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Casal envenenado mexeu em objeto contaminado, afirma polícia britânica

Autoridades não revelaram qual seria o item que teria mesma substância usada contra espião russo

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
05/07/2018 às 21H02

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O casal britânico envenenado pelo mesmo agente neurotóxico usado no ataque contra um ex-espião russo numa cidade inglesa, em março, teve contato com a substância após manipular um objeto, de acordo com a polícia do Reino Unido. As autoridades não informaram qual seria esse objeto. Na quarta-feira (4), a Scotland Yard informou que Dawn Sturgess, 44, e Charlie Rowley, 45, foram expostos ao Novitchok (novato, em russo), um veneno desenvolvido na União Soviética e banido após o fim da Guerra Fria, em 1991. 

O casal Dawn Sturgess e Charlie Rowley - Reprodução Facebook/ND
O casal Dawn Sturgess e Charlie Rowley - Reprodução Facebook/ND


O Reino Unido liderou uma campanha internacional contra a Rússia após acusar o Kremlin de usar o agente para tentar matar o ex-espião Serguei Skripal, 66, e sua filha Iulia, 33, em Salisbury. O novo incidente ocorreu em Wilstshire, cerca de 10 km ao norte da localidade em que os russos foram encontrados inconscientes - eles se recuperaram, tiveram alta e estão incomunicáveis agora. O Kremlin nega as acusações, que levaram a uma expulsão mútua de diplomatas sem precedentes nos últimos anos e à deterioração da relação entre Rússia e o Ocidente.

Nesta quinta-feira (5), os governos dos dois países voltaram a trocar acusações sobre a responsabilidade de cada lado no caso. "Agora é hora de o Estado russo se manifestar e explicar o que aconteceu", afirmou ao Parlamento o secretário de Interior britânico, Sajid Javid. "É completamente inaceitável que nosso povo se torne um alvo deliberado ou acidental, ou que nossas ruas, parques e cidades sejam usados como depósito de veneno", disse.

Javid confirmou ainda que a variedade de Novichok encontrada no casal foi a mesma achada no caso dos Skripal, mas disse que os cientistas ainda tentam identificar se ambos pertencem ao mesmo lote de fabricação. "A Rússia negou categoricamente e continua a negar a possibilidade de qualquer tipo de envolvimento com o que está acontecendo" disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Ele afirmou ainda que o governo russo voltou a disponibilizar uma equipe de especialistas para ajudar o governo britânico a investigar o novo envenenamento, mas a oferta foi negada por Londres - o mesmo já tinha ocorrido após o caso Skripal.

Já a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, pediu que a primeira-ministra britânica, Theresa May, "acabe com as intrigas e os jogos de agentes químicos" e permita que Moscou ajude no caso. "Esse governo [britânico], em especial sua liderança, um dia terá que se desculpar com a Rússia e com a comunidade internacional", disse ela.

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