Publicidade
Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 18º C

Campanha Setembro Amarelo alerta para a prevenção ao suicídio

Transtornos psiquiátricos estão associados a 90% dos casos de suicídio

Felipe Alves
Florianópolis
11/09/2016 às 20H59

A cada 40 segundos, uma pessoa morre em decorrência de suicídio no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Ainda tratado como tabu, o suicídio é o foco da campanha Setembro Amarelo, que busca discutir e diminuir o estigma sobre o tema. Em Santa Catarina, a Associação Catarinense de Psiquiatria promove durante todo o mês uma série de ações para trazer o assunto à tona e discutir os mitos, formas de prevenção e tratamento do suicídio.

 psiquiatra Walmor Lange Júnior - Eduardo Valente
Psiquiatra Walmor Lange Júnior explica que o suicídio é tratado como problema de saúde pública - Eduardo Valente

De acordo com o psiquiatra Walmor Lange Júnior, pelo menos 90% dos casos de suicídio estão associados a um transtorno psiquiátrico e a principal forma de prevenção é o tratamento dessas condições. Por isso, o tema é tratado como assunto de saúde pública. “A grande maioria dos suicidas não quer morrer. Eles querem fugir de um sofrimento psíquico complicado, mas não conseguem ver uma solução imediata a curto prazo para o problema”, explica ele.

Entre os transtornos que podem levar ao suicídio estão a depressão, esquizofrenia, bipolaridade, dependência de drogas, transtorno de personalidade, entre outros. Segundo Júnior, é preciso identificar a causa patológica de quem tem uma ideação suicida para, então, tratá-la.

O tabu acerca do tema é associado também ao preconceito que as pessoas têm de se tratar com um psiquiatra. Por isso, é importante que todos ao redor da uma pessoa que tem ideias suicidas estejam atentas ao comportamento e busquem ajuda. “Alguns sinais são o isolamento, a perda de desempenho, faltar ao trabalho ou aos estudos, perda de peso e a agressividade em adolescentes”, diz o psiquiatra. O primeiro passo para buscar ajuda pode ser o contato com um psiquiatra, um psicólogo ou mesmo um médico de família de uma unidade básica de saúde.

 

“Vale muito mais a pena viver”

Antes de se formar como psiquiatra, Walmor também já passou por uma experiência suicida. Aos 24 anos, prestes a se formar em agronomia, no Rio de Janeiro, ele viu que aquele não era o caminho que queria seguir, pois não se sentia útil naquela posição. “Eu estava para ficar noivo, comecei a ficar pessimista, pois estava na profissão errada e fiquei depressivo”, relembra o psiquiatra. Quando a namorada terminou o relacionamento, Walmor tentou o suicídio e foi salvo por amigos da faculdade. Internado por dois dias em uma clínica psiquiátrica, foi ali que ele decidiu que mudaria de vida.

Hoje, aos 48 anos, Walmor diz viver uma situação parecida. Afastado do trabalho, ele cuida das duas filhas pequenas, enquanto disputa na Justiça os bens materiais com a ex-mulher. Por conta dos problemas com a antiga companheira, ele terminou um noivado há pouco tempo e agora luta contra um câncer. Apesar das dificuldades, para Walmor o importante é a superação e força para cuidar das filhas. “Se já passei por tudo antes, posso passar por cima de novo. Vale muito mais a pena viver”, reflete ele.

 

- 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo por ano

- Uma pessoa se suicida a cada 45 segundos no mundo e, no Brasil, ocorre um suicídio a cada 45 minutos

- O suicídio é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos e a 15ª maior causa de morte no mundo

*Dados da Organização Mundial de Saúde e Centro de Valorização da Vida.

 

Mitos e verdades sobre o suicídio

Mito: o suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio.

Verdade: os suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção da realidade e interfere em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da prevenção do suicídio. Após o tratamento da doença mental o desejo de se matar desaparece.

 

Mito: quando uma pessoa pensa em se suicidar terá risco de suicídio para o resto da vida.

Verdade: o risco de suicídio pode ser eficazmente tratado e, após isso, a pessoa não estará mais em risco.

 

Mito: as pessoas que ameaçam se matar não farão isso; querem apenas chamar a atenção.

Verdade: a maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. Boa parte dos suicidas expressou, em dias ou semanas anteriores, frequentemente aos profissionais de saúde, seu desejo de se matar.

 

Mito: se uma pessoa que se sentia deprimida e pensava em suicidar-se, em um momento seguinte passa a se sentir melhor, normalmente significa que o problema já passou.

Verdade: se alguém que pensava em suicidar-se e, de repente, parece tranquilo, aliviado, não significa que o problema já passou. Uma pessoa que decidiu suicidar-se pode se sentir “melhor” ou sentir-se aliviado simplesmente por ter tomado a decisão de se matar.

 

Mito: quando um indivíduo mostra sinais de melhora ou sobrevive a uma tentativa de suicídio, ele está fora de perigo.

Verdade: um dos períodos mais perigosos é quando se está melhorando da crise que motivou a tentativa, ou quando a pessoa ainda está no hospital, na sequência de uma tentativa. A semana que se segue à alta do hospital é um período em que a pessoa está fragilizada.

 

Mito: não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco.

Verdade: falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.

 

Mito: é proibido que a mídia aborde o tema suicídio.

Verdade: a mídia tem obrigação social de tratar desse importante assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada. Isto não aumenta o risco de uma pessoa se matar. Ao contrário, é fundamental dar informações à população sobre o problema, onde buscar ajuda, etc.

 

Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade