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Articulação política para 2018 começa a tomar forma no segundo semestre em Santa Catarina

Deputados estaduais retornam esta semana à Alesc e, em paralelo aos trabalhos, as discussões sobre coligações e candidatos começam a amadurecer

Felipe Alves
Florianópolis
31/07/2017 às 08H46

De olho nas eleições de 2018, os deputados estaduais retomam os trabalhos na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) nesta semana. O segundo semestre deve ter um volume menor de projetos para serem discutidos, já que a pauta foi praticamente zerada antes do recesso, mas algumas matérias devem render debates nos próximos meses. Em paralelo ao trabalho legislativo, as forças políticas do Estado intensificam as articulações rumo às definições de futuros candidatos e coligações. O ND conversou com todos os líderes das bancadas da Alesc, que abordam nesta matéria as discussões políticas que serão delineadas nos próximos meses.

Os partidos já têm discutido os projetos para 2018 em Santa Catarina há alguns meses, mas as conversas com encaminhamentos mais bem definidos devem surgir a partir de agora, ainda sob a crise política nacional e uma possível mudança nas regras das eleições do próximo ano com a proposta da reforma política. Por enquanto, apenas o PSD lançou oficialmente seu pré-candidato ao governo: o deputado Gelson Merísio, para dar continuidade ao mandato de Raimundo Colombo (PSD).

PMDB, PSDB e PT sugerem mais de um nome como possibilidades. Entre os peemedebistas estão os nomes de Mauro Mariani, Eduardo Pinho Moreira, Dário Berger e Udo Dohler. Entre os tucanos há possibilidades com Paulo Bauer, Leonel Pavan, Marcos Vieira, Napoleão Bernardes e Clésio Salvaro. Os petistas têm Décimo Lima e Pedro Uczai e o PR tem o nome de Jorginho Mello. Mas ainda nada definido. A movimentação de olho nas urnas de 2018 deve ser amadurecimento natural dos próximos meses entre todos os partidos.

Na pauta legislativa dos deputados neste semestre, alguns projetos importantes ou polêmicos estarão em evidência neste semestre. É o caso da proposta de extinção das ADRs (Agências de Desenvolvimento Regional), do fim das pensões aos ex-governadores, a extinção da administração do porto de São Francisco do Sul, entre outros.

Cesar Valduga (PcdoB)

Sem um nome definido para o governo em 2018, o PcdoB deve dialogar com vários partidos no segundo semestre também de olho na conjuntura política nacional. De acordo com Valduga, o diálogo está em aberto. “O partido vem construindo um projeto para 2018 pensando já em 2020 também. Estamos dialogando com diversas forças políticas pensando na composição que seja melhor para o nosso Estado”, diz ele. Único deputado do PcdoB na Alesc, Valduga diz que seu nome está à disposição do partido e que o PcdoB tem dois planos. “O plano A é ter uma chapa própria para deputados estaduais de diversas regiões. O plano B é ter uma coligação na proporcional”, afirma. O momento é de fortalecer o partido em uma “construção de diversas mãos”.

Dirceu Dresch (PT)

Os dois deputados federais de Santa Catarina petistas, Décimo Lima e Pedro Uczai, estão na mira como possíveis nomes para o governo 2018. “Em meio a essa grande crise política e de direitos dos trabalhadores, os deputados vêm se destacando. Seria meio que natural eles tentarem comandar esse processo em 2018. Mas isso é uma costura que ainda vamos fazer, temos outros bons líderes também”, afirma o deputado Dirceu Dresch. A expectativa do partido, segundo ele, é montar uma boa chapa para o próximo ano, que feche alianças de esquerda, com diálogos em aberto com partidos como PcdoB, PDT e PSOL. Os deputados estaduais petistas também devem tentar a reeleição ou então candidaturas federais. De acordo com Dresch, a expectativa é retomar o debate na defesa do que foi construído nos governos de Dilma Rousseff e Lula em questão de políticas públicas.

Dóia Guglielmi (PSDB)

Pelo menos cinco nomes surgem como possibilidades para o governo em 2018, segundo o deputado Dóia Guglielmi: Paulo Bauer, Leonel Pavan, Marcos Vieira, Napoleão Bernardes e Clésio Salvaro. O segundo semestre deve ser mais intenso com foco em 2018. “Estamos reorganizando o partido e temos 38 seminários até o fim do ano, mas acreditamos que encaminhamento e conversações com os demais partidos já devam ocorrer este ano. Inclusive já temos convites para que possamos sentar em meados de agosto e conversar”, afirma Guglielmi. Ele acredita que a maioria dos deputados do PSDB vão tentar a reeleição na Alesc, assim como os federais.

