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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
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Biblioteconomia, um curso promissor que tem perfil jovem e profissionais gestores da informação

Curso da UFSC completa 40 anos e desde 1973 vem acompanhando as mudanças da profissão que tem importante influência da tecnologia

Letícia Mathias
Florianópolis
Daniel Queiroz/ND
Bibliotecárias da Knowtec conversam e jogam sinuca durante intervalo de trabalho

Quando Camila Meneghetti, 21 anos, se inscreveu para o vestibular da UFSC, imaginou que após se formar em biblioteconomia passaria os dias em uma biblioteca silenciosa e teria uma rotina pacata. Hoje, a bibliotecária trabalha oito horas por dia, atende mais de dez clientes e tem uma rotina agitada e dinâmica. O ambiente de trabalho é totalmente diferente do estereótipo comum.

No intervalo, entre um relatório e outro, ela e os colegas podem até se divertir jogando sinuca. Camila não mudou de profissão e há dois anos exerce exatamente as funções que aprendeu na graduação. A necessidade da gestão de informações do mercado atual é que ampliou as possibilidades do bibliotecário.

O curso de biblioteconomia da UFSC completa quatro décadas de ensino este ano. Mas, diferente de quando iniciou, o perfil da graduação atualmente é dinâmico e tem diferentes áreas de atuação.

As mudanças começaram a ficar mais evidentes nos últimos 15 anos, principalmente por causa da evolução da tecnologia, segundo a professora Magda Chagas, 55 anos, bibliotecária desde 1980. “Quando comecei a dar aula, em 1997, os alunos eram mais velhos do que eu. Hoje, são jovens e a maioria em seu primeiro curso de graduação”, diz.

O bibliotecário de hoje, além atuar nas bibliotecas, é ponto de referência nas empresas. Precisa estar inteirado de todos os setores, trabalha como articulador das informações e auxilia na pesquisa por soluções. O conceito da profissão é objetivo, tem como missão cuidar da informação e como função organizar, gerenciar, recuperar e disseminar o conhecimento. “É preciso desmistificar o papel do bibliotecário que ainda é visto como aquele quietinho, ou aquela senhora de óculos entediada pelo silêncio na biblioteca. A profissão é uma unidade viva que pulsa constantemente”, definiu Magda.

Débora Klempous/ND
Magda Chaves, bibliotacária desde 1980, acompanhou as mudanças da profissão

Informação para inovação

O acesso à informação está cada vez mais democratizado. A internet, os meios digitais e a tecnologia têm contribuído para este processo. Mas o gerenciamento dessas informações e a forma como lidamos com elas é que fazem a diferença. Como chegar ao objetivo de maneira prática, onde e de que maneira buscar as informações com eficácia? Os bibliotecários têm a resposta.

De uma equipe de 14 técnicos especialistas da empresa Knowtec, em Florianópolis, nove são bibliotecários, entre eles Camila Meneghetti. A empresa trabalha com a coleta estratégica de informações, pesquisa e análise de mercado para promover inteligência competitiva e inovação.

O grupo oferece consultoria a diferentes setores, do ramo calçadista ao agronegócio. A função dos bibliotecários neste processo é realizar pesquisas constantes e entregar informações que influenciem e até determinem decisões. “Nosso trabalho consiste em saber antes, levar a informação antecipada ao cliente”, conta Camila.

O lema é reunir, organizar e entregar a informação. O produto final pode ser entregue de diferentes maneiras: páginas escritas, infográficos ou arquivos digitais. O modelo dependerá da escolha do cliente, de qual método considera mais eficaz para absorver a informação. O bibliotecário pode trabalhar com qualquer coisa que precise de síntese, tudo é feito para otimizar o tempo do cliente, pesquisador ou consultor. “Informação tem em todo lugar, mas não é organizada. Nós fazemos este filtro”, explica Maria Carolina Silva, 25 anos, integrante mais antiga dos bibliotecários da Knowtec, há sete anos na empresa. Ela queria fazer TI, mas encontrou na biblioteconomia uma maneira de trabalhar com novas tecnologias e até no auxílio do desenvolvimento de softwares com pesquisas.

Débora Klempous/ND
Guilherme Pereira passou por bibliotecas, mas quer trabalhar com redes sociais

Novos profissionais enxergam carreira promissora

Guilherme Pereira, 22 anos,concluiu a graduação em biblioteconomia há duas semanas. Assim como Camila Meneghetti, ele optou por biblioteconomia despretensiosamente, por causa do gosto pela leitura. Hoje tem certeza que escolheu a profissão certa. “Assim que os alunos começam a entender melhor a profissão acabam gostando mais dela do que quando fizeram a opção no vestibular além de ver que é possível viver bem financeiramente”, opinou.

Ele já trabalhou em bibliotecas, passou por estágios e até gostou das funções que exerceu, mas não consegue se imaginar sem as plataformas digitais. Por isso pretende trabalhar com o monitoramento de redes sociais até conquistar uma vaga em um concurso público. “O suporte digital só nos ajuda. Muita gente acha que tirou o nosso emprego, mas foi justamente ao contrário, os profissionais de TI e biblioteconomia se integram”, afirma.

O CURSO
Informações da biblioteconomia na UFSC

Duração: oito semestres
Vagas: 40 por semestre (80 por ano)
Candidatos/vaga: 1,5 a 1,8 nos últimos três vestibulares
Salário médio do bibliotecário: R$ 2.000 (início de carreira)

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