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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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As sete que lutam pelo Casarão

Voluntariado. Grupo de mulheres negras trabalha contra o preconceito em comunidade carente

Marcos Horostecki
Tijucas
Marcos Horostecki/ND
casarao
Região do Casarão ainda sofre com o preconceito

Tijucas – Por definição, gueto é um bairro ou região de uma cidade onde vivem os membros de uma etnia ou qualquer outro grupo minoritário. Em Tijucas, a comunidade da região conhecida como Casarão, no centro da cidade, sofre com uma série de preconceitos. Por abrigar gente simples e de cor negra, é confundida com esconderijo de criminosos e seus moradores tem dificuldades para estudar, arrumar emprego e melhorar de vida. Pessoas de outras regiões da cidade tem medo até de passar pelo local. Mas é lá que resiste um dos últimos guetos de que se tem notícia no Vale do rio Tijucas e em Santa Catarina. Um grupo de 20 famílias de origem negra, que trava uma batalha diária para sobreviver e que conta com o apoio de verdadeiros anjos da guarda: as sete integrantes do Grupo de Mulheres Negras Solidárias.

 

As líderes da entidade, as professoras aposentadas Maria de Lurdes da Silva, 66 e Maria da Graça Calixto, 64, não escondem o orgulho quando falam que algumas meninas com 15 anos já devem atuar como monitoras, a partir de 2012. Ao todo, são 35 as crianças e adolescentes que participam das atividades desenvolvidas pelas mulheres. E boa parte delas já começa a demonstrar mais interesse pelos estudos e pela recuperação social da comunidade onde vivem.

O trabalho teve início com aulas de Catequese. Mas evoluiu e hoje são realizadas palestras e encontros lúdicos. “Nós começamos a orientar as crianças porque havia e ainda há muita discriminação com eles”, explica Maria de Lurdes. As voluntárias defendem que são pessoas de fora que trazem a má fama da violência para dentro da comunidade e que só uma ação social forte pode evitar que as crianças sejam cooptadas e engolidas pela violência.

Desestruturação familiar é uma realidade

Muitas das famílias negras do Casarão são compostas apenas por mulheres e crianças. Esse quadro reflete a desestruturação familiar do local e a necessidade de investimento para a melhoria da renda e da escolaridade. Segundo Maria de Lurdes, a Secretaria da Ação Social da Prefeitura tem sido uma grande parceira, mas ainda falta muito para que a comunidade possa se libertar dos preconceitos e se desenvolver sozinha. “Nosso trabalho é como o de formiguinhas”, acrescenta Maria da Graça. Ela também defende um trabalho social com as mães das crianças, para que elas tenham condições de evitar que a falta de oportunidades coloque os filhos no mundo das drogas.

A recompensa das voluntárias vem do fato de que as crianças já estão menos revoltadas e faltam menos à escola. Nas reuniões, elas já demonstram  novos valores e a vontade de seguir estudando, encontrar uma profissão e mudar de vida. Maria da Graça e Maria de Lurdes esperam que no futuro elas não sejam apenas sete. Querem contar com a ajuda de novos voluntários e empresas interessadas na recuperação da cultura negra e no resgate das famílias que, sozinhas, tem pouca força contra o preconceito.

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