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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Aquecimento global afeta as baleias

Ciclos migratórios são alterados pelo aumento da temperatura dos oceanos, afirmam os especialistas

Redação ND
Florianópolis

Magras e com parasitas, cansadas por êxodos mais longos para se reproduzir e com ciclos migratórios alterados pelo aumento da temperatura das águas: as baleias, animal fundamental para o ecossistema marinho, também sofrem o impacto do aquecimento global. "Dá para ver os ossos, doentes, com parasitas, e isso a gente não via antes", diz a bióloga equatoriana Cristina Castro, enquanto observa o éden desses mamíferos, os maiores do mundo, em frente a Puerto López, a 295 km de Quito, onde as baleias chegam da Antártida para ter suas crias.


Os rituais de acasalamento são repetidos em outras áreas costeiras da América Latina, como em Cabo Blanco, no Peru, ou em Bahía Málaga, na Colômbia, e também em Puerto Pirâmides, no Atlântico argentino. Em todos esses lugares, é possível sentir o impacto da mudança do clima. Com águas mais quentes, diminuem as fontes de alimentação, o que as torna menos propensas a se reproduzir. A maior temperatura do oceano também as confunde, modificando a duração e o alcance das migrações. "Quando a alimentação das baleias na antártica é afetada, mudam os ciclos de migração. Antes, elas chegavam aqui em julho e agora chegam em maio", aponta Cristina.

Além disso, já não chegam somente até a linha equatorial como antes, mas avançam inclusive até a Costa Rica, explica a especialista, que estima entre 8 mil e 10 mil a população de jubartes nas áreas de reprodução do Pacífico. Diretora de pesquisa da ONG norte-americana PWF (Pacific Whale Foundation) no Equador, Cristina Castro também menciona mudanças no Atlântico: "Detectamos migrações de mais de 10 mil km ao passar da península Antártica até áreas de alimentação do Brasil e possivelmente da África.”

A acidificação dos oceanos pelo aumento do CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera também afeta as baleias porque reduz o plâncton com o qual se alimentam. “As fêmeas dão à luz apenas quando as condições para alimentar suas crias são favoráveis", diz o cientista norte-americano Roger Payne, que dedicou 45 anos à observação desses animais na Patagônia argentina.

Segundo especialistas, é muito provável que tais efeitos “devastadores” do El Niño sejam sentidos pelas espécies marinhas das Ilhas Galápagos, localizadas a mil km da costa do Equador. O El Niño, resultante da interação entre o oceano e a atmosfera nas zonas oriental e central do Pacífico equatorial, já provocou o fim de 90% das iguanas marinhas, de 50% dos lobos marinhos e de 75% dos pinguins de Galápagos.

O aquecimento global atinge em particular as baleias que, paradoxalmente, parecem ter a chave para contê-lo, já que suas fezes colaboram para o crescimento da maioria das plantas que absorvem CO2. A grande quantidade de ferro no excremento, que ajuda no crescimento de algas microscópicas, é considerado fundamental ao equilíbrio do ecossistema marinho. As baleias buscam o alimento nas profundezas, mas comem e defecam na superfície, permitindo a circulação de nutrientes.

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