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Camerata Florianópolis apresenta espetáculo gratuito na comunidade Chico Mendes

Evento marcou a inauguração do ginásio do Cedep, que atenderá aos moradores do bairro

Dariele Gomes
Florianópolis
01/05/2017 às 20H25

Cansada e sempre alerta a todos os movimentos do bairro por causa do medo da violência, a comunidade do Monte Cristo, em Florianópolis, teve uma tarde alegre nesta segunda-feira (1), Dia do Trabalhador, com a apresentação da Camerata Florianópolis. Diferente do que têm vivido nos últimas semanas, os moradores colocaram roupa de festa e prestigiaram a obra La Serva Padrona.

O espetáculo estava marcado para acontecer em dezembro de 2016, mas os moradores precisaram aguardar para que ele fosse apresentado em uma casa nova: o ginásio de esportes do Cedep (Centro de Educação Popular), que ficou pronto há uma semana. Conforme a coordenadora geral do espaço, Maria Marlene da Silva, a vinda da Camerata foi uma oportunidade de inaugurar o ginásio. “Eles nos presentearam e nós disponibilizamos esse novo espaço da comunidade. Este ano vamos comemorar 30 anos de Cedep, e as comemorações começam hoje”, diz Maria.

A obra começou em 2015 com recursos próprios e foi finalizada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Maria destaca ainda que o Centro atende 850 pessoas, entre crianças, adolescentes e jovens, por meio de três projetos. 

Maestro Rocca diz cultura pode substituir a repressão se for bem trabalhada na comunidade - Marco Santiago/ND
Maestro diz que a cultura pode substituir a repressão se for bem trabalhada na comunidade - Marco Santiago/ND

Espetáculo encanta plateia 

A apresentação de La Serva Padrona durou aproximadamente 45 minutos, tempo suficiente para a pequena Isadora Marcos da Silva, 3, aplaudisse várias vezes. Acompanhada do tio Roberto Santos Marcos, 30, a menina, carinhosa e simpática, viveu um momento de felicidade por ter a família e as amigas reunidas em uma atividade diferente. “Sabemos que a Camerata é muito conhecida, por isso aproveitamos a oportunidade de vir assistir, família e amigos. As crianças estão adorando as músicas”, contou o tio. Após a apresentação, que reuniu aproximadamente 300 pessoas, a comunidade confraternizou com bolo e refrigerante.


Segundo o maestro do espetáculo, Jeferson Della Rocca, o desejo de levar a Camerata a uma comunidade era antigo. "Em dezembro tivemos a ideia, mas só conseguimos colocar em prática agora, junto com a inauguração do ginásio.  A realidade da comunidade é de guerra pelo tráfico e violência, não há oportunidade de cultura e lazer. A violência é resolvida com repressão. Às vezes o que falta é mexer lá na raiz, na formação dessas crianças e jovens, na oportunidade que lhes falta”, comentou Rocca.

Padre Vilson Groh diz que a comunidade precisa ter direito à cultura

O espetáculo, que foi apresentado pelo Ministério da Cultura, teve o Instituto Vilson Groh como um dos apoiadores. O Padre Groh esteve no evento e carinhosamente conversou com as crianças. Ele, que acompanha as atividades sociais da comunidade do Monte Cristo desde 1983, destaca que a música é um direito de todos e que a universalização só se dá com ações deste tipo. “A beleza se rompe com a bruteza de um lugar. A beleza da arte pode abrir o demais direitos de vivência social. O direito de ter direito a ser um cidadão. É um momento de festa, mesmo que seja rápido e passageiro”, enfatizou o padre.

Sobre a obra La Serva Padrona

A obra foi composta por dois atos. No primeiro, Uberto, um solteirão, confronta-se com o comportamento arrogante de Serpina, sua criada, que pretende ser tratada como patroa. Desesperado, Uberto pede a Vespone que lhe arranje uma noiva. Serpina aprova, mas entende que é com ela que o patrão deve casar-se, e que deve desde já ser tratada como patroa. O primeiro ato termina com um duetto em que Serpina tenta convencer Uberto a casar com ela, invocando todas as suas qualidades. No segundo ato, Serpina, com a colaboração forçada de Vespone, e a fim de conquistar Uberto, inventa um pretendente: o temível capitão Tempesta (representado pelo próprio Vespone), que supostamente exige um dote para casar com Serpina. Se não o receber, não casará, e se então Uberto não se casar com a criada, matará os dois. Uberto aceita casar e Vespone tira o bigode de disfarce. Uberto e Serpina acabam por confessar o seu mútuo amor, e a criada alcança enfim o objetivo de se converter em patroa.

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