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Arcebispo é condenado a um ano de prisão por encobrir abusos sexuais contra crianças

Philip Wilson é a maior autoridade religiosa do mundo condenada por ocultar abusos sexuais de crianças na Igreja Católica

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
03/07/2018 às 16H31

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um arcebispo australiano que se tornou a maior autoridade religiosa do mundo condenada por ocultar abusos sexuais de crianças na Igreja Católica foi sentenciado a um ano de prisão nesta terça-feira (3).

Em maio, Philip Wilson, 67, arcebispo de Adelaide, já tinha sido declarado culpado de encobrir abusos cometidos nos anos 1970 pelo padre Jim Fletcher na região de Hunter (Nova Gales do Sul), ao não comunicar as denúncias contra o religioso. 

Durante o julgamento, não se questionou que Fletcher, abusasse sexualmente do coroinha Peter Creigh, mas, sim, o fato de Wilson, então um jovem padre, não ter feito nada a respeito quando foi informado em 1976.

Em 2004, Fletcher foi considerado culpado de nove acusações de abuso sexual infantil, e morreu na prisão em 2006 devido a um derrame. O arcebispo negou todas as acusações, e seus advogados alegaram que ele sofria do Mal de Alzheimer para evitar o julgamento. 

O tribunal de Newcastle condenou Wilson a 12 meses de prisão, sem possibilidade de progressão da pena antes de seis meses, mas o juiz Robert Stone suspendeu sua aplicação até 14 de agosto, para avaliar a possibilidade de detenção na residência de algum familiar do religioso -ele aguardará a decisão em liberdade, já que pagou a fiança. 

"O transgressor é uma figura de alto escalão em uma das instituições mais respeitadas de nossa sociedade. Os paroquianos foram traídos da maneira mais insensível e cruel por causa de sua fé, confiança e respeito equivocados, não só pelo perpetrador mas, como neste caso, por aqueles que sabiam e o ocultaram" disse o juiz sobre a decisão. 

Após ser declarado culpado em maio, Wilson se afastou da Igreja, mas manteve o título de arcebispo. Ele foi pároco em Nova Gales do Sul antes de ser nomeado bispo de Wollongong, em 1996. Cinco anos depois, se tornou arcebispo. 

Embora sua pena seja menor do que a de um veredicto semelhante emitido nos Estados Unidos, e apesar dele não ter sido preso de imediato, ela foi celebrada pelos sobreviventes de abusos como uma vitória importante.

"Este é um caso emblemático em todo o mundo, a condenação permanece", disse Peter Creigh, que foi abusado por Fletcher, aos repórteres diante da corte de Newcastle, ao norte de Sydney.

A Conferência Australiana de Bispos Católicos, principal entidade católica do país outrora comandada por Wilson, disse em um comunicado que espera que a sentença leve alguma "sensação de paz e cura" às vítimas.

Ele não é a única autoridade católica australiana atingida pelo escândalo de pedofilia na Austrália. George Pell, bispo emérito de Sidney e tesoureiro do Vaticano (ele se afastou do posto após a revelação do caso), foi denunciado em abril por ter abusado de duas crianças e aguarda o julgamento. 

O papa Franciso enfrenta ainda uma crise na Igreja chilena, onde 34 bispos renunciaram (cinco foram aceitas até o momento) após uma investigação feita pelo Vaticano apontar que a cúpula católica no país trabalhou para encobrir denúncias de abuso sexual.  

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