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Avaí e Figueirense travam duelo de números fora das quatro linhas

Balanços de Avaí e Figueirense mostram que as finanças da dupla evoluíram, mas ainda estão longe do nível dos maiores clubes do país

Redação ND
Florianópolis

Fernando Mendes/ND
Claudio e Leonardo planejam ações para fortalecer finanças de Avaí e Figueira


Daniel Cardoso

Especial para o Notícias do Dia

Às vésperas de começar a Série A do Campeonato Brasileiro, Avaí e Figueirense travam um duelo fora das quatro linhas, mas que continua intimamente ligado aos resultados em campo. Os dois times divulgaram recentemente seus balanços financeiros. Neles, percebe-se que os gols marcados nos jogos não só inflamam as torcidas como se convertem em comemorações no campo financeiro.
O Avaí, que entra no terceiro ano consecutivo na elite do futebol, teve uma receita total, no ano passado, de quase R$ 32 milhões, valor 89% maior que a do rival (R$ 16,8 milhões), que passou duas temporadas na Série B, onde os recursos são mais escassos. Somente com a parcela da Série A, o Leão da Ilha embolsou R$ 8 milhões, e ainda teve os louros das participações da Copa do Brasil e Sul-americana. Juntas, elas renderam mais R$ 1 milhão.
“A cada ano que passa aumentam as nossas fatias nas competições. Neste ano, não estamos na Sul-americana, mas a parcela que recebemos com a Copa do Brasil, até agora, praticamente empata com a soma das duas competições em 2010”, comemora Cláudio Vicente, superintendente administrativo do Avaí.
Mas o orgulho das contas do Avaí mora nas arquibancadas. O grito da torcida também ecoa nos balanços do clube. E com força. Os sócios da Ressacada levaram aos cofres R$ 7,2 milhões, transformando-se na segunda maior fonte de receita avaiana.
Neste quesito, o Figueirense obteve R$ 4,9 milhões. No entanto, quer alcançar o rival. O Alvinegro planeja empatar o jogo e atingir 15 mil mensalistas adimplentes até dezembro, meta igual a do rival. Os associados são garantia de uma receita permanente ao clube e menos vulnerável em relação aos resultados dos times ao longo do ano.

Cotas de TV ajudam a engordar o caixa
Além de resgatar o prestígio junto à torcida com o retorno à Série A, o Figueirense também espera recuperar as gordas receitas que chegam pela televisão. O clube projeta que a parcela que lhe cabe ficará em torno de R$ 9 milhões. Além disso, acredita que voltará a ganhar dinheiro com a negociação dos jogadores.
“A partir de março de 2010, quando a nova diretoria assumiu, não tínhamos atletas que podiam ser vendidos para nos ajudar a fazer caixa. Ao longo do ano, refizemos contratos antigos e formulamos novos para adquirir direitos econômicos. Em 2011, a negociação de jogadores será mais uma importante fonte de receita”, afirma Leonardo Moura, diretor do alvinegro.
Com isso, o clube espera ter uma receita total de R$ 33 milhões. Já a projeção do Avaí está entre R$ 31 milhões e R$ 40 milhões, dependendo do sucesso na venda de jogadores, dos resultados e da negociação dos direitos de transmissão.
Os valores, apesar de otimistas, revelam a missão gigantesca que a dupla da Capital enfrentará para permanecer na primeira divisão, já que os adversários têm muito mais poder de fogo. Só nas vendas de patrocínio na camisa, o Corinthians arrecadou cerca de R$ 50 milhões. No total, o Timão embolsou R$ 173 milhões (3,5 vezes mais do que Leão e Furacão juntos atingiram no ano passado). É Golias contra Davi.

Arena + escolinhas + novos produtos = mais dinheiro
Diante do desafio de encarar clubes mais estruturados, equipes milionárias e orçamentos imensos, o Leão da Ilha e o Furacão elaboram estratégias para ficarem menos dependentes do dinheiro que só entra com vitórias em campo. A má campanha no Campeonato Catarinense, por exemplo, desfalcou os dois times para 2012, que ficarão sem a importante verba disponibilizada para quem disputa a Copa do Brasil.
A ideia, agora, é se cercar de outras fontes de receitas que não estejam sujeitas a lesões ou erros de arbitragem.
O Figueirense reelaborou o projeto de uma nova arena. Pelos planos, o Orlando Scarpelli deixaria de ser apenas um estádio. Seria um shopping, um local de eventos, um estacionamento, um edifício para alugar espaços comerciais e, em alguns dias do mês, também abrigaria jogos de futebol. É possível? Sim, mas difícil.
O orçamento da obra ainda não está fechado. Porém, segundo Leonardo Moura, o preço final dificilmente ficaria abaixo dos R$ 200 milhões.
“Estamos em busca de parceiros e investidores que nos ajudem a erguer a arena. É um projeto audacioso e que pode nos dar muitos resultado e até vir a ser a nossa principal fonte de receita”, prevê Moura.
Se conseguir dinheiro é o problema, a localização do estádio é a grande vantagem. A sede do Figueirense fica em uma região movimentada, com muito comércio e próximo de construções residenciais.
O Avaí sonha em construir um complexo na Ressacada, que inclui um hotel, arena multiuso, shopping e até academia. Além disso, quer ampliar o número de escolinhas licenciadas e aumentar de 2 mil para 3 mil os produtos com a marca do clube.
“A ideia é transformar a relação com o torcedor em algo mais amplo, que seja muito mais do que a questão do campo”, ressalta Cláudio Vicente.
Para os próximos anos, a prioridade é concluir o anel superior, aumentando a capacidade do estádio para 32 mil torcedores.

