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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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"As diferenças só nos tornam mais fortes", diz francesa que mora em Florianópolis

Enya Gemard e dois compatriotas que também vivem na Ilha comentaram os ataques terroristas em Paris

Marciano Diogo
Florianópolis

Franceses em torno do mundo choram pelo terror ocorrido no país na noite de última sexta-feira (13), e em Florianópolis a situação não é diferente. Em luto pelos conterrâneos, os cidadãos naturais da França que residem na Capital lamentam os múltiplos atentados com tiros e bombas que deixaram mais de 125 mortos e pelo menos 300 feridos na cidade de Paris. “É triste e chocante, foi difícil de acreditar. Paris sempre foi uma cidade de miscigenação, onde o respeito, a convivência e a tolerância sempre caminharam juntos. Jovens tiveram que pagar com suas vidas por uma guerra que não estavam envolvidos”, afirmou o francês Benoit François, 45, proprietário de um reconhecido bistrô na Capital.

Daniel Queiroz/ND
Enya: "As políticas de fronteira já estão mudando e vão mudar ainda mais"

 

François, que é natural da cidade de Reims, mas já morou durante anos em Paris, soube dos atentados através de mensagens de amigos na própria sexta-feira, que o alertaram da gravidade da situação.

“Estive no mês passado em Paris, a liberdade é algo muito pulsante lá, fato que pode ser constatado nos espaços de convivência. Pela estratégia dos terroristas, a situação poderia ter sido ainda pior, poderia ter tido mais mortos. Agora, acredito que a França vai reforçar a segurança interna, haverá um controle maior da imigração, semelhante como o que aconteceu nos Estados Unidos após o 11 de setembro”, disse François.

Ele acredita que os franceses saberão reagir da maneira correta diante do fato histórico. “É claro que a forma de receber os visitantes não será a mesma, mas não haverá pânico nem situações de constrangimento. Os franceses já sabem diferenciar os mulçumanos do fundamentalismo islâmico”, observou o empresário.

Assim como o conterrâneo, o francês Cédric Pesche, 28, chef de cozinha natural de Paris que mora há dois anos em Florianópolis, reforça o sentimento de luto diante dos atentados contra a França. “O país já reage contra o Estado Islâmico, e a Rússia também está envolvida na guerra, é uma questão geopolítica muito complicada”, constatou o jovem.

Daniel Queiroz/ND
Cédric: "As pessoas estão com muito medo"


Ele tem irmãos e pai morando atualmente em Paris. "Estão todos bem, graças a Deus. Mas o estado lá ainda é de alerta e tensão. Haverá uma mudança na política interna quanto a questões de controle, recentemente o Parlamento aprovou recentemente uma lei que permite a investigação e consulta livre de informações em aparelhos pessoais sem autorização da pessoa. As pessoas estão com muito medo. É a maior violência contra Paris desde a 2ª Guerra Mundial”, afirmou.

O chef de cozinha já chegou a frequentar o Bataclan, casa noturna onde mais de 110 pessoas foram mortas em um dos atentados na última noite de sexta-feira. “Era um clube bacana, grande, com capacidade para mais de 1.000 pessoas”, relembrou o parisiense.

Daniel Queiroz/ND
Benoit: "Jovens pagaram com suas vidas por uma guerra que não estavam envolvidos”


Mesmo diante da violência e das ameaças que compartilham a carta, os franceses não deixam de ressaltar o orgulho pela nação que é o maior país da União Europeia: “liberdade, fraternidade e igualdade. Este é o lema que sempre norteará nossas políticas”, afirmou a francesa Enya Gemard, 23, professora radicada em Florianópolis.

Enya, que é natural da cidade de Saint Pierre Duchen, mas tem amigos e familiares residindo em Paris atualmente, reafirma o sentimento de fortificação da nação francesa.

“As pessoas precisam entender que as diferenças só nos tornam mais fortes”, afirmou a professora da unidade da Aliança Francesa na Capital. A jovem também soube dos atentados recentes através de amigos, que a avisaram que estavam bem através de redes sociais.

“É claro que estou aterrorizada e preocupada. As políticas de fronteira já estão mudando e vão mudar ainda mais”, opinou Enya.

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