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Chefe de buscas do voo MH370 discorda de teoria de suicídio do piloto

O Boeing 777 da Malaysia Airlines sumiu dos radares e se caiu enquanto sobrevoava o Golfo da Tailândia, em 2014, tirando a vida de seus 239 ocupantes

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
22/05/2018 às 22H37

GUILHERME MAGALHÃES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mais de quatro anos depois, a novela do voo MH370 parece não conhecer um fim. Na semana passada, um grupo de especialistas levantou a hipótese de que o piloto do Boeing 777 estava consciente quando o avião caiu, matando seus 239 ocupantes. A aeronave sumiu dos radares após cerca de uma hora de voo, enquanto sobrevoava o Golfo da Tailândia, no Mar da China.

Zaharie Ahmad Shah teria desligado o transponder —que envia a localização do avião— e despressurizou-o antes de se matar. A tese está no livro “MH370: Mystery Solved”, escrito pelo canadense Larry Vance, especialista em acidentes aéreos e um dos entrevistados pelo programa “60 Minutes” da TV australiana.

Mas o ATSB (Departamento de Segurança dos Transportes da Austrália), órgão que coordenou as buscas pelo avião junto com os governos de Malásia e China, discorda dessa hipótese. Em uma audiência nesta terça-feira (22) no Senado australiano, o diretor do ATSB, Peter Foley, afirmou que leu o livro de Vance e apontou evidências de que a aeronave não estava sob o controle de ninguém quanto atingiu a água.

O relatório final do órgão afirma que as autoridades não sabem os motivos do desaparecimento ou a localização exata dos destroços. As buscas foram encerradas em janeiro de 2017.

Segundo Foley, análises das transmissões de satélite dos últimos momentos do avião mostram que o Boeing estava em uma descida rápida e acelerada. Destroços do interior do avião encontrados no oeste do oceano Índico apontam que houve grande energia no impacto, o que não condiz com a teoria de que o piloto conduziu o avião para um pouso controlado na água. “Se estava sendo controlado no final, não foi muito bem sucedido”, disse Foley. “Os flaps não estavam ativados.”

Este é outro ponto polêmico. Segundo o livro de Vance, os dois flaps —partes móveis das asas que aumentam a sustentação do avião em baixa velocidade, ou seja, usados em pousos e decolagens— encontrados na costa leste africana têm evidências de que foram ativados pelo piloto para um pouso controlado.

O primeiro flap foi encontrado na ilha francesa de Reunião, a leste de Madagascar, em julho de 2015. As autoridades francesas, que o mantêm em sua posse, afirmaram que nenhuma análise conclusiva foi possível. Em junho de 2016, o segundo foi encontrado na ilha de Pemba, perto da Tanzânia. A análise australiana dessa peça determinou que ela “provavelmente não havia sido ativada”.

Apesar de o escritório não determinar quem desviou o avião, Foley afirmou ser “absolutamente evidente” que alguém desviou, descartando algum problema elétrico ou mecânico.

As buscas pelo Boeing foram renovadas neste ano, porém de forma intermitente, por uma companhia privada americana. A Ocean Infinity foi autorizada pelo governo da Malásia, que prometeu pagar US$ 70 milhões (R$ 259 milhões) para quem conseguir encontrar destroços ou as caixas-pretas do avião.

Foley disse ao Senado australiano ter esperança de que algo apareça. “Se não, seria uma grande tristeza para todos nós.”

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