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Terça-Feira, 18 de Setembro de 2018
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Fábrica de chocolates catarinense se destaca por qualidade dos produtos

Chocolates ganham notoriedade entre os consumidores mais exigentes

Hyury Potter
Florianópolis

Uma pequena fábrica de chocolate inaugurada no dia 1° de abril de 2004 em Pomerode, no Vale do Itajaí, é responsável por um dos melhores chocolates finos do Brasil produzidos atualmente. No país onde boa parte dos produtos não alcança o teor mínimo de cacau para ser chamado oficialmente chocolate, a Nugali - que, por ironia do destino, faz aniversário no Dia da Mentira - tem um chocolate verdadeiro, de padrões internacionais. Tanto sucesso se reflete nas negociações da marca para, ainda este ano, exportar para a Alemanha, berço de um dos melhores chocolates do mundo. 

 

Fotos Daniel Queiroz/ND
Produção. Equipamentos e matérias primas são de alta qualidade

 

 

Desbravadores das técnicas de produção de chocolates finos no Brasil, o paulista Ivan Blumenschein, 38, e a catarinense Maitê Lang, 39, tiveram que percorrer um longo caminho até a Nugali funcionar. “Em 2002, trabalhávamos na Embraer, no interior de São Paulo. Tínhamos que viajar para fora do país por causa do trabalho e a encomenda mais pedida por amigos era chocolate. Assim surgiu a ideia de montar a fábrica”, revelou Ivan.

A formação universitária do casal, Ivan engenheiro mecânico e Maitê engenheira de produção, ajudou na concepção da empresa. “Visitamos indústrias na Europa. Abrimos a fábrica em abril de 2004 com cinco pessoas, mas a primeira barra só foi vendida em outubro. Nesse tempo, fizemos os testes”, contou Ivan. A Nugali começou com barras de chocolate derretidas por empresas maiores. Em 2007, passou a se destacar pela forma como produzia. Ivan explicou o motivo: “Processamos a amêndoa do cacau que utilizamos para fazer o chocolate. Isso é muito importante para quem pretende fazer um produto de alto teor de cacau, como o nosso. Não chega a cinco o número de empresas que fazem isso no Brasil atualmente”.

De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), apenas produtos com teor de cacau a partir de 25% podem ser chamados de chocolate. Na Nugali esse valor é bem maior, com 80%. “Para vender na Europa o mínimo de cacau exigido é de 45%”, comentou Ivan.

 

Cuidados do plantio à embalagem

O crescimento da Nugali, em média 30% ao ano, reflete o aumento do consumo de chocolates finos no Brasil. Segundo a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), o setor representa 6% do mercado. Para isso, o controle da produção é rigoroso. O casal conhece pessoalmente todas as plantações de cacau dos fornecedores da fábrica, a maioria do Nordeste e Norte do país. “Produzimos chocolates com teores acima de 80% de cacau, então a forma do plantio e colheita da amêndoa são essenciais para chegar nesse resultado”, contou Maitê.

Crescimento. Ivan apresenta a linha de produtos que inclui até versões sem açúcar para diabéticos

Para ela, o cuidado na fabricação começa nos ingredientes e termina nas embalagens, algumas premiadas. “Tentamos colaborar com cada detalhe do nosso produto. Pesquisamos bastante novos ingredientes e foi assim que chegamos a produzir os chocolates com zero açúcar, que podem ser consumidos por diabéticos”, disse.

 

Investimentos em nova fábrica

Natural de Pomerode, Maitê sugeriu a instalação da fábrica na cidade conhecida pela tradição alemã. Com mão de obra local e produtos do Estado, a Nugali passou de cinco para 30 funcionários em dez anos e se prepara para ampliar as instalações. “Começamos a construir uma nova fábrica aqui na cidade, com ela poderemos dobrar a produção. Somos parte de uma comunidade que entende a nossa forma de trabalhar. São pessoas extremamente cuidadosas com o que fazem”, elogiou.

Oleite e os materiais usados nas embalagens são produzidos no Estado. “Muitas vezes temos a opção de comprar materiais mais baratos de outras regiões, mas acredito que temos o papel social de investir no que é de Santa Catarina. Por exemplo, o porcelanato utilizado no embrulho do ovo de Páscoa é de Pomerode, a cera vem de Rio Negrinho, e assim por diante”, revelou Ivan.

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