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Cemitério de animais: um local especial para o último adeus ao amigo mais fiel, em Tijucas

Às margens da BR-101, entre Florianópolis e Balneário Camboriú, é possível enterrar, fazer um funeral e até cremar cães e gatos sem poluir o meio ambiente

Brunela Maria
Tijucas
15/07/2017 às 00H14

Quando a filha de apenas 6 anos chorou pela morte do hamster de estimação, o empresário Gilmar Rachadel, à época com 32 anos, não teve dúvidas e providenciou um pequeno funeral, para que a criança pudesse se despedir do animal e entender sobre os desígnios da vida. Não havia, no entanto, um lugar adequado para enterrar o corpo do roedor, que por pouco não teve como destino o lixo doméstico.

Lápide pode ficar no local por até dois anos, que é o tempo médio que as famílias visitam seus animais - Marco Santiago/ND
Lápide pode ficar no local por até dois anos, que é o tempo médio que as famílias visitam seus animais - Marco Santiago/ND


“Não sabia o que fazer. Você está triste, mas não tem espaço ideal para enterrar, dar último adeus. Quando minha filha chegou pediu por ele. Fui buscar e enterramos em São José, onde morávamos. Nesse dia ela me fez prometer que iria fazer um espaço para os pets”, conta.
O tempo passou e 17 anos depois, o sonho virou realidade numa área de 5 mil metros quadrados, às margens da BR-101, em Tijucas, na Grande Florianópolis. O Memorial Park Amigo Fiel busca oferecer às famílias a oportunidade de se despedir e até lembrar de seus animais de estimação, visitando o local onde ele foi enterrado.

Rachadel e a esposa, Márcia, estudaram o empreendimento por longos anos. Juntos, elaboraram pesquisas, juntaram documentações e até visitaram mais de 20 lugares específicos para sepultamentos de animais ao redor do país. “Compramos esse terreno já idealizando toda a estrutura. Busquei informações desde os primeiros cemitérios internacionais e do Brasil, adquirimos conhecimento a respeito e aos poucos tudo foi criando forma”, conta. Em 2009, o terreno foi escolhido pela localização estratégica, há 40 quilômetros da Capital e de Balneário Camboriú, no Litoral Norte.

Para investir, Rachadel e a esposa ainda foram procurar sócios, tão apaixonados por animais quanto eles. O sonho foi então abraçado pelos empresários Paulo Vinicius Soares, 45 e Altair Finger, 60. “Sou aposentado, fui vendedor por 35 anos de uma empresa, então resolvi ajudar pela importância da iniciativa. Tenho dois cachorros em casa e penso que num momento de tristeza as pessoas ficam sem opções. Gostei da ideia e participei imediatamente, comprando um sonho dele, que agora também é meu”, disse Finger.

Gilmar e a urna para o recolhimento e translado dos animais - Marco Santiago/ND
Gilmar e a urna para o recolhimento e translado dos animais - Marco Santiago/ND


O primeiro animal a ser enterrado no Memorial foi a mascote de Rachadel, a poodle chamada Natasha. A cachorrinha morreu em 2000 e foi sepultada no lugar. Ao lado dela, estão outros quatro cachorros, entre eles Robinho e Boneca. “O elo de amizade entre os seres humanos e os animais sempre foi forte. Para muitos de nós, o nosso animal de estimação é considerado um membro da família. Quando esse animal morre sentimos um profundo sentimento de tristeza. Para ajudar a reduzir esse sofrimento, muitas pessoas procuram uma forma significativa para guardar na memória os bons momentos dessa gratificante convivência, pois o que a memória ama, permanece eterno”, ensina Rachadel.

Opção pela sustentabilidade

Uma das preocupações de Rachadel, desde quando elaborou o projeto do Memorial Park Amigo Fiel, foi não poluir o meio ambiente. Na área foram instalados seis piezômetros que chegam até o lençol freático para monitorar a água. Periodicamente, uma empresa faz coleta e análises.

