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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Cidade para pessoas: bicicleta como meio de transporte em Florianópolis é tema de debate

Problemas e soluções foram discutidos por representantes de ciclistas e autoridades públicas no Movimento Sou Bem Floripa

Beatriz Carrasco
Florianópolis
Eduardo Valente/ND
No programa, mediado pelo apresentador Alexandre Mendonça, convidados discutiram projetos públicos para melhorar panorama atual


Basta um rápido passeio por Florianópolis para perceber que a cidade privilegia o uso do carro. Para discutir a bicicleta como meio de transporte, o Movimento Sou Bem Floripa promoveu nesta quinta-feira (25) o 6º debate, com participação de representantes do ciclismo e de autoridades públicas.

Por ser um meio de transporte acessível, o uso da bicicleta aumenta assim como a população da Capital catarinense. “O número vem crescendo e os acidentes vêm evoluindo de acordo com esse número maior de ciclistas nas rodovias”, disse Fábio José Martins, tenente-coronel da PMRv (Polícia Militar Rodoviária), um dos convidados para o encontro ao lado de Fernando Palhares, triatleta; Fabiano Faga Pacheco, da ViaCiclo (Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis); Dácio José Medeiros, diretor do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis); e Claiton Bortoluzzi de Oliveira, engenheiro do Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura).

“A primeira coisa que precisa ser feita é planejamento. Depois, a maior parte da estrutura viária pode comportar a ciclofaixa, mas nas vias principais a ciclovia seria o mais adequado, é bem mais segura”, destacou Fabiano, sobre a necessidade de um zoneamento da estrutura viária de Florianópolis, para que sejam criadas ciclofaixas ou ciclovias.

Segundo o diretor do Ipuf, existem projetos nesse sentido, inclusive prevendo conexão da ciclovia da Expressa Sul à Beira-Mar Norte. Mas não especificou prazos. “Algumas coisas necessitam de planejamento, por isso precisamos de médio e longo prazos. Uma infraestrutura pesada de ciclovias necessita de um prazo mais longo”, disse, ao citar limitações “pela forma como foi constituída a cidade, com vias e calçadas estreitas”.

O engenheiro do Deinfra também cita, sem estimar datas, a existência de projetos específicos para a SC-401. “É um projeto a longo prazo, para corredor de ônibus e ciclovias”, disse. “Estamos planejando para que, ao longo desse ano, estejamos com alguma etapa”, completou.

“A característica da 401, primeiro, é de uma rodovia que liga bairros. É quase uma aberração urbana nesse sentido. É uma via que tem comércios e serviços, uma rodovia que na maior parte não tem calçada, quase nenhum trecho tem ciclovia, e em 6 km tem ciclofaixa”, rebateu o representante da ViaCiclo.

Com a ausência de infraestrutura para ciclistas, a falta de respeito dos motoristas fica ainda mais latente. “Não podemos esquecer que a bicicleta é um veículo, e como tal, é regulamentada pelo Código de Trânsito, o que implica em direitos e deveres, inclusive para o ciclista”, frisou Fernando, ao citar lei que prevê que, na ausência de ciclovia, ciclofaixa ou acostamento, os ciclistas têm o direito de utilizar a pista, com preferência sobre os carros. Nesses casos, o automóvel deve passar a uma distância lateral de, no mínimo, 1,5 metro.

Além da necessária infraestrutura para os ciclistas, o militar destacou que a postura no trânsito precisa ser repensada. Segundo ele, a imprudência resulta em constantes acidentes e mortes. O debate poderá ser visto em programa especial na Record News SC (canal 6.1 digital) domingo, às 22h.

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