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Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017
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Cachorro que esperou dono por 14 anos morre no Rio Tavares, em Florianópolis

Lobão era um dos personagem mais célebres do bairro

Aline Torres
Florianópolis

Se existe o céu dos cachorros, Lobão não vai para lá. O akita deverá encontrar seu dono, morto num acidente de carro, em outro céu depois de 14 anos de espera. É o que os moradores da servidão Vilmar Sotero de Farias, no Rio Tavares, falarão para suas famílias ao redor da mesa de Natal.

 

Arquivo/ND
Arquivo/ND
Lobão era conhecido no Rio Tavares, Sul da Ilha, onde sua história comovia a todos

 

A lealdade incomum nos homens tornou célebre o cão. Lobão, com sua pelagem de neve e cara de boa praça, conquistou muitas amizades no bairro - seladas com um prato de carne. Dificilmente alguém não se comovia com a história. Noite após noite esperava. Muitos tentaram adotá-lo. Sem êxito. A viúva do seu proprietário tentou carregá-lo com a mudança, mas Lobão saltou do caminhão.

Há muito tempo ele pertenceu a um homem, que teve o nome esquecido pela vizinhança, não por ele, que guardou mais que isso. Dormia na porta da casa que morou. Se convidado para entrar, recusava. Não queria abrigo, queria reencontro, que não aconteceu (não em vida, dizem por lá).

Lobão não é o único. O akita que todos os dias, no mesmo horário, esperava seu dono na estação de trem, virou lenda no Japão. O homem tinha morrido há 10 anos. Em Edimburgo, capital da Escócia, Bobby, um terrier, ficou conhecido no século 19 por cuidar do túmulo de seu dono, John Gray. Bobby tem uma estátua em Edimburgo.

Em Florianópolis, o akita não ganhou busto de ouro ou prata, mas um adeus ripongo pintado com tinta num poste de luz: “Paz e amor, Lobão”. O corpo foi enterrado no terreno de Adriano Peixoto. Sem cruz, porque o peludo não tinha religião, mas com flores para declarar o quanto era querido num cantinho do Sudeste da Ilha.

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