Os sepultamentos também são ecológicos. Quando as famílias solicitam enterro, o pet é colocado no caixão, em formato de osso quando é cachorro e novelo de lã se for gato. A embalagem impermeabilizada, produzida por uma empresa com sede em Itajaí é totalmente biodegradável. Nela também é incluso um absorvente para sugar o necrochurume da decomposição e evitar que o liquido vaze e contamine o solo. “Não queremos poluir e tudo isso foi pensado para não afetar o solo. Quando enterram no quintal da residência, as pessoas estão poluindo até por 8 anos o lugar”, conta.

Planta pode nascer das cinzas dos animais - Marco Santiago/ND
Planta pode nascer das cinzas dos animais - Marco Santiago/ND


A lápide com letras prateadas ao lado de uma foto em porcelana marca o local do enterro por dois anos. Depois, a equipe retira o material e incinera completamente. No mesmo lugar outro animal será enterrado. “Nossa intenção foi reaproveitar. Constatamos que as famílias visitam os pets por até 1 ano e meio, depois 80% não aparecem”, reforça.

Serviço com plantão 24 horas

Com serviço de plantão 24 horas, coleta na residência e preparação, o cliente pode escolher entre sepultar ou cremar o animal. A cremação, também é ecológica. No equipamento, comprado por R$ 400 mil, as equipes colocam o pequeno caixão e queimam o pet, entregando as cinzas ao proprietário. Desde que começou a atender o público foram contabilizadas 60 cremações, sendo as primeiras duas de gatos. “Essa máquina é muito ecológica porque nos crematórios eles deixam as chaminés e aqui não colocamos isso. Primeiro o pet é cremado, depois os resíduos da própria fumaça são eliminados”, conta.

A equipe recolhe o bichinho na residência ou veterinária. Enquanto o animal é preparado, os familiares são convidados a conhecer o local. Rachadel percebeu que as crianças sempre foram o público mais sensível e resolveu incluir no local jogos e brinquedos. “Elas precisam lembrar que os bichos ficaram naquele lugar bacana, bonito e agradável”, reforça.

Memorial foi construído num local estratégico para atender a região, com um crematório específico para os animais - Marco Santiago/ND
Memorial foi construído num local estratégico para atender a região, com um crematório específico para os animais - Marco Santiago/ND


Há no Memorial a “Salinha do Tchau”, onde são velados os pets. As famílias o acompanham até o “Cantinho da Saudade” para deixar os objetos preferidos como coleiras, mantinhas, brinquedos, as cinzas e fotos. São oferecidas coroas de flores, aplicações nos túmulos, homenagens e objetos temáticos. Segundo antecipa o sócio Altair Finger, uma empresa de São José deve fornecer itens exclusivos aos proprietários.

As urnas onde são colocadas as cinzas também são especiais. Uma delas é totalmente hidrodegradável. O material feito de areia do mar possui cordas de banana e traz uma semente da planta Pau Cigarra, que plantada nas cinzas vira uma linda árvore. Outra opção de urna, biodegradável, vem com quatro opções de sementes de flores. A ideia é gerar uma nova vida e continuar lembrando do fiel amigo.

Plano para receber outros animais

As cremações e sepultamentos são comercializados por meio de planos. Um enterro custa a partir de R$ 900,00. As cremações começam com planos de R$ 400,00. Outras homenagens e formatos dos caixões também tem preços diferenciados.

A intenção dos sócios é montar no local uma área destinada aos pets de menor porte, como cobras, passarinhos, roedores e outros. Além disso, eles também vão construir um sistema de gavetas, com planos populares e preços mais acessíveis. Por enquanto, os empresários já investiram ao todo mais de R$ 1,5 milhão na área, com documentações, obras e equipamentos. Somente a licença ambiental, segundo eles, exigiu mais de R$ 30 mil.

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