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Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
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"Capacete quebrou e tinha muito sangue", conta amigo ciclista que socorreu Róger Bitencourt

Empresário Sander de Mira, presidente da Acif, ficou ao lado do jornalista nos últimos momentos de vida

Karin Barros
Florianópolis

O empresário Sander de Mira, presidente da Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis), era um dos quatro ciclistas que acompanhavam o jornalista Róger Bitencourt, 49, no passeio de confraternização do grupo de bicicleta Be3. Róger morreu às 10h deste domingo após um acidente envolvendo uma VW/Parati com placas de Florianópolis. Sander pratica o esporte há dois anos, mas nunca havia presenciado um acidente com um colega tão de perto.

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Eduardo Valente/ND
No local do acidente, uma reta, não há sinais de freagem


No momento da colisão, Sander era o quarto ciclista dos cinco que saíram de Jurerê Internacional por volta das 7h30 deste domingo. Quando o motorista Gustavo Raupp Schardosim colocou o carro sobre o grupo, eles passavam por uma etapa da rodovia que era preciso mais cuidado com o piso e com o colega da frente que as demais coisas ao redor.

"Aquele trecho é complicado, precisamos andar como uma espécie de pelotão, não dá para ficar um ao lado do outro. São muitos buracos, sujeira e o asfalto é desnivelado. Aconteceu tudo muito rápido, mal deu pra notar", contou Sander.   

Após o abalroamento, os três ciclistas não atingidos se separaram para prestar o máximo de socorro. Cada um foi resolver uma coisa. Um foi cuidar de Jacinto Silveira, que também foi atingido. Outro ficou de chamar ambulância. Sander ficou com a responsabilidade de cuidar do amigo Róger, que já estava em seus últimos minutos de vida.

“Ele já tava agonizando. O capacete quebrou e tinha muito sangue. A gente tentava falar alguma coisa para acalmar, mas não tínhamos certeza se ele ainda estava escutando”, disse Sander.

O ciclista lamenta não só a morte do amigo, e o pesar pela família, mas a sensação de insegurança. “É uma coisa que está virando tão comum, e isso nos chateia tanto. Existem tantos caso semelhantes, que ao invés de termos uma prática saudável, além de ser um meio de transporte, vivemos inseguros. É tão bom, mas é algo tão displicentemente cuidado, e ai junta isso com um motorista aparentemente alcoolizado”, contou Sander.

O amigo lembrou ainda que no trecho inteiro todos foram cuidando uns dos outros, parando com antecedência, sinalizando as mudanças de faixas, além do grupo ter saído mais tarde em virtude das festas que acontecem madrugada a dentro.

“Alguns motoristas são solidários, mas isso acaba sendo minoria. Precisamos ter atitude mais respeitosa com quem usa as marginais da SC-401”, afirmou. 

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