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Baixada do Maciambu renasce com retirada de árvores exóticas

Projeto de recuperação retirou 30 mil árvores exóticas do Parque Estadual da Serra do Taboleiro

Everton Palaoro
Palhoça
03/06/2018 às 15H11

Um projeto de recuperação ambiental já retirou mais de 30 mil árvores exóticas da Baixada do Maciambu, em Palhoça. O trabalho começou há 12 meses e pretende remover espécies que não são nativas, como o pinus. Por não serem originárias da mata atlântica, elas impedem o desenvolvimento do ecossistema e atrapalham o ciclo de vida dos animais. A iniciativa é da Arteris Litoral Sul, como compensação das obras de implantação do Contorno Viário da Grande Florianópolis.
A área recuperada pelo projeto Viva Restinga faz parte do Parque Estadual da Serra do Taboleiro, a maior unidade de preservação em território catarinense. Implantado em abril de 2017, o projeto já retirou 32.404 árvores. Ao todo, 15 profissionais trabalham diretamente na recuperação.
Segundo o biólogo Felipe Vale, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), a fase de controle de regeneração é uma das etapas mais complicadas. “Para fazer o trabalho de supressão das exóticas usamos técnicas como o corte na base, o anelamento de algumas árvores selecionadas para formação de poleiros secos (que funcionam como abrigo de animais) e o arranquio manual de árvores ou arbustos de pequeno porte, todas as técnicas junto com um detalhado monitoramento para evitar possível rebrota”, detalhou.
Daniela Bussmann, coordenadora de Meio Ambiente das obras do Contorno, diz que o Viva Restinga é um dos mais importantes projetos entre todas as ações que englobam os 13 programas ambientais executados no âmbito das obras da nova rodovia. “Nossa expectativa para 2018 é iniciar em breve o plantio e que essas mudas se desenvolvam para recompor o local, tão necessário para o equilíbrio do Meio Ambiente da região”, destacou Daniela. O trabalho deve durar seis anos, sendo três para garantir que as mudas platadas conseguiam chegar a fase adulta.

Sementes coletadas na área viram mudas em viveiro

O reflorestamento da Baixada do Maciambu será feito com plantas nativas. A equipe do projeto Viva Restinga trabalha no desenvolvimento das mudas. São 6.807, todas cultivadas no viveiro, a partir de sementes nativas coletadas na área.
Segundo o biólogo Felipe Vale, o trabalho consistiu em catalogar 251 árvores matrizes, que compõem 34 espécies nativas da restinga. Até o momento, 136 coletas já foram realizadas, representando 33 espécies.
Todo esse cuidado se deve a possibilidade da contaminação do ecossistema.“A coleta de sementes de matrizes do próprio Parque Estadual da Serra do Tabuleiro é uma medida adotada para que as mudas usadas sejam autóctones, ou seja, que ocorrem naturalmente no local, evitando a introdução de genes não compatíveis aos existentes na região ou até mesmo subespécies de um de determinado gênero”, destacou o biólogo Felipe.
O Viva Restinga faz parte das medidas de compensação pela implantação do Contorno Viário da Grande Florianópolis. Ele é desenvolvido em conjunto com a Fatma (Fundação do Meio Ambiente). A nova rodovia terá 50 quilômetros de pista dupla, passando por Governador Celso Ramos, Biguaçu, São José e Palhoça e, segundo estudos da concessionária Arteris Litoral Sul, irá desviar 20% do tráfego da BR-101 na região da Capital Catarinense. A obra é considerada importante não só para a região da Grande Florianópolis, mas também para toda região Sul do país e para Mercosul.

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