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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Aula com música ajuda alunos a aprender português e a gostar de leitura

Professor da Escola Santa Terezinha em São José conquista a turma usando letras e melodias para ensinar novas palavras, ou sinônimos aos estudantes

Alessandra Oliveira
Florianópolis
Daniel Queiroz/ND
Um violão, música e descontração ajudaram o professor Helbert Silveira a conquistar a turma 

A turma 51 não era a mais tranquila da escola. Os 23 estudantes, com idade média entre 10 e 12 anos, não tinham facilidade ou gosto pela leitura. Mas a história da classe mudou e está mudando com ajuda de um violão. Foi com o instrumento musical e letras de músicas populares brasileiras que um professor fez a diferença nas aulas de sexta-feira, na Escola Santa Terezinha, no bairro Potecas, em São José.

Muitas palavras são novas aos ouvidos. A maioria dos acordes também. Grande parte dos alunos do 5º ano, da turma 51, não sabia quem era Toquinho antes de cantarolar “Aquarela”, hoje uma das canções favoritas da classe. Não. Helbert Silveira, 41 anos, não é professor de música. Sua aula também não tem por objetivo a educação musical. O pedagogo apenas usa as letras e melodias para ensinar novas palavras, ou sinônimos aos alunos. “Precisava me aproximar deles e o violão me ajudou na tarefa. As crianças aceitaram meu projeto e com a música elas aprenderam a visitar sentimentos que desconheciam”, relatou, ao enfatizar que o afeto entre os pequenos aumentou desde o início das aulas com música, em maio.

Na sala de aula, segurando o papel com a letra impressa os estudantes soltam as vozes acompanhados pelo som ecoado a cada nova passagem da mão do professor pelas cordas do violão. “Essa é a belezura de que o antropólogo Paulo Freire falou. O ser humano é o foco”, disse Helbert Silveira, ao defender a elevação da autoestima dos pequenos. O pedagogo lembra que se utiliza das melodias para despertar nas crianças o gosto pela leitura. Tanto que a leitura coletiva faz parte da aula. Nesse momento dois colegas se espremem na mesma cadeira para em voz alta entoar as palavras desacompanhadas de melodia. Para os próximos meses estão previstos estudos de novos verbos e palavras.

A lição começa na classe e termina no refeitório. “Almoçando com música” é um desdobramento do projeto. Durante a refeição dos colegas a turma 51 canta duas canções. A aceitação dos ouvintes é imediata. Muitos da plateia engolem rapidamente as porções de arroz e frango para cantar com a turma dali da mesa onde se fartam. Os pezinhos perdem a pouca quietude e as cabeças balançam ao som de “Vida boa”, dos sertanejos Vitor e Léo.  “Essa é a minha música favorita. Eu morava em Canelinha, então sei como é bom viver no interior, disse Jaleel, após mais uma apresentação. “Eu aprendi o som das palavras”, completa o menino.

Leitura ajuda também a controlar a timidez

Irrequieto Carlos Eduardo Vieira, 11, conta que gaguejava durante a leitura. Os tropeços diante dos textos desapareceram. “Esse projeto é diferente e não pode parar nunca mais”, pediu. Vencer a timidez foi uma das etapas do plano elaborado pelo pedagogo.  Ou seja, antes de cantar no refeitório para os demais estudantes, os alunos recebiam a diretora, ou coordenadora pedagógica em sala para uma apresentação “fechada”. “Eles sempre superaram os testes de timidez. É muito bom ver o gosto que eles têm de estar na escola”, enfatizou a diretora da unidade de ensino, Lúcia Ocker. Os alunos da turma 51 são alguns dos 220 estudantes de período integral do CEM (Centro Educacional Municipal) Santa Terezinha. Uma das pessoas que mais notou a mudança no comportamento dos estudantes foi a professora de educação física, Érica Lopes. “Eles estão mais sensíveis. Expressam mais afeto e calma. Dialogam bem mais. Antes do “Aula com música” era impossível aquietar a turma sem imposição ou coerção”, recordou. Foi necessário um projeto, um violão e um grupo de educadores para mostrar que um novo horizonte aos garotos que: “E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está”, como cantou Toquinho em sua “Aquarela.

 

 

 

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