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Camarote de beach club invade a areia da praia em Jurerê Internacional

Além de ocupar uma área pública e sobre a responsabilidade da União, o La Serena ainda coloca seguranças nos acessos impedindo de que os banhistas passem pela passarela pública sobre área de restinga

Redação ND
Florianópolis
22/12/2017 às 09H27

Camarote na faixa de areia, seguranças para constranger quem não é cliente, uso indevido de calçadas e estacionamento com gerador e coletores de lixo, são alguns abusos cometidos pelo beach club La Serena Cuisine & Lounge, em Jurerê Internacional. Os flagrantes foram feitos pelo ND no domingo (17), na praia mais badalada do Norte da Ilha, em Florianópolis.

Não é apenas sobre a faixa de areia e a restinga que o clube avançou. O estabelecimento transformou a rua num espaço de movimentação de lixo, onde ficam os carrinhos e sacos de plástico amontoados.

A reportagem tentou acessar a passarela que passa ao lado do La Serena. No primeiro momento, sem saber que conversava com um repórter, o segurança impediu a passagem se colocando à frente e afirmando de que se tratava de um ambiente restrito.

Quando questionado se era proibido passar pela passarela, ele afirmou o que acontece quando não há fiscalização da prefeitura. “Só pode passar morador e, mesmo assim, só até as 17h. Depois desse horário acontecem eventos fechados da casa e ninguém pode acessar sem pagar”, afirmou o funcionário terceirizado do estabelecimento do La Serena.

O mesmo acontece quando um banhista tenta sair da praia pela passarela do ponto de praia. Para não atrapalhar os clientes que estão no camarote sobre a faixa de areia, um segurança impede o retorno de quem não está consumindo no beach club.

Outra situação constrangedora envolve o tratamento que a casa dá aos funcionários: almoço na rua. O La Serena usa a passarela lateral que dá acesso à praia, como "refeitório" dos funcionários. Neste local, é colocado uma mesa onde eles fazem as refeições ao meio-dia, atrapalhando a passagem dos banhistas e constrangendo os próprios funcionários, que se obrigam a almoçar no espaço aberto.

Camarote irregular instalado na areia da praia de Jurerê  - Ajin/ Divulgação/ ND
Camarote irregular instalado na areia da praia de Jurerê - Ajin/ Divulgação/ ND



Terreno transformado em estacionamento extrapola limites

No La Serena os seguranças colocam cones na rua reservando as vagas em frente à casa apenas para os clientes vips, impedindo que outros veículos estacionem, numa flagrante ilegalidade. Para acomodar sua clientela, o estabelecimento também utiliza um terreno próximo do local, que normalmente se encontra fechado com uma corrente. Nos dias de maior movimento, principalmente aos fins de semana, os espaço que é cercado, se transforma em estacionamento, sempre superlotado, com carros estacionados nos limites daquele espaço, próximo da calçada e sobre a grama.

Outro fator que acontecem em alguns empreendimentos é a utilização de uma vaga de estacionamento pública para colocar um gerador. O equipamento utilizado em caso de falta de energia ocupa uma vaga permanentemente. 

“Não temos construção sobre a faixa de areia e os seguranças estão para manter a ordem”

Em contato com o beach club La Serena Cuisine & Lounge, a reportagem conversou por telefone com Celso e Cleber, que se identificaram como sócios do empreendimento e não informaram os sobrenomes. No primeiro contato, Celso informou que não existe camarote sobre a faixa de areia e a ligação foi interrompida em seguida.

Em novo contato, desta vez, o sócio Cleber foi quem atendeu. “Não temos nenhuma construção sobre a faixa de areia ou sobre a restinga, caso contrário sairíamos preso daqui. Já os seguranças estão ali para manter a ordem, porque eles não impedem a passagem de ninguém. Assim como temos segurança nos estacionamentos para cuidarem do bem dos nossos clientes. Já o gerador é colocado em uma vaga somente quando temos um evento especial”, justificou.

Quando a reportagem tentou anotar o nome completo do sócio identificado por Cleber, a ligação foi interrompida novamente. No retorno da chamada, ele não estava mais no estabelecimento e a funcionária não quis passar mais informações.

Prefeitura promete fiscalizar as irregularidades

O diretor geral da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente), Marcos Leandro da Silva, informou que para utilizar a faixa de areia é necessária uma permissão de uso. A documentação deve ser solicitada na SPU-SC (Superintendência do Patrimônio da União), que provoca a Floram a ir ao local e emitir um relatório sobre a viabilidade.

“Se não houver uma permissão de uso, as estruturas irregulares estão passíveis a multa e demolição. Vamos comunicar os fiscais da prefeitura para averiguar as denúncias e adotar as medidas cabíveis. O mesmo acontece da proibição de acesso as áreas públicas. A Floram não tinha conhecimento desses fatos”, disse.

Também por meio da assessoria de imprensa, a SPU informou que as áreas de uso comum, a exemplo das praias, não podem ser utilizadas por particulares sem autorização. Diante das denúncias apresentadas, a SPU em Santa Catarina fiscalizará a ocupação em Jurerê Internacional e verificará se há irregularidades. Caso sejam comprovadas, os responsáveis serão notificados e punidos com a retirada e multa por ocupação irregular.  "A responsabilidade por essa fiscalização é da União, dos Estados e dos municípios. Assim, cabe à prefeitura, à SPU e aos órgãos ambientais verificarem se a legislação está sendo descumprida e punir os responsáveis por eventuais descumprimentos", diz a nota.

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