juiz Edmond Chang afirmou que a "insistência" do governo em manter pais e filhos separados era "chocante para a consciência" e "arbitrária". Os meninos estavam longe dos pais desde 25 de maio.

Segundo o jornal Chicago Tribune, eles não estavam com as crianças ao tentar entrar nos EUA. Ambos buscavam asilo no país, citando ameaças de violência de traficantes de drogas no Brasil.

O juiz cita a piora do estado mental dos menores durante a detenção, afirmando que relatório de psicólogos indica que ambos sofriam de ansiedade severa e depressão, e que começaram a se machucar e também a ferir outras crianças.

Na última terça, terminava o prazo dado por um juiz de San Diego, no sul do estado da Califórnia, para que a administração de Donald Trump reunisse pais e filhos menores de 5 anos.

Até agora, o governo reuniu 57 crianças imigrantes aos pais, pouco mais da metade do total de 103 menores de 18 anos. Além disso, tem até 26 de julho para reunir outras 2.000 crianças separadas dos pais como resultado da política de tolerância zero.

Estelita Hass Carazzai e Danielle Brant

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