Publicidade
Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 30º C
  • 22º C

Atualização de cadastro para doação de medula óssea pode salvar vidas

Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea começou a enviar um cartão de doador e solicitar confirmação de nomes em todo o país

Alessandra Oliveira
Florianópolis

A cada semana, dezenas de pessoas se cadastram como doadoras voluntárias de medula óssea no Hemosc (Hemocentro de Santa Catarina). Mas para que a ponte possa ser feita entre receptor e doador, no momento em que é identificada a compatibilidade, é necessário que os dados do voluntário estejam em dia. Para garantir que o paciente não perca o transplante devido a um número de telefone incorreto ou endereço de e-mail inválido, o Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea) começou a enviar um cartão de doador e solicitar atualização dos cadastros em todo o país. Em média, 30% das pessoas não são localizadas  para o transplantes, de acordo com o sistema.

O Brasil tem o terceiro maior cadastro mundial de doadores, atrás somente dos Estados Unidos e Alemanha. Em Santa Catarina, são seis hemocentros, com 124 mil doadores de medula óssea registrados.  No entanto, estes números só são relevantes quando acompanhados dos dados corretos dos doadores, alerta a assistente social do Hemosc, Cláudia Lima. “As pessoas aderem às campanhas ou algum movimento de doação e depois esquecem-se de que estão inscritas”, afirma. Ela lembra que, além de um e-mail ativo, o voluntário deve manter pelo menos quatro contatos telefônicos no registro. Quando a compatibilidade é detectada, o Redome procura o doador por meio do hemocentro onde foi feito o cadastro. Na Capital, os profissionais do Hemosc ressaltam que o doador nem precisa sair de casa, pode informar os contatos e endereço por telefone ou pela internet.

Em abril, o aluno-soldado da Polícia Militar, Everson Pinheiro Irigaray, 26, se tornou doador voluntário de medula óssea. Ele reconhece que não sabia ao certo como é feita a coleta da medula quando a compatibilidade é identificada, por isso defende a realização de campanhas para atrair doadores e esclarecer a população. “Para mim não importa como será feita a coleta, o que importa é poder salvar uma vida”, disse o jovem, em sua segunda doação de sangue, ontem, no Hemosc. Irigaray atualizou os telefones de seu cadastro para que possa ser encontrado caso apareça um receptor.

Flávio Tin/ND

Everson Irigaray é doador de medula óssea desde abril deste ano

 

Duas formas de doar

No dia do cadastramento são coletados 5 ml de sangue do voluntário. A amostra é analisada em laboratório. Posteriormente, as informações do HLA (antígeno leucocitário humano) do doador são armazenadas no banco de dados do Redome, para serem cruzados com o sangue dos pacientes à espera de transplante de medula óssea. Em caso de compatibilidade, o doador é chamado para realizar novos exames.

Caso seja compatível, ou o mais compatível possível, será feita a coleta da medula. Este procedimento é feito de duas formas, a serem escolhidas pelo voluntário e por seu médico. Um é por pulsão no quadril, que exige dois dias de internação hospitalar. O outro é por coleta sanguínea. Para esta segunda, o doador precisa tomar uma medicação por cinco dias antes da retirada do sangue. O medicamento estimula a proliferação das células-mãe, que posteriormente migram para a região periférica, onde são retiradas por aférese, como uma doação comum de sangue. “Esse processo não é indolor, mas é ele que salva vidas. Para o doador é um desconforto passageiro, mas para o receptor representa a vida ou a morte”, enfatiza Cláudia Lima, que semanalmente contata possíveis doadores. As coletas são realizadas em Curitiba (PR) ou São Paulo (SP), ou Porto Alegre (RS).

Publicidade

2 Comentários

Publicidade
Publicidade