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Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2018
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Celíacos, uma dieta para toda a vida

Aline Torres
Florianópolis
Joyce Giotti/ND
Dica. Júlio passou por readequação alimentar e faz pão com pó de arroz

 

Cerca de 2 mil pessoas, na Capital, podem ser intolerantes ao glúten – proteína com base na aveia, trigo, centeio e cevada. O estudo é da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que indica a existência de um celíaco para cada 214 habitantes. O tratamento para a doença – que não há cura - é uma dieta sem o consumo desses alimentos. Além de evitar reações alérgicas, que podem ter consequências graves em quem tem aversão à substância, nutrólogos defendem que essa reeducação alimentar traz benefícios ao organismo.

No Brasil, 892 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença – uma intoxicação na mucosa do intestino delgado pode gerar câncer, diabetes e impossibilidade de engravidar. O primeiro estudo médico sobre o tema é datado no século 2, na Grécia.

Os sintomas mais comuns são diarreia, fadiga e perda de peso. Mas não vale como regra. Por isso, detectar a mazela, às vezes, é complicado, principalmente porque os exames podem ser falhos. Como no caso de Júlio Fernandes, 42 anos. Ele descobriu, há dois anos, que é celíaco, depois de três exames apontados como negativos.

O treinador profissional contou que tinha baixas na imunidade. Depois de uma crise de psoríase – inflamações na pele – descobriu-se celíaco e alérgico à lactose. Para zelar pela saúde, reorganizou seus hábitos alimentares. “Minha saúde melhorou de forma significativa e não deixei de lado minha vida social”, afirmou.

Essa mudança na rotina é vantajosa, explicou a nutricionista Cristina Garcia. “A ingestão frequente de glúten dificulta a assimilação de vitaminas e nutrientes”. Com o tempo, pode fragilizar a vitalidade das pessoas, causar anemia e baixar a imunidade.

 

Débora Klempous/ND
Celíaca. Depois da adaptação alimentar, Vanessa voltou a sentir apetite

 

Solidariedade até na merenda

A Escola Básica Osmar Cunha, em Canasvieiras, no Norte da Ilha, não recebe trigo, aveia ou centeio. Na instituição tem uma criança celíaca. Por isso, o cardápio não tem glúten. Esse projeto é iniciativa da Prefeitura de Florianópolis. Outras 21 escolas têm a merenda alterada, na Capital, por esse motivo. A chefe do Departamento de Alimentação Escolar da prefeitura, Cleusa Silvano, destacou que essa é uma forma de inclusão. “Essas crianças podem interagir da mesma forma no âmbito do ensino.”

Vanessa Ferreira Mendes, 8, está na 2ª série da Osmar Cunha. Seus pais, Valdeleci e Cardian,  descobriram, há dois anos, que a menina é celíaca. “Ela não ganhava peso, nem tinha fome”, contou a mãe. Depois da readaptação alimentar, o apetite surgiu. No hora do almoço, na escola, Vanessa se serviu de arroz, feijão, estrogonofe, alface e tomate. E repetiu.

Valdeleci tinha medo que ela se contaminasse na instituição, já que estuda em turno integral – das 9h às 17h15 – que corresponde a três refeições por dia. “Fiquei ansiosa depois que descobri a doença. Se ela ingerir glúten, terá problemas no crescimento, pode ficar estéril, e pode ter diabetes e câncer.”

Mas não há esse risco, explicou Silvano: “As cozinheiras escolares recebem treinamento pelas nutricionistas para que a alimentação seja preparada com todo o cuidado possível.” Para que não ocorra risco de contaminação dos alimentos servidos aos celíacos na unidade escolar, todos os alunos recebem a alimentação sem glúten, não interferindo na qualidade nutricional da alimentação servida. No lugar da farinha de trigo, é usada a de arroz; o macarrão sem glúten substitui o macarrão convencional, assim como as bolachas salgadas integrais, que dão lugar às broas de polvilho.

Vanessa também é consciente. “Quando os colegas oferecem coisas com glúten, digo que não estou com fome.” Às vezes, ela desanima por não comer casquinha de sorvete ou salgadinho comum, mas o pai compra chocolate sem glúten e pizza feita com farinha de mandioca. Logo o ânimo volta. 

Para a inclusão da criança celíaca, o aluno deve possuir um diagnóstico médico que deve ser apresentado à Secretaria Municipal da Educação. A partir daí, todos os procedimentos são realizados da maneira mais rápida possível.

Receita do Júlio

Pene com camarões e legumes

Júlio Fernandes ensina para os celíacos: “Devorar um hambúrguer no shopping, nem pensar!” Mas preparar sua própria refeição, além de mais saudável, pode ser prazeroso.

Abra um bom vinho. Invista na trilha sonora.  No caso do Júlio, foi Bob Dylan.

1. Deixe os camarões, inteiros e com casca, de molho no suco de limão por 15 minutos.

2.  Pique uma cebola em partes grandes, quatro dentes de alho e frite (de preferência com azeite de oliva). Jogue os camarões na panela.

3.  Tempere no final.

4.  Separe os camarões noutro prato.

5.  Na mesma panela, refogue primeiro cubos de abóbora. Em seguida, pedaços de brócolis e, por fim, tomates picados sem casca.

6.  Quando os legumes estiverem cozidos, jogue os camarões, salsa e cebolinha.

7.  Esquente água numa panela, mas não precisa ferver. Jogue a massa pene de arroz (que não possui glúten) e cozinha mais rápido que as com trigo. Coloque noz moscada na água. Depois de pronta, jogue água fria.

8. Esmague um abacate, esprema limão, ponha sal e pimenta. Saboreie como complemento.

9. Aprecie a boa refeição, sem glúten e seja feliz!

 

Produtos permitidos

arroz, batata, milho e mandioca

arroz = farinha de arroz, creme, arrozina, arroz em pó e  derivados 

O creme de arroz é um pó

milho = fubá, farinha, amido de milho (maisena), flocos, canjica e pipoca 

batata = fécula ou farinha

mandioca ou aipim =  fécula ou farinha, como a tapioca e polvilho

macarrão de arroz, milho e mandioca

cará, inhame, araruta, sagu, trigo sarraceno.

suco de frutas e vegetais, chás e refrigerantes. Vinhos, espumantes, aguardentes e saquê.

cafés com selo Abic.

leite em pó, esterilizados, leites integrais e desnatados. Leite condensado, cremes de leite, Yacult. Queijos frescos, tipo minas, ricota, parmesão. Pães de queijo. Para iogurte e requeijão, verifique observações nas embalagens

açúcar de cana, mel, melado, rapadura, glucose de milho, glicose, geléias de fruta e de mocotó, doces e sorvetes caseiros com alimentos permitidos, achocolatados de cacau, balas e caramelos

manteiga, margarina, banha de porco, gordura vegetal hidrogenada, óleos vegetais e azeite

feijão, broto de feijão, ervilha seca, lentilha, amendoim, grão de bico, soja

legumes e verduras

sal, pimenta, cheiro-verde, temperos caseiros, maionese caseira, vinagre fermentado de vinhos tinto e de arroz

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