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Caras aflitas e decepcionantes de torcedores no Mercado Público de Florianópolis

No bairro Saco dos Limões, moradores da Travessa da Amizade pintaram as lajotas de verde e amarelo. Eles comemoram com o primeiro gol brasileiro e xingaram os suíços que empataram no segundo tempo

Colombo Souza
Florianópolis
17/06/2018 às 20H23

A multidão que levou a bandeira do Brasil para assistir à estreia da seleção nos telões instalados no Mercado Público de Florianópolis pela RIC TV ficou aflita e decepcionada com o empate de 1 a 1. Pedro Mendes, que estava com a namorada, disse que o jogo não foi tão bom, mas o ambiente estava agradável. Mais de mil torcedores desfrutaram da estrutura e vibraram a cada jogada espetacular e com a boa gastronomia.

Muitos visitantes hospedados em hotéis da cidade, como o casal de Goiás, Roberto Conte, 73, e Rosi Borcat, 53, aproveitaram o dia para almoçar no mercado e dar uma esticadinha até o horário do jogo, que iniciou às 15h.  A cada jogada ofensiva do time brasileiro e os dribles desconcertantes do camisa 10 da seleção arrancavam suspiros. “Eles estão batendo muito no Neymar, não estou gostando nada disso”, comentava o jovem Alisson Sales, 25. Alisson  grudava os olhos no telão e roía as unhas quando a Suíça atacava com perigo.

Aflição tomou conta dos torcedores no Mercado Público durante jogo do Brasil - Daniel Queiroz/ND
Aflição tomou conta dos torcedores no Mercado Público durante jogo do Brasil - Daniel Queiroz/ND

O jogo morno refletia em cada rosto uma forma de reação diferente: alegria quando Coutinho entrava na área chutando forte e a cara de decepção após o suíço Steven Zuber balançar as redes do goleiro brasileiro Alisson, aos quatro minutos do segundo tempo, decretando o empate.

Num canto de mesa, a torcedora Milena Prado, 25, que se protegia do frio com um manto verde amarelo nem se importou com o resultado: “É apenas o primeiro jogo. Na segunda partida, os atletas já entram em ritmo de Copa. Confio neste time, vamos ser hexa”. Quem também está confiante no sexto título mundial é Luciana Koerich, 50. Ela levou a filha e o genro que estudam  medicina na Argentina.

Luciana foi sorteada com um kit de copo com a estampa da seleção, como uma das torcedoras que mais fazia barulho no ambiente festivo do mercado público. E como toda brasileira, ela tirou uma casquinha com os argentinos: “Vou pedir para meu genro levar este kit e presentear os argentinos”.  Mas para a torcedora concretizar sua ironia, o Brasil precisa melhorar muito, principalmente no ataque.

Família de Raimundo Vieira torcendo para o Brasil no Mercado Público - Daniel Queiroz/ND
Família de Raimundo Vieira torcendo para o Brasil no Mercado Público - Daniel Queiroz/ND

Travessa da Amizade

Os 500 metros de extensão da Travessa da Amizade, no bairro Saco dos Limões, em Florianópolis, ficaram pequenos para a confraternização de moradores. A rua de lajota foi pintada de verde e amarelo e as bandeirinhas do Brasil passavam a sensação de um clima animado de Copa do Mundo. A televisão de 50 polegadas e a barraquinha improvisada, com churrasco e doces, também eram a sensação do dia.  

Quem organiza o encontro é o aposentado Osnildo Mário Dias, 72. Ele reuniu três gerações e os vizinhos. Teve gente que veio de São Paulo somente para marcar presença, como os filhos de  Maria Helena Acacy, 63. A carioca Magda Torres, 52, que mora há vários anos na travessa, disse que a confraternização traz calor humano. “A gente se diverte com os amigos”.

De olho na televisão, seu Osnildo não perdia um lance. E xingava quando Neymar caía. Ele herdou este espírito esportivo de organizar torcidas em período de Copa do Mundo, com seu pai. “Naquele tempo não existia TV nem rádio a pilha. A gente acompanhava tudo pelo rádio ligado na luz”.  Seu Osnildo mal terminou a frase e pulou da cadeira comemorando o gol de Coutinho, aos 20min do primeiro tempo. A neta dele, Cecília, 14 anos, também entrou no clima e preparou um bolão. “Os placares mais repetitivos são 2 x 0 e 3 x 1”, contou. O bolão rendeu R$130.

Grupo de torcedores se reuniram no Saco dos Limões - Daniel Queiroz/ND
Grupo de torcedores se reuniram no Saco dos Limões - Daniel Queiroz/ND



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