José Milton Scheffer (PP)

Sem alianças definidas ou candidato visando as eleições de 2018 pelo PP, o deputado José Milton Scheffer afirma que o objetivo deverá ser apresentar uma proposta calcada na experiência com mudanças. “O PP tem uma relação histórica muito próxima com PSD e PSDB e também com outros partidos. Existe essa proximidade grande também nas bancadas do legislativo e isso tem conduzido para a formação de uma nova aliança em Santa Catarina”, afirma ele. Neste segundo semeste, Scheffer acredita que a grande pauta da Alesc será tirar o governo da crise e aposta que a pauta eleitoral deva ficar para o início do ano que vem. Segundo ele, ainda não houve discussão concreta sobre reeleição, mas a princípio todos deputados estaduais do PP devem tentar a reeleição ou cargos federais.

Maurício Eskudlark (PR)

De acordo com Eskudlark, o projeto do PR é continuar fortalecendo o nome do presidente do partido e deputado federal Jorginho Mello como possibilidade para o governo em 2018. “Vemos ele como um bom nome e viável dentro do que a população pede da nova política”, diz Eskudlark. Ele acredita que até o fim do ano deve permanecer sobre o país essa indecisão política nacional e estadual e, com isso, as possibilidades de coligações devem ser melhor tratadas a partir do ano que vem. Os deputados estaduais do PR devem tentar a reeleição, mas uma mudança com a reforma política pode mudar os planos. “O partido tem que se preparar para a legislação atual, mas de olho nas possíveis mudanças”, afirma.

Mauro de Nadal (PMDB)

O PMDB tem trabalhado com quatro nomes que podem concorrer ao Governo do Estado: Mauro Mariani, Eduardo Pinho Moreira, Dário Berger e Udo Dohler. Segundo o deputado Mauro de Nadal, o partido tem percorrido o Estado no sentido de amadurecer as candidaturas e “aqueles que tiverem as melhores condições perante à opinião pública irá enfrentar o pleito”. Ele acredita que as discussões neste semestre visando as eleições de 2018 são um processo natural e o PMDB tem feito conversa com patricamente todos os partidos próximos. “Alguns temos maior dificuldade, como o PP, mas dos que são parceiros, estamos conversando com todos”, diz ele. Da bancada do legislativo hoje, Nadal afirma que todos devem se lançar à reeleição ou tentar o cargo de deputado federal.

Milton Hobus (PSD)

Após dois mandatos do PSD no governo com Raimundo Colombo, o partido tenta engatar o terceiro mandato com Gelson Merísio, único que foi lançado oficialmente até agora como pré-candidato ao governo. Para Hobus, o deputado Merísio tem coragem e sensibilidade necessárias para propôr mudanças e dar continuidade à gestão Colombo. O trabalho agora será de fortalecer essa imagem. As conversas com outros partidos neste momento são produtivas mas, segundo Hobus, é necessário esperar a reforma política para ter uma definição melhor das regras da próxima eleição. “Se a reforma política aprovar o distritão, nossa estratégia será uma, senão será outra. Temos um quadro excelente hoje de deputados e vamos trabalhar para eleger de 10 a 12 estaduais e pelo menos quatro federais”, diz ele.

Narcizo Parisotto (PSC)

O PSC vem realizando uma série de encontros no Estado para ouvir as lideranças, mas ainda não tem alianças definidas ou um nome certo para o governo em 2018. De acordo com o deputado Narcizo Parisotto, tanto as articulaões políticas e alianças, como os encaminhamentos para as eleições a governo do Estado estão sendo estudados. “Alguns nomes já foram apresentados, mas somente com um panorama maior poderemos começar a traçar objetivos mais palpáveis visando as próximas eleições”, afirma ele. Único deputado da bancada do PSC na Alesc, Parisotto diz que, a princípio, seu nome está entre os pré-candidatos a deputado estadual nas próximas eleições.

Rodrigo Minotto (PDT)

Sem alianças ainda definidas para 2018, o PDT deve ter simpatia pelo candidato ao governo que defender a extinção das ADRs (Agências de Desenvolvimento Regional), de acordo com Minotto. “Tem que haver um novo modelo que fortaleça os municípios e possibilidade de fazer esses investimentos em outros setores. Há conversas com vários partidos, mas até agora o único que nos procurou foi o deputado Gelson Merísio”, afirma Rodrigo Minotto. Segundo ele, o partido deve esperar também o andamento da reforma política para poder desenhar melhor seu papel em 2018. “Não temos nada encaminhado, vamos aguardar para ver o que ocorrerá no decorrer do ano. Agora estamos jogando sem saber as regras. Sem definições muito claras, serão só especulações”, diz ele.

*O ND não conseguiu contato com o deputado Cleiton Salvaro, líder da bancada do PSB, pois ele estava em viagem fora do país

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