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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Cadeirante é impedido de ir à escola por falta de infrastrutura em Florianópolis

Servidão Caminho do Arvoredo, no bairro Rio Vermelho, permanece intransitável aos pedestres e portadores de necessidades especiais

Aline Rebequi
Florianópolis

 

Guilherme, 7 anos, em época de chuva vai a escola somente três dias por semana

O primeiro dia de aula do estudante Guilherme Pereira, 7 anos, foi inesquecível neste início do ano letivo. Não porque ele entrou para uma escola nova ou porque fez mais amigos, mas porque caiu com a cadeira de rodas em um buraco repleto de água da chuva na servidão Caminho do Arvoredo, no Rio Vermelho, Norte da Ilha, onde mora há dois anos. A falta de infraestrutura da rua faz Guilherme perder ao menos duas aulas por semana. O menino fica decepcionado quando não pode ir à escola e a família já cansou de pedir providências para a Prefeitura de Florianópolis, ainda sem retorno.

Todas as manhãs Guilherme precisa travar uma luta contra a falta de infraestrutura da servidão. As aulas iniciam às 8h, mas muito antes disso ele já está se preparando para sua aventura diária. Quando o tempo amanhece chuvoso, o estudante sabe que não poderá sair de casa e que perderá mais um dia de aprendizado. A mãe do menino, Ana Pereira, conta que a servidão permanece intransitável quando chove devido ao volume de água que se acumula pelo chão batido na via. Assim, dia de aula só é aproveitado em dia de sol.

Nesta semana, com o início das aulas da rede pública municipal na segunda-feira, Guilherme acordou animado e queria de qualquer maneira chegar à escola. A mãe arriscou sair de casa mesmo com chuva. Para chegar até o ponto de ônibus os dois percorrem 900 metros a pé, são cerca de 20 minutos de caminhada. No meio de caminho a cadeira de rodas caiu em um buraco, molhando Guilherme e as pernas de Ana. O jeito foi voltar para casa e perder o primeiro dia de aula. “Ele ficou muito triste e desanimado. Tudo isso, atrapalha seu rendimento, afinal, já é difícil para ele acompanhar os demais e um dia perdido de aula não volta mais”, conta.

Muitos direitos, poucas conquistas

Se a lei federal 7.853/89, que estabelece os direitos básicos da pessoa com deficiência, tivesse efeito em bairros como o Rio Vermelho, Guilherme não faltaria mais as aulas. A norma fixa como direito básico a adoção e a efetiva execução de normas que garantam a funcionalidade das edificações e vias públicas aos portadores de necessidades especiais. Mas na prática, muitos direitos permanecem no papel. “Já sofremos mais, hoje temos o ônibus adaptado e a escola preparada para recebê-lo, mas do que adianta se não conseguimos chegar nem até o ponto do ônibus?”, questiona Ana Pereira.

Melhorias na servidão só para o segundo semestre

De acordo com o diretor de operações da Secretaria Municipal de Obras de Florianópolis, Antônio Simões, a servidão Caminho do Arvoredo tem projeto de recuperação e verba em torno de R$400 mil garantidas. No entanto, devido ao processo licitatório para escolha da empresa que concluirá a pavimentação de lajotas da via, as obras devem iniciar no segundo semestre. “Até o final deste ano a via estará completamente pavimentada e pronta para o uso dos moradores”, diz.

Atualizado às 12h24
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