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Domingo, 23 de Setembro de 2018
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Cavalos aposentados pela PM agora auxiliam crianças com deficiência em São José

Animais foram doados à Orionópolis Catarinense

Felipe Alves
Florianópolis
Daniel Queiroz/ND
Patrick, portador de uma síndrome rara, criou uma forte ligação com o cavalo Araribá

 

Quando monta no cavalo Araribá, Patrick solta uma gargalhada. Portador da Síndrome de Charge (causada por defeitos genéticos), o jovem de 18 anos não fala e não enxerga, mas vibra de alegria na companhia e no contato com o cavalo, que é um dos três animais doados pela Cavalaria da Polícia Militar para a Orionópolis Catarinense. Depois de servirem à polícia, Araribá e Beijing agora auxiliam no processo terapêutico conhecido como equoterapia na entidade que abriga pessoas com deficiência em São José.

Logo que chegou à entidade, Araribá, o mais velho dos cavalos doados pela PM, quis marcar território. Por não ser castrado, o macho de 20 anos chegou arredio e agitado. “No começo foi difícil, mas logo ele se adaptou e, agora, é o melhor cavalo para a equoterapia, pois é forte e um pouco lento, o que facilita no processo com os deficientes”, explica o equitador Cleiton de Oliveira.

Já Beijing, de 14 anos, é um macho castrado, mais fácil de ser comandado e mais ligeiro. Por isso, é ideal para a equitação. Os dois animais de raça mista ainda estão em fase de adaptação na área de 400 m² da Orionópolis destinada a eles.

Além dos dois, a entidade recebeu outro cavalo, Épico, de 6 anos, que está em um sítio se adaptando ao ar livre, pois ainda é um pouco rebelde. “Estes cavalos passaram por um estresse muito grande durante a vida, trabalharam muito. Com a mudança de ambiente, é normal que haja alguma resistência, mas estamos fazendo com que eles se adaptem o mais rápido possível e sejam seguros para trabalhar com os deficientes”, diz a psicóloga Daniela Israel, que faz parte da equipe de equoterapia da Orionópolis.

No gramado, Araribá e Beijing recebem cuidados básicos de alimentação e higiene diariamente. Eles comem ração, feno, melaço e bebem muita água. Agora, após anos de serviço à população por meio da Cavalaria da PM, os equinos passam o dia tomando banho de sol, pastando e descansando.

Sessões diárias de até quatro horas

Diariamente Araribá e Beijing fazem sessões de 20 minutos com cada deficiente. São cerca de quatro horas por dia de equoterapia ao ar livre. Em cada sessão, o praticante (nome dado ao paciente de equoterapia) é acompanhado, geralmente, por quatro pessoas. Uma é responsável por puxar o cavalo, outras duas são as mediadoras (ficam em volta do animal) e, quando necessário, outro profissional sobe ao cavalo junto com o praticante. “A equoterapia serve para o fortalecimento e para a autoconfiança destas pessoas. É um método terapêutico que auxilia em questões psicológicas e sociais por meio de exercícios que estimulamos durante a sessão”, afirma a psicóloga Daniela Israel.

Além do equitador e da psicóloga, o paciente ainda é acompanhado por um educador físico, uma fonoaudióloga e uma fisioterapeuta. “Trabalhamos muito o fortalecimento e a consciência corporal dos pacientes. Eles têm limitações cognitivas e trabalhamos o afeto e os incentivamos a criar um vínculo com o animal”, diz a fisioterapeuta Rafaella Russi de Paula.

Leilão público não pode mais ter animais

Entre os 221 lotes leiloados pelo governo do Estado em abril deste ano, dois chamaram a atenção: grupos de cavalos que seriam arrematados em meio a veículos, equipamentos e joias. O caso, acompanhado desde o início pelo Notícias do Dia, ganhou repercussão e mobilizou entidades e a população em favor dos animais.

Após a mobilização, o governador Raimundo Colombo autorizou a doação dos animais, publicando um decreto no Diário Oficial em 28 de agosto. A partir de agora, nenhum leilão público do Estado terá venda de animais. “Foi uma novela para conseguirmos estes cavalos. Tentamos durante vários meses e, quando estávamos prestes a desistir, recebemos a notícia de que iríamos recebê-los. Os novos cavalos vieram para cá em favor destes deficientes”, conta José Manuel dos Santos, o Padre Maneca, presidente da Orionópolis. Dos dez animais que seriam leiloados, três foram para a Orionópolis, seis para o Instituto Ambiental Ecosul e um morreu durante o processo.

Multimídia

Confira o vídeo feito pelo repórter fotográfico Daniel Queiroz:

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