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Terça-Feira, 11 de Dezembro de 2018
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Banco Redondo, referência no Centro de Florianópolis, causa confusão para quem vem de fora

O marco geográfico fica entre a avenida Mauro Ramos, a rua Vitor Konder e a Altamiro Guimarães

Roberta Ávila
Florianópolis

Entre os símbolos de Florianópolis estão a ponte Hercílio Luz, o sotaque de quem termina as frases com um “não tem?”, chama a todos de “quirido” e “nêga” e pede uma definição com “se quéx, quéx; se não quéx dix”. Até Paul McCartney, quando fez show na Capital, em 2012, saudou os manezinhos com um “olhólhó”, mas mal sabia Paul que ser ilhéu mesmo vai além das gírias do manezês e passa pelo conhecimento de referências geográficas curiosas como o banco redondo, da praça Etelvina Luz, no Centro da Capital.

 

Débora Klempous/ND
Débora Klempous/ND
O Ipuf não tem informações sobre a origem do banco 

 

O gaúcho Nilo Delúcia Ferreira, 71, mora em Florianópolis desde 1995. Começou trabalhando com a venda de equipamentos odontológicos e não conhecia nada na cidade,  andava sempre de mapa em punho. Um dia, procurando o consultório de um dentista, pediu informação e lhe disseram:“É logo ali, depois do banco redondo”. Seu Nilo foi e voltou procurando o tal banco, pensando que fosse um prédio arredondado, e teve que pedir informação de novo para achar o banco.

“Quando me disseram que era esse da praça do lado da Mauro Ramos pensei: “Puxa, mas não é um banco financeiro, então?”.

A surpresa de seu Nilo é a mesma de todo mundo que se muda para Florianópolis e um dia se depara com essa referência geográfica: o tal do banco redondo. A praça, que fica em frente à casa onde o governador Hercílio Luz morou até 1924, foi nomeada em homenagem à mulher dele, Etelvina. Mas até as placas do local informam: praça Etelvina Luz (Banco Redondo).  

Há 12 anos Nilo é dono da padaria Doce Mania, na rua Vitor Konder, que existe no local há 40 anos e fica a cerca de 20 metros do banco redondo, que hoje também virou referência para seu Nilo. Quando alguém pergunta a ele onde fica a sua padaria, ele não diz que é na rua Vitor Konder, nem que é perto da avenida Mauro Ramos e da rua Altamiro Guimarães. Ele diz que é pertinho do bando redondo. 

Foi assim também com Maria Ribeiro de Souza e Franciele Hellman, funcionárias da lavanderia Lav & Lev, da avenida Mauro Ramos, e com dona Tereza, zeladora da igreja da paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Todas elas, vindas de outras cidades, um dia pensaram que o banco redondo era um prédio redondo, que sediasse uma instituição financeira. Hoje, todas usam o banco como ponto de referência. Ele é local de descanso para os funcionários do cabeleireiro Sheron Delcroix, da rua Vitor Konder, que passam ali de tarde para tomar um chimarrão ou fumar um cigarro e também para quem caminha pela região. A manicure Bárbara Helena Martins acredita que o banco nunca vai poder sair dali, é o point da galera.

“Tem muita gente que passa por aqui. Vira e mexe, tem alguém que pergunta onde fica o banco redondo e a gente fala: É esse aqui”, aponta a manicure.

O banco também é ponto de encontro para os frequentadores do Bar do Banco Redondo, que, segundo o dono atual, Claudenir Lunelli, conhecido como Big, já existe no local há uns 20 anos. Os fregueses usam as mesinhas com tabuleiro de xadrez da praça como apoio para copos de cerveja e para colocar a conversa em dia.

“O banco tem uma tradição de 50 anos”, afirma Claudenir.

Origem é desconhecida

O Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) não tem informações sobre a origem do banco redondo. Como não se trata de uma construção tombada, o Ipuf não tem a história preservada do local. Os funcionários do órgão até têm dúvida sobre quem colocou o banco na praça Etelvina Luz. Teria sido a prefeitura? Os taxistas que antes tinham ponto no local? Os comerciantes da região? Não se sabe. Mas pergunte a qualquer manezinho desde quando ele está ali e a resposta será: “Desde sempre”.

O banco até foi eleito uma das Sete Maravilhas do Mundo Mané, concurso criado pelo publicitário Fernando Pascale, em 2011, em uma comunidade na rede social Orkut, no embalo da eleição das Sete Novas Maravilhas do Mundo, que foi realizada em 2005. O banco ficou em terceiro lugar, com 10% dos votos. Perdeu para a réplica da Estátua da Liberdade, das lojas Havan, e para a praça do pedágio, em Palhoça.

É provável que quem colocou o banco na praça, em volta do lindo flamboyant vermelho que enche o chão da pracinha de flores nesta época do ano, não imaginasse que um dia ele seria uma referência tão conhecida quanto o paredão da avenida Hercílio Luz, que, na verdade, não é uma parede grande, mas vários prédios; ou o Fórum de Florianópolis, o chamado marmitão, que é um prédio redondo, que ninguém chama de redondo, porque ele tem mesmo é o formato de uma marmita. Coisas de Florianópolis.

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