Publicidade
Domingo, 18 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 21º C

Cármen Lúcia se torna a segunda mulher a assumir a Presidência e adota atitude discreta

A ministra tentou demonstrar publicamente que não tinha qualquer interesse no cargo e evitou utilizar os serviços à sua disposição no Palácio do Planalto

Folha de São Paulo
Brasília (DF)
13/04/2018 às 21H57

GUSTAVO URIBE E TALITA FERNANDES

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - No dia que trocou a toga de ministra pela faixa presidencial, Cármen Lúcia se resguardou. Com receio de criar qualquer atrito que pudesse piorar a relação já conturbada entre Executivo e Judiciário, evitou sentar na cadeira de Michel Temer, não se deixou fotografar pela imprensa e não participou de solenidades públicas. Para o Palácio do Planalto, no qual despachou durante toda a tarde desta sexta-feira (13), transferiu a agenda de reuniões já programadas para ocorrerem em seu gabinete no prédio da frente, o STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo relatos, quando a conversa enveredava para temas do Executivo, mudava de assunto.

Cármen Lúcia tentou demonstrar publicamente que não tinha qualquer interesse na presidência - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Divulgação/ND
Cármen Lúcia tentou demonstrar publicamente que não tinha qualquer interesse na presidência - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Divulgação/ND


A postura discreta da ministra, conhecida por ser extremamente preocupada com a sua imagem pública, já era esperada por colegas de Suprema Corte. Segundo eles, a ministra tinha o receio de que qualquer atitude sua no cargo pudesse gerar comentários ou críticas.

Para demonstrar publicamente que não tinha qualquer interesse no cargo, por exemplo, fez questão de abrir a agenda pública com dois colegas: Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Na conversa, só tratou da pauta do Judiciário e não fez comentários ou brincadeiras sobre ter assumido o Executivo.

Para reforçar a imagem, evitou utilizar os serviços à sua disposição no Palácio do Planalto: abriu mão de batedores, dispensou os serviços da equipe de Comunicação e não pediu refeições. Nas sete horas que ficou no gabinete presidencial, tomou um único café e bebeu meio copo de água.

O comportamento da ministra foi o oposto de outros que substituíram Temer na linha sucessória presidencial. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por exemplo, chegou a trazer mais de dez assessores e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), fez questão de ser fotografo nas audiências privadas.

Até mesmo o momento em que teve de tratar de assunto do Executivo foi protocolar, sem controvérsia.

Como é de praxe, o presidente deixa duas propostas para serem sancionadas por seus substitutos.

Para ela, foram selecionados dois temas sem nenhum risco de polêmica: a formalização do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Humberto Martins como corregedor do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e a sanção da criação do Dia do Autismo.

Agenda

Ao longo do dia, ela recebeu os ministros da Defesa, do Direitos Humanos e da AGU (Advocacia-Geral da União). Mesmo nesses encontros, foi protocolar e evitou discutir pautas políticas.

Neste sábado (14), a ministra continuará no posto até que Temer cruze o espaço aéreo brasileiro, o que é previsto para o início da noite. Ela, contudo, já informou que ficará em sua residência, em Brasília, sem compromissos oficiais.

A ministra foi a segunda mulher na história a assumir a Presidência da República. A primeira foi a ex-presidente Dilma Rousseff, que sofreu impeachment em 2016.

A ex-presidente do STF Ellen Gracie quase assumiu o cargo em 2006, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou para a Argentina.

Na véspera, no entanto, o presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), desistiu de viajar com Lula, em uma retaliação ao governo, e assumiu o posto.

O presidente do STF é o quinto na linha sucessória. Com a ausência do presidente, assumiria o vice-presidente. Com o impeachment, contudo, o país não tem ninguém à frente da função.

Na sequência, viriam Maia e Eunício. Os dois, no entanto, serão candidatos neste ano. A lei eleitoral determina que quem assume a Presidência da República seis meses antes das eleições se torna automaticamente inelegível.

Maia é pré-candidato à sucessão presidencial pelo DEM, e Eunício disputará a reeleição como senador pelo Ceará. Ambos viajaram para o exterior, em agendas oficiais.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade