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Carta-testamento e áudios reforçam suspeitas sobre coronel amigo de Temer

O coronel é descrito pelos investigadores como intermediário de Temer na arrecadação de subornos pagos pela empreiteira

Folha de São Paulo
Brasília (DF)
10/09/2018 às 21H27

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Numa carta-testamento escrita à mulher, um auxiliar do coronel da PM aposentado João Baptista Lima Filho, amigo do presidente Michel Temer, indica que atuava como "laranja" e escondia patrimônio para o ex-policial.

João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, amigo de Temer - Reprodução/Record TV
João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, amigo de Temer - Reprodução/Record TV

O documento foi encontrado pela Polícia Federal num envelope lacrado e com tarja de confidencial na sede da Argeplan, empresa de propriedade do coronel. Integra o relatório final de investigações sobre suposto recebimento de propinas da Odebrecht por Lima.

O coronel é descrito pelos investigadores como intermediário de Temer na arrecadação de subornos pagos pela empreiteira.

A apuração da PF também tem diálogos, noticiados pela Folha de S.Paulo na semana passada, nos quais o amigo de Temer trata da entrega de encomendas com representantes da empresa que transportava propinas para a empreiteira. Os áudios foram liberados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) nesta segunda (10).

A carta foi deixada por José Aparecido da Silva, funcionário da Argeplan morto em 2014, para a mulher, Suely Barbosa da Silve. Aparecido era o representante da offshore Langley Trade Co., que vendeu ao coronel um imóvel de R$ 2,2 milhões.

No testamento, ele orienta a esposa a procurar Lima caso algo lhe acontecesse. Além disso, elenca bens que estariam em seu nome, mas pertenciam ao coronel. Entre eles, constavam uma moto e uma linha telefônica.

O ex-funcionário também menciona uma conta, identificada apenas pelas siglas "RO", sobre a qual o coronel teria conhecimento. "Eu utilizei por conta dessa dívida R$ 36.390 da conta RO, que o dr. Lima sabe do que se trata", escreveu.

"Todos esses elementos, junto ao que já foi apresentado nos relatórios anteriores e as entrevistas realizadas com os demais empregados da Argeplan, (...) ratificam a hipótese de que José Aparecido da Silva era 'laranja' do coronel", sustenta a PF num dos trechos da investigação.

A PF concluiu na semana passada relatório sobre supostos pagamentos de propina pela Odebrecht a Temer e alguns de seus aliados.

O delegado Thiago Machado Delabary afirma no documento que há indícios de que o emedebista praticou os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

Com base no relato de delatores e de provas colhidas na investigação, ele sustenta que Temer obteve em março de 2014, quando ainda era vice-presidente, em razão da função que exercia, dois pagamentos de R$ 500 mil cada e um terceiro, de R$ 438 mil, da empreiteira.

Os recursos teriam sido entregues ao coronel.

O Palácio do Planalto afirmou, em nota divulgada na semana passada, que a investigação "se mostra a mais absoluta perseguição ao presidente, ofendendo os princípios mais elementares da conexão entre causa e efeito".

Procurada nesta segunda para comentar a carta-testamento e o conteúdo dos áudios, a advogada de Lima, Aline Batista Duarte, informou que seu cliente "refuta veementemente todas as acusações e afirma que não cometeu ou participou de qualquer fato ilícito ou irregularidades".

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