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Terça-Feira, 11 de Dezembro de 2018
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"Fui dormir mais cedo", diz programador sobre bloqueio do Whatsapp

Suspensão do serviço afetou a rotina de quem usa o aplicativo

Beatriz Carrasco
Florianópolis

Até o fim da noite de quarta-feira (16), o assunto no grupo de Whatsapp do qual participam o designer Daniel Werle, de 29 anos, e o programador Welinton de Rezende, de 18, era um só: o bloqueio do aplicativo em todo o país. Quando o serviço deixou de funcionar, Welinton resolveu deixar de lado o celular. “Por volta das 23h30 não funcionavam mais as mensagens, fui dormir mais cedo”, diz Welinton, que chegou a baixar outro aplicativo enquanto o Whatsapp ficou offline.

Débora Klempous/ND
"Se o Whatsapp parasse por muito tempo, ia me prejudicar", disse Daniel Werle (à esq.)


Para Daniel, o bloqueio do aplicativo mostra a fragilidade do Marco Civil da Internet e, a longo prazo, traria problemas para ele.

“Pessoalmente não me afetou muito, mas muita gente fica desesperada. A longo prazo, se o Whatsapp parasse por muito tempo, ia me prejudicar pois utilizado muito para mensagens e para ligações interurbanas”, comentou o designer.

Além de deixar as conversas com os amigos de lado por algumas horas, a recepcionista Eliane Oliveira, de 23 anos, também teve que buscar alternativas no trabalho para lidar com a falta do Whatsapp.

“Uso para quase tudo. No trabalho, uso para passar informações para o meu chefe. Como não voltou a funcionar pela manhã (de quinta), tive que ligar para ele e gastar meus créditos”, contou.

Enquanto o aplicativo não voltava a funcionar, o jeito era acessá-lo de tempos em tempos para verificar se o serviço já estava normalizado.

“Passei o dia olhando o celular para ver se voltava. Mas acho que tem que ter bom senso. Tem gente que usa o dia inteiro e é quase uma dependência”, opinou.

A reclamação dos usuários quanto ao bloqueio do Whatsapp não se restringiu apenas aos que usam o aplicativo para fins pessoais. Em um giro rápido pela praça XV de Novembro, no Centro de Florianópolis, foi possível encontrar duas pessoas que afirmaram que o trabalho seria prejudicado com a suspensão do serviço de mensagens.

“Eu trabalho em consultório e costumamos confirmar a agenda pelo Whatsapp”, disse Isabela Lavínia, de 18 anos, que é técnica em saúde bucal.

A vendedora Pamela Oliveira, de 28 anos, por sua vez, ficou preocupada sobre como seria a comunicação com os clientes. “Eu mando para os clientes fotos das peças de roupas, de promoções. Agora que chegou a época de Natal, temos que vender de qualquer jeito. Se até amanhã eu não mandar, acabam as peças e eu perco as vendas”, relatou.

José Vitor Lopes e Silva, advogado especialista na área e presidente da Comissão de Direito Digital de Santa Catarina, disse que no próprio contrato do Whatsapp não há garantia de que o serviço estará sempre funcionando.

Sendo assim, não é indicado estabelecer um negócio utilizando uma tecnologia que não oferece essa segurança. “É um risco muito grande e que se deve estar consciente. É o risco da pessoa, de utilizar uma ferramenta que não dá garantia e que não respeita as leis. O serviço pode sair do ar por problemas técnicos ou com a lei”, destacou.

Outro ponto importante destacado pelo advogado é o modo como as pessoas criaram uma dependência em excesso da tecnologia.

“E não só a dependência na tecnologia, mas em poucas tecnologias. A inclusão digital dos brasileiros é crescente, mas o que elas efetivamente fazem é muito limitado a redes sociais e comunicação direta. Não estamos sabendo utilizar a tecnologia ao nosso favor. Primeiro, ela não é um fim em si mesmo. Segundo, a falta de oferta de determinado serviço é substituída imediatamente por outra”, observou.

Em tempos de golpes e vazamento de imagens, Silva pede atenção especial aos usuários quanto à autopreservação e agilidade na abertura de um possível processo.

Segundo o advogado, as vítimas devem abrir a ação em até seis meses após o ocorrido, caso contrário, as possibilidades de resoluções diminuem consideravelmente, porque os dados se perdem.

“Não adianta fazer boletim de ocorrência, pois a nossa polícia não está preparada para isso. E não existe uma delegacia especializada em crimes eletrônicos em Santa Catarina, a população hoje está desassistida. O que os policiais fazem é digno de menção honrosa, porque não há qualquer qualificação oferecida pelo Estado, nós recebemos muitas ligações de delegados e policiais pedindo assistência”, relatou.

Segundo ele, os passos para o início de uma ação são simples: “preservar as vítimas, produzir as provas com ata notarial e não alertar o ofensor”, finalizou, dando as últimas orientações aos usuários.

“Não se deixe filmar, não se deixe registrar, e se fizer, não confie em ninguém para guardar esses registros. Se tiver que se comunicar com alguém, faça sempre pelo meio eletrônico, preferencialmente por email, porque deixa rastros”, falou.


Com informações do repórter Felipe Alves.

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