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Brasileiro conta detalhes de como foi a prisão e o momento de expulsão da Venezuela

Jonatan Moisés Diniz, 31, disse por meio das redes sociais que ficou preso em uma cela de oito metros quadrados, com mais oito venezuelanos

Redação ND
Florianópolis (SC)
09/01/2018 às 20H30

Após ser libertado e expulso da Venezuela, o gaúcho Jonatan Moisés Diniz, 31, que morou em Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense, utilizou novamente as redes sociais nesta terça-feira (9) para explicar como foi a prisão.

Diniz foi preso no dia 26 de dezembro por um homem que estava a paisana. “Me tirou da praia me ameaçando com a arma [...]. Ele fez diversas acusações falsas a meu respeito dizendo que eu era da CIA, que eu estava lá usando fotos de crianças da Venezuela para ganhar dinheiro a custa de outros”, explicou no post. Dois relógios e os óculos foram furtados pelo suposto policial, segundo o brasileiro.

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Ele disse que ficou preso em uma cela de oito metros quadrados, com mais oito venezuelanos. “Me fizeram ficar nu, não sei quantas vezes, e com quantos celulares tiraram fotos minha, inclusive mandaram ficar nu na frente de todos os detentos sem a mínima lógica na noite que cheguei [...]. O chefe geral do lugar falou para todos os detentos que eu tinha ligação com Oscar Perez e o grupo da Resistência na Venezuela (mais uma falsa acusação) para incentivar os presidiários a me odiar.

O gaúcho ficou 11 dias presos e afirmou que se recebeu comida dos colegas de cela. Também disse que não deixaram sair para banho de sol, proibiram de receber visitas ou fazer qualquer tipo de ligação. “Tentaram colocar terror psicológico falando que eu poderia ficar lá tanto um como mil dias, que ninguém havia me procurado e que ninguém nem se quer sabia de minha prisão”, conta.

Ainda segundo o relato de Diniz, ele foi obrigado a assinar o documento de expulsão do país por dez anos. A lei venezuelana determina que os estrangeiros pode ser expulsos do país se se violarem a segurança da população, a ordem pública ou cometerem delitos contra os direitos humanos. Pela Constituição os estrangeiros não têm direitos políticos, salvo em caso de obterem cidadania. Isso pode ser estendido para a participação em protestos, assim como no Brasil e em outros países da região.

“Mudaram meu voo do Brasil para EUA porque alegaram que eu deveria voltar de onde eu vim e não de meu país de origem, decidiram isso de última hora, não foi minha opção. Tomei meu voo direção Miami e logo direção Los Angeles, guardei segredo de minha localização simplesmente porque evito aparecer na televisão ou dar qualquer entrevista, os repórteres já sabem disso e mais uma vez porque jamais pedi ou quis ser famoso por nada, e nem se quer pedi reconhecimento de ninguém por meus atos, como já dito, quem quer ajudar de verdade alguém, não deve ajudar esperando algo em troca, você ajuda pelo simples fato de você querer ajudar”.

O número dois do chavismo, Diosdado Cabello, acusou o brasileiro de ser um espião na CIA. Cabello qualificou como ONG de fachada a Time to Change the Earth, que Diniz confirmou ter criado. Segundo o brasileiro, a iniciativa ainda estava no processo de abertura "não tivemos tempo hábil para abrir a mesma até o Natal e como com ou sem papel de ONG as crianças estariam de igual maneira morrendo de fome, decidi ir sem papel e fazer o mesmo trabalho que já havia feito entre maio e agosto, que nada mais era que auxiliar as ONGs venezuelanas já existentes quais eu conhecia e doava meu dinheiro, trabalho, imagem e tempo”.

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