Publicidade
Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 17º C

Após alerta nacional, Dive diz que cobertura vacinal contra polio é de 78% na Capital

Diretoria de Vigilância Epidemiológica afirma que doenças como poliomielite e sarampo podem voltar se as pessoas não se imunizarem

Andréa da Luz
Florianópolis
05/07/2018 às 16H37

Uma nota divulgada pelo Ministério da Saúde indicando que 312 cidades do Brasil estão com o índice de vacinação contra a poliomelite abaixo de 50%, quando a meta é de 95%, deixou os municípios em estado de alerta. Florianópolis é uma das oito cidades catarinenses citadas no relatório. Porém, segundo a gerente da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) da Secretaria de Saúde da Capital, Ana Cristina Vidor, o dado está incorreto. "Florianópolis fechou o ano de 2017 com 78% de cobertura vacinal contra a polio. Ainda assim, estamos preocupados porque essa não é a meta", diz.

Filho de Matheus Bertuzzo recebeu ontem a dose oral contra rotavírus, no posto de saúda da Trindade - Marco Santiago/ND
Filho de Matheus Bertuzzo recebeu ontem a dose oral contra rotavírus, no posto de saúda da Trindade - Marco Santiago/ND


A gerente conta que os índices de vacinação vêm caindo nos últimos dez anos, por motivos como aumento da recusa e baixa procura da população. "Muitas pessoas que seguem um estilo de vida mais natural associam as vacinas à medicação e preferem adotar práticas alternativas de saúde, optando por não se proteger dessa forma", avalia Ana Cristina. Ela afirma que isso acontece principalmente no Sul e no Leste da Ilha, onde as coberturas vacinais são mais baixas.

Outro motivo apontado pela gerente da Dive seria o aumento das fake news que circulam nas redes sociais. "Há boatos dizendo que a vacina provoca doenças ou que têm grande concentração de mercúrio, coisas desse tipo. Algumas pessoas se sentem inseguras e acabam não vacinando", afirma.

Para tentar reverter o quadro, a Dive adota algumas ações. As principais envolvem a conscientização das pessoas por meio da mídia e das equipes de Saúde da Familia. Essas últimas trabalham na tentativa de identificar crianças não imunizadas e fazer com que as famílias partipem das campanhas. "Aproveitamos campanhas como a da Influenza para estimular as pessoas a tomar a tríplice viral, por exemplo, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba e outras campanhas para colocar em dia o calendário vacinal", explica Ana Cristina.

Ela lembra que também é importante a parceria com escolas, principalmente as de educação infantil. "A vacinação continua acontecendo em algumas creches, a gente costuma fazer a da

polio nas escolas porque na forma de gota é facil de vacinar. As injetaveis já precisam de um ambiente específico, mas contamos com a parceria das escolas e aconselhamos a exigir a caderneta de vacinação no ato de matrícula para ajudar na identificação dos não imunizados", diz.

Além da Capital, outras sete cidades catarinenses foram citadas no relatório do Ministério da Saúde: Palhoça, Anitápolis, Pedras Grandes, Pomerode, Major Gercino, Palmeira e Cunhataí. De acordo com dados divulgados pelo órgão, em todo o Brasil são 312 cidades onde o índice ficou abaixo dos 50%.

Doença erradicada

Mesmo com 78% de alcance, os dados de Florianópolis também são preocupantes. Embora a poliomelite esteja erradicada no Brasil desde 1990 e o país seja considerado área livre do poliovírus selvagem - que causa a doença -, desde 1994, o Ministério da Saúde adverte que é necessário manter a cobertura acima de 95%. A polio, assim como o sarampo, é transmissível de um indivíduo para outro, daí a importância de se imunizar.

A vacina contra a polio é feita ao longo da vida. São três doses antes do primeiro ano e mais as campanhas anuais para crianças menores de cinco anos de idade. Adultos não tomam essa vacina, a não ser em casos muito específicos, segundo a Ana Cristina Vidor.

A imunização é feita de forma injetável no primeiro ano de vida e pela gotinha, nas campanhas anuais. "A forma injetável protege apenas a criança, mas a gotinha protege a família inteira, por isso é importante a campanha anual", reforça a gerente da Dive.

Matheus Bertuzzo, 28 anos, levou seu bebê de dois meses para vacinar no posto de saúde da Trindade. Ele é contra deixar de imunizar as crianças. "Sempre fui vacinado e nunca me aconteceu nada de grave, então não tem porque não dar a vacina. Não dá para deixar o pior acontecer. Vejo muito mais benefícios do que custo em vacinar", finaliza. O bebê recebeu a dose oral contra rotavírus e três doses injetáveis: a Pneumo 10 contra pneumonia, a VIP (Vacina Inativada Poliomielite) contra paralisia infantil e a pentavalente (que protege contra difteria, coqueluche, tétano, meningite tipo B e hepatite B).

Matheus Peruzzo, 28 anos, com bebê de dois meses, diz que não vê motivos para não vacinar as crianças - Daniel Queiroz/ND
Matheus Bertuzzo , 28 anos, com bebê de dois meses, diz que não vê motivos para não vacinar as crianças - Daniel Queiroz/ND


Preocupação com o sarampo

Segundo a gerente Ana Cristina Vidor, apesar da preocupação com a polio, os riscos são ainda maiores em relação ao sarampo. "Somente no ano passado foram registrados 8.000 casos de sarampo na Europa, e há um surto da doença no Japão. Na Rússia, também não está erradicada", afirma.

Com a grande circulação de pessoas pelo mundo, não é preciso muito para criar um alerta. "Estamos falando disso há um bom tempo, mas as pessoas não dão importância. Porém, o quadro está mudando com os casos recentes na Venezuela e a entrada da doença com a chegada de venezuelanos no Norte do Brasil", aponta.

Manaus e Roraima já registraram casos da doença. "Com a entrada dos imigrantes pelo Norte do país, o vírus veio junto. Se alguém vier de lá para Florianópolis corre o risco de o vírus se propagar aqui também, entre a populaçao não vacinada", explica. Além do Norte, o Estado do Rio de Janeiro analisa um possível caso de sarampo e o Rio Grande do Sul já teria um caso confirmado, segundo Ana Cristina.

A Dive está emitindo o terceiro alerta este ano contra o sarampo, principalmente com foco nos profissionais de saúde, para orientá-los na identificação dos sintomas. As informações são disponibilizadas no site da secretaria municipal de Saúde.

Ana Cristina lembra que a próxima campanha nacional de vacinação contra a poliomelite vai de 6 a 31 de agosto e o município deve aproveitá-la para oferecer reforço contra o sarampo. A vacinação contra o sarampo inclui uma dose com um ano de idade (na tríplice viral) e outra aos 15 meses (pentavalente). Adultos também podem ser vacinados.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade