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"Aumentar impostos é repassar o problema", diz Colombo em entrevista na Record News

Ex-governador respondeu perguntas do jornalista Dino Montez e do colunista de política do Notícias do Dia, Altair Magagnin

Redação ND
Florianópolis
30/08/2018 às 16H57

Raimundo Colombo (PSD) foi o terceiro candidato a senador convidado da série de entrevistas da Record News nas Eleições 2018. A maratona começou nesta segunda-feira (27), no programa BG News. O jornalista Dino Montez e o colunista de política do Notícias do Dia, Altair Magagnin, comandaram a entrevista. As perguntas da sabatina abordam temas livres e a ordem foi definida por meio de um sorteio com a presença das assessorias de todos os candidatos.

Raimundo Colombo é candidato a senador pelo PSB - Marco Santiago/ND
Raimundo Colombo é candidato a senador pelo PSD - Marco Santiago/ND


Sobre o porquê de ser senador de Santa Catarina

Acho que o Brasil está vivendo um momento muito importante de mudanças profundas. O modelo que está aí se esgotou, precisamos construir um novo movimento, um novo momento. Eu tenho uma experiência longa na vida pública, os dois mandatos como governador me deram muita informação, muita experiência, e eu gostaria de levar isso nesse debate nacional, que vai ser decisivo para o futuro do país.

Sobre o Pacto Federativo

O princípio da Constituição de 1988 estabeleceu que os Estados mais desenvolvidos deveriam repassar um valor para as regiões menos desenvolvidas. Eu concordo com esse princípio. Eu acho que nós todos queremos que o país seja um só e seja justo. Acontece que na prática o dinheiro não está indo para a região dos Nordeste, ela tá indo para Brasília, para aquela burocracia infernal que está lá. Santa Catarina é o 7º e às vezes o 6º Estado que mais paga impostos federais. É o 22º que tem um retorno, ou seja, lá no final da fila. De cada R$ 4 de impostos federais que você paga, R$ 1 volta para cá, ou em salário de servidores ou em obras que praticamente não existem. Não estamos ajudando a combater a pobreza no Nordeste, estamos ajudando a manter uma burocracia que não ajuda ninguém lá em Brasília com prédios suntuosos.

Sobre trazer recursos federais para as prefeituras

O melhor cargo para ser exercido na vida pública é o de prefeito. Fui três vezes prefeito de Lages, foram os momentos mais agradáveis e onde eu me senti mais realizador. Dentro dessa experiência, nós criamos aqui o Fundam (Fundo de Apoio aos Municípios), com critério técnico, todos os 295 municípios, não importa qual era o partido, e a comunidade escolhendo suas prioridades. Eu acho que nós temos que fazer no governo federal mecanismos dessa natureza. Uma das etapas é melhorar a distribuição dos recursos públicos. De fato, hoje, um prefeito precisa ir todo mês a Brasília, com o pires na mão, se humilhar e depender das emendas parlamentares porque não há um processo sistematizado.

O modelo catarinense dos pequenos municípios, dos médios municípios, é o melhor do Brasil. Não podemos deixar ele se desmanchar. As grandes cidades, as concentrações nas grandes regiões, tiram qualidade de vida na área da segurança, da educação, da mobilidade, são coisas que hoje apontam para caminhos diferentes. Manter o modelo catarinense é uma das coisas mais importantes que a gente pode fazer. O Fundam tem essa filosofia e espero que a gente possa levar esse modelo a nível nacional.

Sobre a reforma da previdência

Nós temos que enfrentar essa questão por mais impopular que seja. Primeiro, uma constatação: nós estamos vivendo mais. Hoje, Santa Catarina tem a maior média de expectativa de vida do Brasil, 78 anos e sete meses. Tu não pode se aposentar com 45 anos, porque esse fundo não tem. Hoje é mais de R$ 300 milhões/mês o déficit da previdência do Estado de Santa Catarina, todos os poderes. Então, vai faltar dinheiro para a saúde, para a educação, para tudo, porque você tem que cobrir o rombo da previdência, que é salário.

Também não adianta criminalizar. Há necessidade de uma correção. Isso tem que ser discutido com a sociedade, sobretudo no setor público, que é onde estão as maiores dificuldades e onde tá criando os maiores problemas. A previdência geral tem déficit, mas é natural. Tá terminando o período positivo, onde tem mais gente trabalhando e menos gente aposentada, para começar um processo inverso.

Há cinco anos, nós não pagamos a dívida federal, nós não pagamos o juro da dívida e nós temos um déficit médio de R$ 180 bilhões. Ou seja, nesses cinco anos nós aumentamos nossa dívida em R$ 1 trilhão. Em algum momento, isso vai explodir e eu acho que tá muito perto de isso acontecer.

Sobre a carga tributária

Eu fui contra, sou contra e acho um absurdo aumentar impostos, porque é repassar para os outros o problema. Aí, você tira energia da economia. Santa Catarina foi o Estado que mais gerou empregos no Brasil e que teve o maior crescimento da economia. Essa foi, talvez, a maior obra de governo que nós fizemos nesses sete anos e meio.

Eu acho que o Brasil tem uma das cargas tributárias mais altas do mundo. Quem paga imposto não é o empresário, é o consumidor – é na luz, no combustível. Nós temos que reduzir a carga tributária. O governo está quebrado, então como você faz isso? Essa é a equação que tem que fazer. Conseguimos renegociar a dívida, reduzir os custos, fechar uma série de empresas, e com isso o Estado não aumentou impostos.

Sobre uma reforma política

Em 1996, houve uma grande discussão no Congresso Nacional para fazer uma lei que delimitava o número de partidos, proibia coligação proporcional e incluía cláusula de barreira. Como era muito difícil aprovar isso, conseguimos fazer que ela valesse dali a dez anos, então em 2006 ela entraria em vigor e nós teríamos resolvido o problema. Só que o Supremo Tribunal Federal considerou a lei inconstitucional e a cancelou. A partir desse momento, nós voltamos à estaca zero e começou a piorar tudo de novo. É impossível dar certo com 36 partidos. Essa lei foi votada e entra em vigor em 2020. Acho que esse passo já melhora muito. O segundo passo é implantar o voto distrital misto e em vista.

Sobre a rejeição do povo pela política

A rejeição é à classe política e à atividade política. É um momento muito difícil para nós, você sente isso claramente. A verdade é que a política é uma atividade essencialmente humana, ela aflora o melhor e o pior das pessoas. Tem que separar o joio do trigo e cuidar para não fazer injustiça.

Nós temos que reconstruir. Isso não aconteceu por acaso, o modelo político se esgotou e se desviou, empobreceu e apodreceu, e reconstruir isso agora é uma missão dura. Mas instituições milenares, como a igreja, também viveram momentos muito difíceis e conseguiram reconstruir. Para reconstruir a política é preciso fazer isso de dentro, muito provavelmente com as mesmas pessoas que já estão [nela]. Tudo isso é um problema de consciência. Eu sinto que o Brasil tá procurando formar a sua conscientização, a sua escolha. Acho que estamos evoluindo.

Sobre a interferência do Judiciário no Congresso

Quando um governo é fraco, com o do presidente Temer, essa fraqueza permite que o Judiciário tivesse que fazer ou queira fazer coisas que não são de sua atribuição. A Justiça tem um papel muito importante e fundamental, mas não ela não é eleita pelo povo. Essas coisas que são de interesse da sociedade, como o aborto, têm que ser uma discussão feita pelo Congresso Nacional, por quem foi eleito pelo povo. 

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