Publicidade
Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 24º C
  • 18º C

Baleia e filhote correm risco no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis

Rede de pesca está presa na cabeça da mãe. Bancos de areia e embarcações ameaçam animais na baía sul

Viviane de Gênova, Fábio Bispo
Florianópolis

Corrigida às 19h40.


Uma baleia franca e um filhote estão desde sexta-feira (23) na baía sul, a alguns metros da costa do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis. A mãe tem uma rede de pesca presa na cabeça. Bancos de areia e embarcações ameaçam os animais. "Esse local é bastante raso e perigoso para elas. É preciso deixá-las tranquilas para que consigam atravessar o canal da barra sul", disse a bióloga Karina Groch, diretora do Projeto Baleia Franca, que está monitorando as baleias com apoio do Corpo de Bombeiros.

:: Baleia e filhote aparecem próximo à ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. Assista ao vídeo

:: "É extremamente raro", diz bióloga sobre a presença de baleias próximas à ponte Hercílio Luz

Marco Santiago/ND
Remoção só deve ser feita se rede oferecer risco ao animal, segundo bióloga


Segundo Karina, a observação embarcada deve ser evitada. Ela é proibida desde 2013 nos limites e zona de amortecimento da APA da Baleia Franca, entre o extremo sul do litoral catarinense e o sul da Ilha de Santa Catarina. 

De acordo com o Instituto Sea Shepherd, ONG ambiental atuante no litoral de Santa Catarina, antes da proibição houve casos de embarcações desrespeitando a distância de 100 metros que era então a norma. E também relatos de turistas de observação tocando nos animais. Um vídeo na página do instituto mostra um filhote vítima de abalroamento.

No Ribeirão da Ilha, pescadores podem ajudar retirando eventuais redes de pesca da rota dos animais para a barra sul. Na quinta-feira mãe e filhote foram avistados perto da ponte Hercílio Luz e precisaram da ajuda do GBS (Grupo de Busca e Salvamento) para se soltar de uma rede de pesca — parte da rede continuou presa na mãe.

“Nessa situação de redes tem um protocolo a seguir. É preciso monitorar para verificar se não está prejudicando o animal. A retirada das redes é algo complicado e só deve ser feita se oferecer risco de vida para o animal”, afirmou a também bióloga Gabriela Godinho, do Instituto Baleia Franca.

Para a dona de casa Vilma Lucas da Cunha, a emoção de ter duas baleias no quintal só não é maior que a tristeza em pensar no filhote com a rede enrolada (isso antes de ficar esclarecido que era a mãe, na verdade, quem tinha a rede). 

“É um privilégio ver as baleias assim aqui no Ribeirão, onde nunca haviam aparecido. Mas é preciso salvá-las”, afirmou.

Marco Santiago/ND
Moradores do Ribeirão conseguem ver animais da janela de casa


Sem saber que estava colocando os animais em risco, o ator gaúcho Victor de Carvalho Tombesi, de 24 anos, foi um dos que se aproximaram da mãe e do filhote na baía sul. Ele foi com o pai, de caiaque, bem perto das baleias.

“A ansiedade era maior para vê-las. O tamanho surpreende. É um momento muito emocionante", afirmou. 

Segundo o comandante dos bombeiros na área, tenente Fernando Ireno, o filhote está nadando normalmente ao lado da mãe.

“Iríamos lá [neste domingo, dia 23] para ver o que aconteceu, mas acreditamos que o socorro não foi necessário", disse.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade