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Área da União cedida à Prefeitura de Florianópolis será transformada em praça

Processo aguarda prospecções arqueológicas do Iphan para o Beiramar Shopping adotar o terreno e construir a praça São Luís

Dariele Gomes
Florianópolis
11/07/2017 às 23H49

Enfim, a área da União cedida ao município em março de 2015, localizada na esquina da rua Bocaiúva com as avenidas Mauro Ramos e Beira-Mar Norte, deve virar uma praça. O Beiramar Shopping quer adotar o terreno. O processo de adoção, que está em andamento e aguarda as prospecções arqueológicas do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), faz parte do programa Adote uma Praça, da Associação FloripAmanhã em parceria com a Prefeitura de Florianópolis. Procurado, o Iphan não havia se posicionado sobre a previsão de liberação das prospecções arqueológicos até o fechamento desta reportagem.

Área desativada na esquina da rua Bocaiúva com as avenidas Mauro Ramos e Beira-Mar Norte abrigou o Forte de São Luís da Praia de Fora - Daniel Queiroz/ND
Área desativada na esquina da rua Bocaiúva com as avenidas Mauro Ramos e Beira-Mar Norte abrigou o Forte de São Luís da Praia de Fora - Daniel Queiroz/ND


A área que pertencia ao Exército será transformada na praça São Luís, em alusão ao Forte de São Luís da Praia de Fora, que funcionou no local até o século 19. O shopping, por meio da assessoria de imprensa, relatou que tem interesse em adotar o espaço, mas que o processo ainda está tramitando e aguarda os trâmites burocráticos do Iphan. Conforme a assessoria do Beiramar, enquanto o termo do Iphan não sair, fica tudo no plano das intenções.

Mas para o coordenador do Grupo de Trabalho de Revitalização de Espaços Urbanos e Meio Ambiente da FloripAmanhã, Salomão Mattos Sobrinho, a adoção da área está definida. “Ficou tudo encaminhado e o Beiramar Shopping adotará o espaço e implantará o projeto da praça”, disse. O Grupo de Trabalho é formado por representantes da FloripAmanhã e de técnicos das secretarias de Infraestrutura, Meio Ambiente, Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Continente e Assuntos Metropolitanos e Segurança, além da Procuradoria-Geral do Município.

Segundo a secretária de Segurança Pública da Capital, Maryanne Mattos, o objetivo do programa Adote uma Praça é estimular a integração e a cooperação do poder público municipal com as entidades não-governamentais e proporcionar a troca de experiências e informações visando à melhoria destes locais. “A partir do momento que estes espaços são cuidados e bem iluminados, passam a ser utilizados pelas pessoas para lazer, eventos culturais e encontro entre amigos. Qualquer pessoa jurídica pode adotar e manter um espaço público, basta manifestar interesse”, argumenta Maryanne.

A prefeitura informou que o local será sempre público e foi concedido ao município pela União. Caso ocorra a adoção pelo shopping, o adotante fará a manutenção e revitalização do espaço, a exemplo do que acontece em outras praças adotadas na Capital.

Área sediou forte e feira livre

O terreno do Exército sediou o Forte de São Luís da Praia de Fora, erguido a partir de 1771 e demolido no século 19. Posteriormente, já no século 20, a área virou um largo, que se estendia até onde existe hoje a praça Lauro Müller. No local havia uma pedra chamada de Pedra de São Luís, junto à qual foi instalado em 1922 o obelisco em homenagem ao fundador de Florianópolis, o bandeirante Francisco Dias Velho.

A pedra foi dinamitada na década de 1960, porque atrapalhava o trajeto da avenida Rubens de Arruda Ramos, hoje genericamente conhecida como Beira-Mar Norte. O monumento foi ainda mais afastado do local original depois da duplicação da mesma via, sob protestos dos historiadores e moradores mais antigos. O terreno original – que dava na praia – também acabou recuado, separado do mar pelas faixas da avenida.

O espaço foi totalmente destruído, perdeu árvores e bancos, transformando-se num lugar comum, onde por muito tempo instalava-se semanalmente uma feira livre. Em 1976, o terreno foi repassado pela União ao Exército e, em 1991, um decreto do presidente Fernando Collor revogou essa cessão, mas a área continuou sob controle militar. (Colaborou Carlos Damião)

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