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Bebê morre após trabalho de parto em barraco de vítimas de incêndio em SP

Grupo de cerca de 30 famílias segue acampado em frente aos escombros do edifício que desabou na capital paulista

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
07/06/2018 às 12H57
Prédio desabou na madrugada de terça-feira, no largo do Paissandu - Rovena Rosa/Agencia Brasil/Divulgação/ND
Prédio desabou na madrugada de 1º de maio - Rovena Rosa/Agencia Brasil/Divulgação/ND


MARTHA ALVES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma moradora do acampamento de sem-teto no largo do Paissandu, no centro de São Paulo, entrou em trabalho de parto, e o bebê morreu logo após o nascimento, no início da noite desta quarta-feira (6). Um grupo de cerca de 30 famílias montou barracos diante dos escombros no local logo após o incêndio e desabamento do prédio do edifício Wilton Paes de Almeida, na madrugada de 1º de maio.

A gestante começou a sentir fortes contrações e entrou em trabalho de parto no acampamento no final da tarde. O pai da criança pediu ajuda a policiais militares, que acionaram o resgate. Um médico voluntário que estava próximo ao local prestou os primeiros atendimentos até a chegada do socorro, e ela foi levada ainda em trabalho de parto à Santa Casa de São Paulo.

O bebê nasceu no início da noite dentro da ambulância a caminho do hospital. Segundo a Polícia Civil, o médico notou que a criança estava roxa e aparentemente sem vida. No hospital, foi constatado que o bebê estava morto. A mãe permanecia internada.

A situação no acampamento é precária. Não há banheiros públicos por perto, e as mães enfrentam uma peregrinação pelos bares do entorno quando as crianças ficam apertadas. Na hora do banho, as mães também recorrem a outros prédios ocupados no entorno.

Nesta quinta (7), o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), afirmou que a gestante havia sido cadastrada pela prefeitura para receber auxílio-aluguel, no entanto, o poder público não pode obrigar ninguém a sair do largo em que o acampamento foi montado.

“A gente presta solidariedade antes de tudo: à mãe, Jacqueline, e ao pai, Rafael. O pai, inclusive, aceitou por um tempo o abrigo pela prefeitura. Não constavam os nomes deles no levantamento feito pela Secretaria de Habitação em março. Entretanto, eles foram autorizados a receber auxílio-aluguel, são uma das famílias que recebe a partir de hoje o auxílio", disse Covas.

"Gostaria de mais uma vez pedir a ajuda e a colaboração de todos para que a gente possa convencer todas aquelas pessoas a aceitarem o acolhimento. Aquela condição é a mais inadequada para que eles fiquem. A prefeitura não tem nenhuma autorização legal para obrigá-los a sair de lá”, completou.

Desde o incêndio e queda do prédio de 26 andares, quando sete pessoas morreram e outras 455 ficaram desabrigadas, segue indefinida de quem é a responsabilidade sobre o destino das famílias que se recusam a ir para abrigos da prefeitura e continuam acampadas diante dos escombros.

A Promotoria de Infância de Juventude do estado, por exemplo, a quem cabe acionar o Judiciário para resolver a situação das crianças que vivem em situação precária, demorou quase duas semanas para se manifestar. Quando o fez, no último dia 14, atribuiu o papel de avaliar o grau de vulnerabilidade das crianças aos conselheiros tutelares que atuam na região. Estes, por sua vez, relatam dificuldades em atuar em meio às famílias, que temem terem os filhos retirados a força pelos agentes.

O resultado disso é um jogo de empurra. As famílias recusam a ir para abrigos enquanto não receberem as primeiras parcelas de R$ 400 do auxílio-aluguel prometido a elas, a serem pagas pelo estado por um ano e depois pela prefeitura, até que recebam uma moradia definitiva. Não há, porém, prazo nem certeza do recebimento da casa.

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