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Domingo, 23 de Setembro de 2018
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Bovespa cai mais 8,08% e acumula perda superior a 32% este ano

Presidente Dilma diz que Brasil não vai tremer e que saída é o brasileiro manter o consumo, mas sem exagerar

Redação ND
Florianópolis
Alessandro Shinoda/Folhapress/ND
Bolsa de São Paulo chegou a cair mais de 9%, mas fechou com queda de 8,08%


O dia nos mercados financeiros foi de fortes quedas, como previsto por analistas desde a sexta-feira, na primeira sessão após a decisão da agência Standard & Poor's de rebaixar a nota de crédito dos EUA.

No Brasil, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve a pior queda desde outubro de 2008, enquanto nos Estados Unidos, o índice Dow Jones registrou a pior desvalorização desde dezembro do mesmo ano.

O dia foi marcado pela fuga dos investidores para ativos considerados mais seguros, como o ouro e até mesmo os agora rebaixados títulos da dívida norte-americana.
O Ibovespa, o termômetro dos negócios da bolsa paulista, caiu 8,08%, atingindo os 48.668 pontos. O giro financeiro foi de R$ 9,59 bilhões.

Nos Estados Unidos, o Dow Jones teve queda de 5,5%, para 10.809 pontos – a primeira vez que o índice saiu dos 11 mil pontos desde novembro de 2010.
O dólar comercial foi negociado por R$ 1,610, em alta de 1,44% no dia.

A mudança na nota dos EUA não representou uma total surpresa, mas foi anunciada em um momento em que os investidores já estavam nervosos com a fraca recuperação do país, os problemas de endividamento na Europa e o ritmo de crescimento do Japão, após o terremoto de março.

A queda nas bolsas começou na Ásia. A Bolsa de Seul, que chegou a cair 6,3% durante o dia, fechou esta segunda com baixa de 3,82%, a 1.869,45 pontos, seu menor nível desde outubro de 2010. O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio encerrou as operações em queda de 2,18%, a 9.097,56 pontos.

Os mercados europeus abriram mais tarde e também caíram, com Londres em baixa de 3,39% e Frankfurt desvalorizando-se em 5,01%.

Obama diz que mercados acreditam nos EUA
Ontem, o presidente Barack Obama afirmou que, apesar da redução da nota americana, os mercados ainda acreditam no crédito americano e que os EUA continuam um país seguro para os investidores.

"Não importa o que uma agência pode dizer, nós sempre fomos e sempre seremos uma nação AAA. Apesar de todas as crises que passamos, temos as melhoras universidades, as melhores empresas, e os mais inventivos empreendedores", disse Obama.

Na contramão
Ouro sobe 4,2%
O ouro, que os investidores tradicionalmente procuram quando querem um investimento seguro, subiu acima de R$ 1.700 a onça pela primeira vez na história nesta segunda. Considerados os ajustes de inflação, no entanto, o preço continua abaixo do recorde de 1980. O preço do metal subiu 4,20%, para US$ 1.718,00.

Dólar tem alta de 1,44%
A queda nas Bolsas de Valores mundiais ontem e a fuga dos investidores para ativos considerados seguros, levaram o dólar a fechar na maior alta desde outubro de 2010. O dólar comercial foi negociado por R$ 1,610, na venda, em alta de 1,44% no dia. Já o dólar turismo foi vendido por R$ 1,700 e comprado por R$ 1,540 nas casas de câmbio paulistas.
 
Dilma diz que Brasil não vai “tremer”
Como Lula em 2008, a presidente Dilma Rousseff pediu na manhã de ontem que o brasileiro não deixe de consumir, como forma de ajudar a proteger o Brasil da crise econômica internacional. Em entrevista no Palácio do Planalto, ela afirmou que não é um momento para "brincar e sair por aí gastando o que não temos", porque o Brasil não é "uma ilha isolada no mundo" e não está "imune" às turbulências econômicas do mundo. Ela disse que o consumo deve continuar porque o país não passa por "nenhuma ameaça".

Em 2008, a política adotada pelo governo Lula para reagir à crise internacional foi turbinar o consumo interno com isenções de impostos e ampliação de programas de redistribuição de renda. Ontem, a presidente fez um apelo para que todos os segmentos da sociedade tenham "muita tranquilidade, muita calma e nenhum excesso".

Dilma voltou a afirmar que o Brasil está em uma situação "muito mais sólida" do que em 2008, na última crise financeira. "É a segunda vez que a crise afeta ao mundo e é a segunda vez que o Brasil não treme. Vocês lembram muito bem como era no passado", disse ela. A presidente também reforçou que os bancos brasileiros, públicos e privados, estão "robustos" porque praticaram uma "política muito sóbria".
Dilma afirmou que o mercado interno é uma "grande vantagem" que o país tem.

"Estamos incentivando e tomando todas as medidas para que práticas de concorrências desleais não nos afetem", disse.

Ao final da conversa com os jornalistas, Dilma foi perguntada se a nova crise era também uma "marolinha" – termo utilizado por Lula em 2008 para se referir o efeito que a crise econômica daquele ano teria no Brasil. Ela riu e, em tom de brincadeira, disse que não se deixaria levar por provocações.

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