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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Casas na Mariquinha não devem ser demolidas pelos próximos 30 dias

O número de interdições subiu de 12 para 14 edificações proibidas

Saraga Schiestl
Florianópolis

Nenhuma casa será demolida nos próximos 30 dias na servidão do Morro da Mariquinha, em Florianópolis, onde quatro edificações desabaram e uma pessoa morreu depois de um deslizamento de terra, na terça-feira (13). Um estudo geológico deve ser contratado pela Prefeitura para verificar a condição do morro. O resultado sai em um mês. Enquanto isso, as 14 famílias que não podem voltar para casa, vivem a insegurança de não saber para onde ir nem como serão indenizadas.

A funcionária pública, Vera Lúcia Cardoso, 49, é a única das moradoras retiradas de casa que já conseguiu alugar uma casa para viver com os dois filhos. Os R$ 300 recebidos pela Prefeitura para auxílio aluguel não chegam nem perto dos R$ 1.800 que a funcionária pública terá que desembolsar a partir de agora.

“Ninguém vai encontrar uma casa tão boa quanto aquela tinham lá no morro com esse valor oferecido pela prefeitura”, garantiu a funcionária, que conseguiu apenas retirar alguns móveis e roupas da casa. “Todos os moradores estão muito inseguros, as pessoas querem ter certeza que vão receber uma indenização antes de permitir que tudo seja demolido”, explicou Vera Lúcia que não pretende mais voltar a morar na Mariquinha.

No dia da tragédia uma pequena casa construída no terreno de Vera Lúcia foi levada totalmente pela pedra que deslizou. Uma quitinete e a casa onde ela morava tiveram as estruturas abaladas com o impacto. “Se isso tivesse acontecido dez dias antes, um dos meus inquilinos estaria dormindo na casa. Certamente seria mais uma morte”, lembrou Vera, contando que recentemente o local foi desocupado.

Número de casas interditadas sobe para 14

A vegetação presa à pedra que ameaça deslizar a qualquer momento fez com que o número de edificações interditadas pela Defesa Civil subisse de 12 para 14. Todas correm risco de serem demolidas, entretanto, nos 30 dias em que será feito o estudo aprofundado, nenhuma das edificações será retirada do local.

O diretor da Defesa Civil de Florianópolis, Luiz Machado, assegura que as casas interditadas não apresentam risco à vizinhança caso haja um novo deslizamento durante os dias de realização do estudo. “Nos certificamos em tirar as pessoas das áreas de risco. Se alguma dessas casas cair naturalmente, os escombros vão ficar no buraco que já está aberto”, assegurou Machado.


Com o aumento do número de edificações interditadas, a casa onde vivia a família do jardineiro Rodrigo de Oliveira, 25, passou a ser considerada de risco. Assim, os oito moradores, incluindo duas crianças, foram beneficiados com os R$ 300 de aluguel social. “Agora estamos procurando um lugar para morar. Não é fácil achar uma casa mais barata por aqui”, reclamou Rodrigo que provisoriamente está com o filho, a mulher e a família da irmã em uma das salas da passarela Nego Quirido.

Para deixar o abrigo com um pouco mais do clima de uma casa, os ex-moradores da Mariquinha enfeitaram uma árvore de Natal. “Como as crianças estão muito deslocadas, preferimos deixar o ambiente da melhor forma possível”, lembrou.

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