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Briga entre motorista de aplicativo e taxista em Florianópolis vai parar na delegacia

Confusão começou no Terminal Rita Maria e terminou em agressão no Centro; envolvidos fizeram o exame de corpo de delito nesta manhã

Redação ND
Florianópolis
29/06/2018 às 17H10
A motorista sofreu hematomas nos braços, pescoço, peito e pernas - RICTV Record/Reprodução/ND
A motorista sofreu hematomas nos braços, pescoço, peito e pernas - RICTV Record/Reprodução/ND


Uma motorista que trabalha para o aplicativo Uber e um taxista se envolveram em uma briga na noite desta quinta-feira (29) em Florianópolis. Os dois ficaram feridos e foram registrados Boletins de Ocorrência. Na manhã desta sexta-feira (29), os envolvidos fizeram o exame de corpo de delito. A Polícia Civil está acompanhando o caso.

De acordo com a motorista Daiana Dill, de 35 anos, ela estava no Terminal Rita Maria quando recebeu a chamada para uma corrida no Aeroporto Hercílio Luz. Ela fazia o retorno pela avenida Paulo Fontes em direção ao Ticen (Terminal de Integração do Centro), quando três taxistas, também saindo da rodoviária, começaram a persegui-la, relatou.

“Em todo o caminho eles tentavam me fechar, me empurrando contra a mureta do túnel Antonieta de Barros. Depois, quando parei em um semáforo, os três desceram dos carros e vieram para me agredir. Um me segurou pelo braço, outro querendo me dar soco e o outro discutindo”, disse Daiana.

O taxista Darci Muniz de Moura estava na rodoviária e observou a confusão. Ele contou que os taxistas estavam saindo do terminal rodoviário para se juntar a um grupo que fazia um protesto na Via Expressa Sul e, no caminho, tiveram uma discussão com a motorista. “Chegou esse rapazinho, foi falar com ela, ela soltou a boca nele. Ele foi para pegar ela também, daí que ela gritou ‘eu sou mulher’. Aí, ele se tocou e se afastou”, falou em entrevista à RICTV Record.

Daiana trabalha há 11 meses como motorista do aplicativo e disse que já havia recebido ameaças de outros taxistas - RICTV Record/Reprodução/ND
Daiana trabalha há 11 meses como motorista do aplicativo - RICTV Record/Reprodução/ND


Quando o semáforo abriu, Daiana contou que conseguiu sair com seu carro e os taxistas seguiram outro trajeto. Ela disse que, assustada, cancelou a corrida com o passageiro e retornou a um posto de combustíveis em frente à rodoviária para abastecer o veículo. Nesse momento, ela encontrou um dos taxistas no posto e foi questioná-lo sobre as agressões.

“Nós começamos a discutir no posto, até que entramos em vias de fato. Registrei um boletim de ocorrência e estive no IGP (Instituto Geral de Perícias). Contatei um advogado para vermos os trâmites legais, do que é possível ser feito. A assessoria jurídica da Uber também foi informada do fato”, afirmou ela, que trabalha há 11 meses como motorista do aplicativo.

Bruno da Silva Mattos, o taxista que se envolveu na briga, disse que teve um corte na cabeça e ficou com uma marca roxa no braço - RICTV Record/Reprodução/ND
Bruno da Silva Mattos, o taxista que se envolveu na briga, disse que teve um corte na cabeça e ficou com uma marca roxa no braço - RICTV Record/Reprodução/ND


Em entrevista à RICTV Record, o taxista que se envolveu na briga com Daiana, Bruno da Silva Mattos, disse que foi agredido por mais de 30 motoristas do aplicativo, que estavam no posto de combustíveis com ela. “Me derrubaram no chão, chutaram a minha cabeça. Fui acudido por um companheiro meu que conseguiu me tirar de lá. Tô com corte na cabeça, tô com um roxão no braço e foi isso que aconteceu”, contou.

Nos registros da Polícia Militar, consta que por volta das 21h15 uma guarnição chegou a ir ao posto de combustíveis onde aconteceu a discussão entre Daiana e Mattos, mas que os seguranças informaram que “houve um princípio de tumulto, porém a situação foi contornada”.

As agressões a Daiana motivaram a organização de um protesto com a participação de outros motoristas do aplicativo, que pedem mais segurança. A manifestação está marcada para começar as 18h desta sexta-feira, na Passarela Nego Quirido, com carreata pela Via Expressa Sul no sentido ao aeroporto.

Florianópolis não possui uma lei municipal que regulamente o serviço de transporte de passageiros. Um projeto de lei foi encaminhado para a Câmara de Vereadores pela prefeitura, mas foi arquivado. A administração municipal fez alterações no projeto original e o texto precisa ser analisado pelas comissões e ir a Plenário. No entanto, ainda não há data definida para apreciação e votação dos vereadores.

Sinditaxi orienta motoristas a não se envolver em brigas

Segundo Irandi de Oliveira, presidente do Sinditaxi (Sindicatos dos Taxistas de Florianópolis e Região), desde a chegada da Uber em Florianópolis a orientação é para que os taxistas não se envolvam em nenhum tipo de confusão ou discussão. “Eles têm os clientes deles, nós temos o nosso, lutamos para fazer o nosso serviço. Os motoristas de Uber estão nervosos porque o projeto foi para a Câmara. Nossa luta é tentar regulamentar o mais rápido possível, para apartar essa tensão”, disse.

Irandi ainda detalhou que a categoria discorda de alguns itens do projeto, “mas qualquer tipo de regulamentação é bem-vinda para sanar esse tipo de situação, que não é comum aqui em Florianópolis”. Ele disse ainda que espera que a proposta seja aprovada para que todos possam trabalhar igualmente. “Nós, taxistas, temos todos os ônus, mas eles [motoristas de aplicativos] trabalham livremente, só queremos uma concorrência leal”, finalizou.

>> Taxistas da Grande Florianópolis debatem regulamentação do transporte por aplicativos

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