Prejuízos embolam o meio-campo
Para conseguir crescer e arrecadar ainda mais, os clubes da Capital precisam resolver um problema crônico. O chamado passivo circulante (obrigações que devem ser pagas em curto prazo) da dupla é pelo menos 10 vezes maior que o ativo (patrimônio que pode ser convertido em dinheiro rapidamente para pagar contas).
O déficit acumulado em 2010 também não empolga a torcida. Na diretoria azul, a conta está no vermelho em cerca de R$ 20 milhões. Já no Alvinegro, o resultado negativo foi de R$ 14 milhões, o dobro do ano anterior. O desempenho foi resultado direto da estratégia do Figueirense em priorizar os gastos em campo para retornar à Série A.
Segundo o administrador de empresas Marco Goulart, essa situação pode dificultar ambos os times a conseguir empréstimos em banco ou mesmo em parcerias privadas para tocar projetos importantes.
“Quando uma empresa, por exemplo, está endividada, a tendência é conseguir financiamento caro e com parcelas a serem pagas no curto prazo. Isso torna as finanças ainda mais apertadas e exige muita habilidade dos dirigentes”, opina Goulart.
Por outro lado, os clubes dizem estar tranquilos quanto ao déficit. Segundo eles, o dinheiro proveniente da permanência na Série A deixará o caixa mais forte para sanear as dívidas e as receitas oriundas da Timemania são canalizadas pouco a pouco para o pagamento de impostos.

Produtos licenciados também são fonte de renda
Mesmo com as dificuldades enfrentadas, os rivais são considerados exemplos de boa gestão. Afinal, que outra cidade do porte de Florianópolis consegue manter dois times em um dos campeonatos mais disputados do mundo?
Segundo Thiago Mansur, presidente do IBME (Instituto do Brasileiro de Marketing Esportivo), houve uma evolução muito grande na gestão de marketing de alguns anos para cá. Os dois clubes trabalham forte para melhorar o licenciamento da marca e conquistaram bons números no total de sócios.
“Ainda dá para melhorar nesses dois itens, mas a arrecadação dos sócios é um grande diferencial, já que a receita com a televisão é sempre menor que a dos outros grandes clubes”, ressalta Mansur.
Para ele, a limitação regional é um dos maiores desafios. Ao contrário de clubes como Flamengo e Corinthians, que têm torcida em todo o país, ou Grêmio e Inter, que arregimentam fãs em todo o Rio Grande do Sul, Avaí e Figueirense despertam paixões apenas na região de Florianópolis. “A limitação existe e é grande. Uma alternativa é fazer trabalhos para aumentar a torcida, como visitas a escolas e eventos no interior do Estado”, sugere.

Driblar a pirataria ainda é um desafio
Uma das fontes de receita que mais crescem para os clubes de futebol é o licenciamento das marcas. Em linhas gerais, a estratégia é vender qualquer artigo que tenha o símbolo da equipe, como bonés, camisetas diferenciadas, xícaras, caneta e agasalho. Com a economia aquecida, principalmente pelo consumo do varejo, esta opção tende a ganhar importância nos próximos anos.
 Para cada venda, o clube embolsa uma pequena quantia em dinheiro, que somadas, ajudam em muito a deixar as contas e a saúde financeira em dia.
Mas uma questão preocupa os dirigentes: a pirataria. No mês passado, o tema foi discutido durante o 1º Encontro Nacional Sobre Licenciamento de Clubes Profissionais de Futebol, em Florianópolis.
Estima-se que 60% do dinheiro que poderia entrar para o cofre dos times está, na verdade, escorrendo pelo ralo da pirataria. Para tentar reverter essa situação, os clubes brasileiros lançam campanhas de conscientização do torcedor. A idéia mostrar a importância de adquirir apenas produtos oficiais. Só assim, o consumidor estará ajudando o clube do coração.
Além disso, os dirigentes brasileiros também estudam a viabilidade para que os processos operacionais passem a ficar mais padronizados e buscam criar um comitê jurídico nacional para acompanhar o problema. São iniciativas para driblar a pirataria e engordar as receitas.

Planos para crescer

Figueirense
Construir arena multiuso
Chegar a 15 mil sócios até dezembro
Aprofundar negociação de atletas

Avaí
Construir complexo, com hotel e shopping, próximo ao estádio
Ampliar a Ressacada com a conclusão do anel superior
Chegar a 15 mil sócios ao final do ano


O caixa dos clubes em 2010

Avaí
Receita com sócios: R$ 7,2 milhões
Sócios adimplentes: 11 mil (*)
Receitas Série A: R$ 8,2 milhões
Copa do Brasil e Sul-americana: R$ 1 milhão
Receita Operacional Bruta: R$ 31,9 milhões
Déficit acumulado: R$ 20,8 milhões

Figueirense
Receita com sócios: R$ 4,9 milhões
Sócios adimplentes: 10,5 mil (*)
Transmissões: R$ 1,2 milhões
Receita Operacional Bruta: R$ 16,8 milhões
Déficit acumulado: R$ 14 milhões
(*)Dados referentes a dezembro de 2010

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