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Quinta-Feira, 13 de Dezembro de 2018
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Brasileiros que moram no Egito temem guerra civil no país

Do Cairo e Alexandria, residentes acompanham com medo a escalada da violência durante a crise

Redação ND
Florianópolis

As vozes ao telefone soam apreensivas, quando não apavoradas. Brasileiros, parte do grupo de 362 que residem hoje no Egito, vivem dias de terror e medo à espera de uma guerra civil, segundo relatos ouvidos pelo R7, de cidadãos vivendo no Cairo e em Alexandria.

Casada com um egípcio, Susy da Silva conta que, desde o último sábado (29), evita sair à rua e teve que deixar sua casa no Cairo, próxima das manifestações e embates entre aliados e adversários do presidente Hosni Mubarak.

Temporariamente na residência de sua cunhada, Susy diz que ninguém mais confia nas forças de segurança, como a polícia e o Exército, e que a tensão aumenta cada vez mais.

- Esta terça [2] foi o dia mais crítico. Podemos ouvir os tiros lá fora e pessoas comuns saem carregando pedaços de pau, espingardas e até pistolas. Estamos nos sentindo como se estivéssemos em uma guerra civil.

O jovem estudante Luiz Felipe Fritz, radicado também no Cairo, disse que só se sente seguro dentro de casa. Há apenas três meses no Egito, ele teria começado no novo emprego nesta semana, porém a empresa cancelou o treinamento e ainda não sabe quando poderá voltar à vida normal.

Grávida de seis meses, outra brasileira que acompanha ansiosa os desdobramentos da crise política no país é Elaine Mogossi, que vive com o marido egípcio em Alexandria, o segundo maior ponto das manifestações.

- O clima está pesado e o Egito mergulha no caos. Parece uma guerra civil.

Segundo Elaine, correm notícias de que os focos de violência e saques são promovidos pelo próprio governo para desmoralizar o movimento pacífico contra o atual regime.

Uma reclamação comum dos brasileiros, ao R7, foi sobre a fraca assistência da Embaixada do Brasil no Egito aos que desejam deixar ao país. Elaine conta que listou pelo menos 25 vivendo em Alexandria e muitos procuram informações sobre como deixar o Egito em segurança.

- Quem quer ir embora tem que se virar por conta própria. Alguns conseguiram com a ajuda de outros países, como o Chile e Portugal, que estão oferecendo vagas que sobraram em aviões fretados pelo governo.

Após noites sem dormir e vivendo à base de tranquilizantes, Suzy afirma que deixaria o Egito caso fosse oferecido algum suporte do governo brasileiro.

- Gostaria de sair, mas acabei de voltar do Brasil com meu marido e estamos sem condições de pagar a passagem. Além disso, os aeroportos estão lotados e é muito difícil conseguir bilhetes por conta própria.

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